Skip to content

Pesquisadores da USP dão novo passo para eliminar o vírus da Zika

31/03/2017

Aedes aegypti, mosquito transmissor do zika vírus

Fonte: Exame

Grupo de pesquisadores da USP identificou a estrutura responsável pela replicação do vírus e se aproxima de um medicamento para combater a doença

Com seu tamanho diminuto, um mosquito pode causar um medo considerável. Principalmente se, esmagado com um tapa depois da picada, exibir patas listradas. E mais ainda se quem levou a picada estiver grávida.

Transmissor dos vírus causadores de Zika, dengue e chikungunya, o mosquito Aedes aegypti é de fato um inimigo temível.

Por isso o físico Glaucius Oliva, professor do Instituto de Física do campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coordenador do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), sonha com um medicamento que possa ser utilizado em seguida à picada ou logo que aparecem os sintomas, de modo a bloquear a proliferação dos vírus e acelerar a cura.

Seu grupo acaba de dar o primeiro passo nessa busca: desvendou a estrutura tridimensional da proteína mais crucial para a replicação do material genético do vírus, conforme descrito em artigo publicado em 27 de março na revista Nature Communications.

“Buscamos o desenvolvimento de fármacos por meio da modelagem de moléculas que interagem com receptores específicos”, conta Oliva.

O CIBFar é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP. “Mas nunca tínhamos trabalhado com vírus até a formação da Rede Zika (ver Pesquisa FAPESP nº 239).”

O caráter emergencial da pesquisa chamou a atenção do pesquisador, que começou a coordenar a modelagem molecular das proteínas codificadas pelo genoma do vírus Zika.

Trata-se de uma molécula bastante curta de RNA que carrega o código para 10 proteínas: três estruturais, responsáveis pela estrutura física que envolve o material genético, e sete não estruturais, associadas à replicação do RNA viral.

“O coração do complexo de replicação é a proteína NS5, uma enzima polimerase que usa o próprio RNA como molde para produzir cópias”, explica Oliva. É essa proteína que seu grupo caracterizou, e que pretende usar como alvo para o desenvolvimento de um fármaco.

Para chegar à estrutura foi necessário clonar o RNA, uma etapa feita em parceria com a Cellco, uma empresa criada e incubada na USP em São Carlos por três ex-doutorandos do IFSC com o objetivo de oferecer soluções para laboratórios de pesquisa em biotecnologia.

Depois de sintetizar o gene, de modo a não trabalhar diretamente com o vírus, e produzir a proteína, foi necessário formar cristais com a molécula, uma forma de possibilitar a investigação de sua configuração por meio da cristalografia de raios X.

Com isso, foi possível chegar ao detalhe na menor escala possível, com a localização de cada um dos milhares de átomos que compõem a proteína.

De posse desse modelo, resta encontrar uma maneira de interferir com o funcionamento da polimerase e impedir a replicação genética.

Os pesquisadores de São Carlos não são os primeiros a adotar essa estratégia. “A farmacêutica Novartis há anos está tentando produzir um fármaco contra dengue focando na NS5 do vírus”, conta Oliva.

Embora a empresa tenha outra escala em termos de recursos financeiros e instalações, se comparada à universidade, ele não se sente em desvantagem.

“O que eles fazem, nós também fazemos na busca por uma molécula que bloqueie o sítio ativo da proteína”, afirma. Ele já sabe, na comparação entre a proteína do vírus Zika e a do vírus da dengue, que os respectivos sítios ativos apresentam diferenças importantes.

O fármaco que o grupo do CIBFar busca, portanto, seria específico para Zika. Com a publicação da estrutura cristalizada, ele espera contribuir para uma corrida em que diferentes laboratórios buscarão novos inibidores para a enzima NS5, candidatos a tratamento para a doença.

O artigo de Godoy, A.S. e outros Crystal structure of Zika virus NS5 RNA-dependent RNA polymerase, publicado na Nature Communications, pode ser lido neste link.

Este conteúdo foi originalmente publicado no site da Agência Fapesp.

Ministério da Saúde destina mais R$ 10 milhões para pesquisas sobre Aedes

31/03/2017

Resultado de imagem para ministerio da saude

Fonte: JB

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (30) que repassará mais R$ 10 milhões para a elaboração de pesquisas sobre as doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, Zika e chikungunya. Deste total, R$ 6 milhões serão destinados à criação de um banco nacional de amostras biológicas relacionadas a essas doenças, como sangue, urina e saliva.

O banco servirá de suporte aos pesquisadores, permitindo que análises futuras possam ser realizadas com a ajuda destas amostras. Segundo o ministério, a estruturação do banco deve começar ainda em este ano e a coordenação será feita em conjunto com centros de pesquisas ainda a serem definidos.

Também serão definidas prioridades de pesquisas relacionadas à chikungunya, com previsão de um estudo de abrangência nacional, e será dado auxílio a pesquisadores na publicação de artigos de grande impacto relacionados às arboviroses. Segundo a pasta da Saúde, ao todo, já foram investidos, pelo governo federal, mais de R$ 250 milhões no financiamento de pesquisas relacionadas às três doenças causadas pelo Aedes aegypti.

Renezika

O anúncio da verba foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante o 3º Encontro da Rede Nacional de Especialistas em Zika e doenças correlatas (Renezika), realizado ontem (29) e hoje, em Brasília.

Barros disse ainda que, para ampliar a assistência, já foram destinados recursos para a habilitação de Centros Especializados em Reabilitação (CER) e para 51 novas equipes de Núcleos de Apoio de Saúde da Família. São R$ 10,9 milhões por ano para essas equipes, que contam com profissionais de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Desde outubro do ano passado, as crianças com síndrome congênita de Zika também contam com 52 novos CERs, especializados em serviços como, por exemplo, estimulação precoce. Por ano, o Ministério da Saúde repassará R$ 114,3 milhões para o custeio dessas unidades.

Segundo o ministro, 80% das crianças com microcefalia já estão sendo atendidas com atenção especializada, mas é preciso que as prefeituras façam com que elas cheguem aos centros. “Há um esforço nosso para ampla cobertura e para que as mães utilizem esse serviço. Só que o tratamento está nos centros especializados e, às vezes a mãe está em local afastado e as equipes precisam ir ao seu encontro, não é uma operação simples”, disse.

Cerca de 300 pessoas, entre pesquisadores, gestores, profissionais da saúde, representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), do Center for Disease Control and Prevention (CDC) e da Global Research Collaboration for Infectious Disease Preparedness (GloPID-R), bem como do setor produtivo público e privado, participaram do encontro da Renezika. Foram convidados também os secretários de saúde estaduais e gestores de secretarias municipais de locais em que a epidemia de zika, chikungunya ou dengue teve maior impacto.

Número de casos

Entre 1º de janeiro e 25 de março deste ano foram notificados 90.281 casos prováveis de dengue em todo o país, uma redução de 90% em relação ao mesmo período de 2016 (947.130). Segundo o ministério, também houve 97% de redução no número de óbitos, passando de 411, em 2016, para 11, em 2017.

Em relação à chikungunya, a redução do número de casos foi de 74%. Entre janeiro e 25 de março, foram registrados 26.854 casos. No ano passado, foram registrados 101.633 casos, neste mesmo período.

O Ministério da Saúde registrou 4.894 casos de Zika em todo o país este ano. Uma redução de 97% em relação a 2016 (142.664 casos). Em relação às gestantes, foram registrados 727 casos prováveis. Não houve registro de óbitos por Zika em 2017.

Cientistas desenham estrutura de proteína chave do vírus da zika

28/03/2017

Imagem mostra a estrutura cristalina da proteína NS5 (Foto: Song lab, UC Riverside.)

Fonte: G1

O vírus da zika, mais conhecido desde 2015 por causar a microcefalia e outras malformações, é transmitido por meio do mosquito Aedes aegypti, de mãe para filho durante a gravidez ou durante o sexo. Sua replicação só ocorre devido à proteína “NS5 ZIKV”, uma exclusividade desse vírus.

Pesquisadores da Universidade da Califórinia conseguiram desvendar a estrutura dessa proteína e a desenharam. Em estudo publicado nesta segunda-feira (27) na revista “Nature Communications”, a estrutura cristalina é relatada, uma forma de ajudar a ciência a entender como o zika consegue se multiplicar.

A análise estrutural também revela uma potencial ligação entre a proteína e o uso de um inibidor, o que pode ajudar no desenvolvimento de um mecanismo para suprimir a infecção. Conseguir identificar onde seria mais eficiente ligar o inibidor à proteína pode ajudar os cientistas na produção de medicamentos, diz o estudo.

“Começamos este trabalho e percebemos que a estrutura da NS5 estava faltando [na literatura]”, disse Jikiu Song, professor de bioquímica e coautor do artigo ao lado de Rong Hai, professor de fitopatologia e microbiologia.

“Nosso trabalho fornece uma estrutura para futuros estudos sobre a NS5 e mais oportunidades para desenvolver medicamentos contra o zika”, disse Hai. Eles contam que a NS5 ZIKV tem uma semelhança estrutural com proteínas de outros flavivírus. “Sem dúvida, o tratamento de zika pode se beneficiar do conhecimento que já foi adquirido no caso da dengue”, completou.

Febre amarela tem cartilha para orientar sobre vacinação de crianças

28/03/2017

febre amarela recomendada (Foto: bom dia brasil )

Fonte: G1

A Sociedade Brasileira de Pediatria iniciou uma ofensiva para tirar todas das dúvidas sobre a vacina da febre amarela.

Um novo manual para orientar médicos e pacientes sobre quem deve ser vacinado e quem não deve. Desde que a doença reapareceu, já são quase 500 casos confirmados e 162 mortes. Para o pequeno Nicolas, de oito anos, a vacina da febre amarela não é novidade. Ele já tomou a primeira dose e sabe quando será a próxima.

Nicolas: Só daqui a dez anos.
Bom Dia Brasil: Você já está sabendo tudo. Quem te explicou, a mamãe, o pai ou médico?
Nicolas: A minha mãe.

Há muito tempo que o medo da febre amarela tinha desaparecido de cidades como o Rio. Mas com a doença chegando em regiões tão próximas, a preocupação voltou e também a necessidade de informação, principalmente em relação à imunização de crianças. Por isso a Sociedade Brasileira de Pediatria decidiu criar um manual para tirar todas as dúvidas. O documento será distribuído aos médicos para auxiliar a orientação clínica.

Uma das dúvidas mais frequentes é sobre quantas doses as crianças devem tomar e o período de vacinação.

A Viviane ainda não sabe se a filha Sofia deve ser imunizada. “Dizem que criança abaixo de dois anos não toma, é verdade isso?” quis saber Viviane.

As crianças só devem ser vacinadas a partir de nove meses de vida. Antes disso, os anticorpos repassados pela mãe na amamentação podem provocar reações à vacina.

A Adriana procurou o pediatra e agora sabe que o filho ainda não pode ser vacinado. “Vai ter que aguardar o tempo, porque ele só tem dois meses”, disse ela.

A orientação geral para todas as idades é de duas únicas doses ao longo da vida com um intervalo de dez anos. Mas as crianças com mais de nove meses que ainda não tomaram a vacina podem – geralmente até os cinco anos de idade – receber as duas doses em um período de apenas um mês. E isso já garante a imunização para a vida toda.

As mães que estão amamentando também não podem ser vacinadas. E não é verdade que tomar mais de duas vacinas garante mais proteção.

Assim como para os adultos, para as crianças também existem alguns casos específicos em que a vacina não deve ser aplicada, como alergia a ovo, baixa imunidade e tratamento de doenças graves, como o câncer.

Os médicos decidiram divulgar as informações porque estavam surgindo muitas dúvidas dos pais em redes sociais.

“Eu vi algumas postagens em que eles falaram que tinha alguma reação, a minha dúvida é se tem alguma reação”, disse Mariana.

O médico Marcos Lago, da Sociedade Brasileira de Pediatria, esclarece que reações fracas, como mal-estar e febre, podem, sim, acontecer. Mas são muito raras e geralmente sem consequências. “Essa é uma vacina segura, ela já existe há mais de 40 anos, então é uma vacina com pouquíssimo efeito colateral, as mães podem ter confiança, os efeitos colaterais são extremamente raros e o custo-benefício é muito mais favorável à criança do que os efeitos colaterais da vacina”, explicou o especialista.

A Mariana estava com uma dúvida durante a entrevista. E a filha Isabela, de cinco anos, soprou no ouvido e ajudou a esclarecer.  “O bebê é a partir de nove meses, ela sabe mais do que eu”, diz a mãe.

“É por causa que a minha tinha falou que a partir dos nove meses ele vai ter que tomar a vacina da febre amarela”, completou Isabela.

Oportunidade de bolsa

17/03/2017
tags: ,
Resultado de imagem para Instituto Tecnológico da Vale para Desenvolvimento Sustentável
Fonte: Vale
O Instituto Tecnológico da Vale para Desenvolvimento Sustentável – ITV DS, localizado em  Belém, Pará, está com uma vaga para pós-doutor junto ao grupo de pesquisa em Genômica Ambiental a ser preenchido por uma das duas áreas:
• Bioinformática (Aprendizado de Máquinas, Visualização Computacional, Computação de Alto Desempenho, Algoritmos)
• Doutorado em Bioinformática, Estatística ou Ciência da Computação
• Genômica (sequenciamento genômico de plantas e invertebrados, RNASeq, metagenômica)
• Doutorado em genética, bioquímica, ou áreas afins com experiência na montagem de bibliotecas e sequenciamento NGS.

Malária: evento na Fiocruz debate resistência a medicamento

17/03/2017

150622 - Malária

Fonte: Fiocruz

A resistência à artemisinina, principal droga utilizada para tratar a malária, é um dos principais pontos que serão debatidos no seminário Clinical tropical medicine and antimalarial resistance on Thailand, evento promovido pelo Laboratório de Doenças Febris Agudas do INI, em parceria com o Centro de Pesquisas, Diagnóstico e Treinamento em Malária (CPD-Mal/Fiocruz). A atividade está marcada para o dia 20 de março, a partir das 14h30, no Auditório do Pavilhão de Ensino do INI e é aberta a todos os interessados.

O infectologista e pesquisador do INI, André Siqueira, explicou que os palestrantes convidados trabalharam em clínicas de doenças tropicais, com foco na avaliação do tratamento da malária. “É um grupo com bastante produção científica e que que auxilia nas políticas públicas regionais e também com a Organização Mundial de Saúde. Estamos estabelecendo uma parceria nessa área com eles e o objetivo deste evento é fazer uma apresentação da situação na Tailândia, que tem muita semelhança com o Brasil”.

Participarão do evento, como expositores, a professora Sasithon Pukrittayakamee, da Mahidol University/Tailândia, o professor Charlie Woodrow, da Mahidol Oxford Tropical Medicine Research Unit (MORU) e Georgina Humphryes, da Worldwide Antimalarial Research Network (WWARN).

Pesquisa divulgada em 2016 no periódico New England Journal of Medicine constatou que a resistência da malária à artemisinina cresceu em regiões da Ásia e da África. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária afetou 214 milhões de pessoas no mundo, em 2015, e deixou 438 mil mortos, a maioria delas crianças na África subsaariana.

Fiocruz contribui para esclarecimento de casos de febre amarela

09/03/2017

Exame de diagnóstico para febre amarela

Fonte: Fiocruz

A confirmação laboratorial dos casos de febre amarela, tanto em pacientes como em primatas, é fundamental não apenas para orientar o tratamento da doença, mas também para a vigilância da circulação do vírus e adoção de medidas de controle através da vacinação. Referência Regional para febre amarela junto ao Ministério da Saúde, o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) atua regularmente desde a década de 1990 no diagnóstico laboratorial de amostras de pacientes com suspeita da doença provenientes dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Também realiza análises de amostras de primatas desde 2014. Além disso, com o aumento do número de casos suspeitos desde o início do ano, o laboratório também foi designado pelo Ministério da Saúde para processar amostras do Ceará e Rio Grande do Norte.

“Sempre prontos para contribuir com respostas rápidas nas emergências de saúde pública no país, estamos considerando essa situação como prioridade. Temos recebido amostras de casos suspeitos de infecção em humanos, além de material relativo a primatas não humanos. Estamos analisando as amostras de forma rápida e com o cuidado necessário, para permitir que as medidas de controle da doença possam ser adotadas imediatamente pelas autoridades”, pontua a virologista Ana Maria Bispo de Filippis, chefe do Laboratório de Flavivírus.

O diagnóstico
Considerando que a febre amarela é uma doença grave, mas que é possível prevenir a infecção por meio da vacinação, torna-se necessária uma resposta rápida tanto do diagnóstico laboratorial quanto das medidas de bloqueio. Quando uma amostra chega ao Laboratório, diferentes metodologias podem ser adotadas para confirmar se o caso é de febre amarela. O método escolhido depende do momento da doença em que as amostras são coletadas. Para diagnóstico de casos agudos da febre amarela, até sete dias após o início dos sintomas, é usada a técnica de PCR em tempo real para a detecção do material genético do vírus a partir de fluidos e tecidos (tanto amostras de tecido frescas quanto amostras de tecido embebidas em blocos de parafina). O Laboratório foi o primeiro no Brasil a utilizar métodos moleculares no diagnóstico de febre amarela, no ano 2000 – até então, o método de diagnóstico utilizado no país para confirmação de casos agudos ou óbitos era limitado à técnica de isolamento viral, que tem procedimentos mais demorados, podendo levar em média até 14 dias para liberação do resultado. Outra metodologia adotada para o diagnóstico são os testes sorológicos, que identificam a presença de anticorpos contra o vírus produzidos pelo organismo do paciente em resposta à infecção. No caso dos testes sorológicos, eles não são indicados para o diagnóstico da fase aguda da doença, mas apenas a partir do sexto dia após o início dos sintomas ou após o final dos sintomas, permitindo dizer se o paciente foi infectado anteriormente.

Devido ao risco da presença de outros patógenos que possam representar uma ameaça à saúde humana, as amostras de primatas não humanos são processadas em laboratório de nível de biossegurança 3. Nos casos de óbito de humanos ou primatas, o diagnóstico pode adotar testes de histopalogia e imunohistoquímica, que usam amostras de tecidos acondicionadas em uma substância chamada formalina. Nessa situação, as amostras são analisadas pelo Serviço de Anatomia Patológica do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Desafios

O fato de o vírus da febre amarela pertencer ao mesmo gênero do vírus da dengue, conhecido como gênero Flavivirus, representa um desafio a mais para o diagnóstico. Uma vez que os anticorpos produzidos pelo organismo contra os vírus da febre amarela, dengue e outros vírus do mesmo gênero possuem algumas semelhanças – eles têm alguns sítios antigênicos em comum –, os testes sorológicos podem apresentar uma reação cruzada. Isso significa que, durante o exame, anticorpos contra o vírus da febre amarela podem reagir com o vírus dengue, indicando um resultado falso positivo. Para minimizar esse problema, todas as amostras são testadas em paralelo para os dois vírus, tanto o da febre amarela como o da dengue. No caso de resposta imune cruzada, o resultado para febre amarela pode ser confirmado considerando o título de anticorpos, que deve ser, pelo menos, três vezes maior para este vírus do que para o vírus da dengue. Também são levadas em consideração as informações clínicas e epidemiológicas do paciente.

Considerando a função de pesquisa desempenhada pelos centros de referência, os pesquisadores do Laboratório de Flavivírus também têm a responsabilidade de monitorar os genótipos dos vírus da febre amarela circulantes, através do sequenciamento parcial ou total do genoma dos vírus detectados durante surtos. “Além de identificar qual o genótipo associado aos casos, analisamos a presença ou não de mudanças no genoma do vírus. A caracterização molecular é importante para entender a disseminação e o impacto da doença na população”, explica a virologista.