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Butantan testa vacina contra dengue em 1,2 mil pessoas

18/08/2016

151008 - Mosquito Dengue

Fonte: Portal Brasil

Os testes em humanos da primeira vacina brasileira contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, começaram nesta quarta-feira (17) na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Cerca de 1,2 mil pessoas de 18 a 59 anos devem participar do estudo na unidade. Essa é a terceira e última etapa de testes antes de a vacina ser submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Caso seja aprovada, a vacina será produzida em larga escala pelo Butantan e disponibilizada para campanhas de imunização em massa na rede pública de saúde em todo o Brasil. Os voluntários do teste serão selecionados por meio do programa Estratégia de Saúde da Família, da Santa Casa.

Nesta fase, os testes procuram comprovar a eficácia da vacina e já estão em andamento em Manaus, Boa Vista e Porto Velho, na Região Norte; em dois centros no Estado de São Paulo (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), em um centro de pesquisas de Fortaleza e em Porto Alegre, totalizando 14 instituições de pesquisa credenciadas pelo Butantan.

Ao todo, serão 17 mil voluntários em 13 cidades do Brasil. Os selecionados são pessoas saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida e que se enquadrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos. O acompanhamento é feito pela equipe médica responsável pelo estudo por um período de cinco anos para verificar a duração da proteção oferecida pela vacina.

Tetravalente

A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), é produzida com vírus vivos, mas geneticamente enfraquecidos.

“Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas, como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença. A vacina deve proteger contra os quatro sorotipos da dengue com uma única dose”, explicou o diretor do Butantan, Jorge Kalil.

Dados disponíveis até o momento mostram que a vacina é segura e induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro subtipos do vírus, sendo potencialmente eficaz.

“A dengue é uma doença endêmica no Brasil e em mais de cem países. A vacina brasileira produzida pelo Butantan, um centro estadual de excelência reconhecido internacionalmente, será certamente uma importante arma de prevenção, protegendo nossa população contra a doença e suas complicações”, disse o secretário estadual de Saúde de São Paulo, David Uip.

Estudo mostra como o vírus zika atinge bebês na placenta

18/08/2016

160818 - Bebe microcefalia

Fonte: O Globo

Pesquisadores americanos anunciaram ter descoberto como o vírus zika é transmitido da mãe para o bebê durante a gestação. A descoberta abre caminho para compreender e potencialmente evitar as mais devastadoras consequências da infecção pelo zika: as profundas lesões cerebrais no feto em desenvolvimento que levam à microcefalia e outras alterações incapacitantes, algumas delas, letais.O grupo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, conseguiu reproduzir em laboratório o processo de infecção da células da placenta humana. Publicada na edição desta semana da revista científica “JCI Insight”, a pesquisa lança luz nas armas usadas contra o zika para vencer a chamada barreira materno-fetal, uma camada de células que protege o feto de micro-organismos e substâncias nocivas.

Alguns vírus, como os da rubéola e o citomegalovírus, conseguem atravessar essa barreira. Mas os mecanismos empregados pelo zika permaneciam misteriosos. Liderada por Erol Fikrig, a equipe de Yale trabalhou com três diferentes linhagens de zika, dentre elas a brasileira.

Também realizaram testes em três tipos de células da placenta: fibroblastos, citotrofoblastos e células de Hofbauer. As células foram extraídas de placentas humanas doadas logo após o parto, de gestações sem nenhum tipo de complicação.

Dois tipos de células se mostraram indefesos contra o ataque do zika. Tanto fibroblastos quanto células de Hofbauer foram facilmente infectados em culturas de laboratório. Porém, as células de Hofbauer também são alvo dentro de todo o tecido placentário.

A aposta dos cientistas é que essas células funcionem como usina de replicação do zika. O achado é particularmente alarmante porque essas células podem migrar por toda a placenta e são transportadas para o feto.

— Essas células são específicas da placenta. Vimos que podem funcionar como um reservatório para a produção do zika — disse Kellie Ann Jurado, uma das autoras do estudo.

A suspeita do grupo de pesquisa é que as células de Hofbauer levem o zika diretamente para o cérebro do bebê. Os cientistas agora começam a testar formas de bloquear a produção do vírus dentro dessas células e interromper sua circulação pela placenta. Bloquear somente as células é impossível porque são importantes durante a gestação. O desafio é desativar os mecanismos de ação do vírus sem prejudicar o feto.

Risco de propagação do vírus da zika devido à Olimpíada é baixo, diz OMS

11/08/2016

160811 - olimpiada

Fonte: G1

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o risco de propagação do vírus da zika devido à Olimpíada no Rio é “muito baixo”, em painel realizado nesta terça-feira (14), em Genebra, na Suíça.

Segundo a organização, a transmissão local do vírus da zika e da dengue será mínima durante o inverno no Brasil. “Os riscos não são diferentes para pessoas que irão para a Olimpíada do que para qualquer outra área onde há surtos de zika”, disse David Heymann, presidente do comitê de especialistas da OMS.

A comissão reafirmou que não deve haver restrições gerais para viagens e comércio entre países e/ou territórios onde há transmissão geral com maior incidência do vírus, incluindo o Brasil.

A recomendação para que grávidas não vão aos Jogos foi mantida. Outro pedido mantido pela comissão é para que seja feito sexo seguro com parceiros que visitaram regiões afetadas pelo vírus.

Os turistas que foram para áreas de risco do vírus da zika devem ser aconselhados sobre as datas de maior risco e quais devem ser as medidas adequedas para reduzir a possibilidade de exposição ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti.

A OMS lembrou também a possibilidade de transmissão sexual e reafirmou a necessidade da prática de sexo seguro para quem for viajar.

Apesar da análise de baixo risco de propagação devido aos Jogos do Rio, a OMS informou que é sabido que o vírus pode se espalhar internacionalmente e estabelecer novas formas de transmissão.

A microcefalia e a zika foram mantidas como emergência de saúde internacional, alerta já definido desde a última conferência da organização.

Desconvidados para o comitê
Antes desse painel, mais de 150 cientistas de 28 países pediram à OMS que a Olimpíada do Rio fosse adiada ou transferida para outro lugar. Em carta aberta, eles afirmaram que a exposição de atletas e turistas ao vírus da zika no Brasil poderia pôr em risco a saúde global.

Entre os especialistas que assinaram a carta aberta estão médicos da Fiocruz e das universidades mais renomadas dos Estados Unidos, como Harvard e Colúmbia.

Após receber um convite oficial da OMS para participar do comitê emergencial com o objetivo de discutir problemas neurológicos ligados ao vírus da zika, porta-vozes do grupo que reúne pesquisadores alegam terem sido “desconvidados” pela organização.

Após o convite para o evento, feito em nome da diretora-geral da OMS, Margareth Chan, o professor canadense Amir Attaran pergunta se a participação garante status de membro ou consultor do comitê.

“Poder dialogar é interessante”, diz Attaram na conversa com a OMS. “Mas se a ideia for simplesmente ouvir, aí fica menos interessante. A carta aberta enviada à organização e cobertura da mídia já fazem isso.”

Riscos
A discordância na comunidade científica ganhou corpo no último dia 27, quando o grupo de especialistas em saúde, direito, bioética e esportes enviou carta aberta à OMS afirmando que a manutenção dos jogos no Rio seria “antiética”.

“Um risco desnecessário é colocado quando 500 mil turistas estrangeiros de todos os países acompanham os Jogos, potencialmente adquirem o vírus e voltam para a casa, podendo torna-lo endêmico”, dizia o texto.

O principal risco, na avaliação dos pesquisadores, seria que atletas contraíssem a doença e voltassem para suas casas em países pobres que ainda não foram afetados pelo surto da doença.

Contraponto
Na última quinta-feira, o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que o posicionamento dos cientistas é um “exagero”.

“Há um excesso de zelo. A doença já está presente em 60 países. Não será a Olimpíada que vai propagar a doença”, afirmou.

Segundo a OMS, 57 países registraram casos de zika em todo o mundo. Mas em apenas oito – Brasil, Colômbia, Martinica, Panamá, Polinésia Francesa (França), Cabo Verde, Eslovênia e Estados Unidos – foram identificados casos de microcefalia e outras malformações fetais “potencialmente associados” à zika.

O grupo de cientistas internacionais alega que as posições do governo brasileiro e da OMS são “perigosas”.

“A linhagem do vírus no Brasil é distinta da maioria destes 60 países”, disse à reportagem o professor canadense Amir Attaran.

“Digamos que estivéssemos em 1918 e eu dissesse que estou muito preocupado com a gripe espanhola. Aí uma organização importante de saúde diz que não devo me preocupar porque o vírus da gripe já existe em vários países. Entende a metáfora?”.

O professor Attaran afirma ainda que questões de saúde pública precisam ser separadas de interesses econômicos.

“De um lado temos a importância econômica dos jogos para o Brasil e o dinheiro que já foi investido nisso. De outro, temos crianças nascendo com problemas cerebrais. Se eles quiserem priorizar o dinheiro, está bem, mas que sejam completamente abertos e transparentes nisso”.

 

Nova armadilha antimosquitos reduz casos de malária em 30%

11/08/2016

160811 - Mosquito no jardim

Fonte: Isto É

Cientistas holandeses e quenianos criaram uma armadilha que atrai com cheiros humanos os mosquitos portadores da malária e que já está ajudando a diminuir os casos desta doença, segundo um relatório publicado na quarta-feira pela revista científica The Lancet.

Estas iscas de cheiro sintético permitiram capturar até 70% da população local de mosquitos portadores da malária e diminuir em 30% os casos nos lares que as utilizam.

O estudo foi realizado durante três anos na ilha queniana de Rusinga, no Lago Vitória, com a participação dos seus 25.000 habitantes.

As armadilhas, colocadas do lado de fora das casas, funcionam com energia produzida por painéis solares que foram instalados para o estudo. A população contou também com a proteção de mosquiteiras e com a distribuição de remédios antimalária.

“A armadilha olorosa também pode oferecer uma solução para doenças como a dengue e a zika”, que são contraídas através da picada de mosquitos, disse em um comunicado a universidade holandesa de Wageningen.

Participaram também do estudo o Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia queniano e o Instituto Tropical e de Saúde Pública suíço.

A nova invenção reduz, ainda, a necessidade de recorrer a outros produtos químicos para controlar a população de mosquitos.

“Lutar contra a malária sem inseticidas é meu grande sonho”, declarou Willem Takken, da Universidade de Wageningen.

Segundo a universidade holandesa, “a cada minuto, uma criança morre de malária” e esta doença “custa à África 12 bilhões de dólares por ano” em gastos de saúde e perda de produção.

Atualmente, não existe nenhuma vacina contra a malária, uma doença que em 2015 matou 438.000 pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

6 respostas sobre a nova vacina contra a dengue

04/08/2016

160802 - Injeção no braço

Fonte: Revista Exame

São Paulo – A primeira vacina contra a dengue finalmente pode chegar às suas mãos, ou melhor, aos seus braços. Criada pelo laboratório Sanofi Pasteur, ela começou a ser comercializada na última terça-feira. Trazemos seis respostas para que você entenda melhor o medicamento.

Poder de proteção

Segundo estudo publicado no New England Journal of Medicine, a vacina funcionou em 93% dos casos graves da doença e reduziu em 80% as internações. A eficácia global ficou nos 66% dos casos. Foram mais de duas décadas de pesquisas e o desenvolvimento de 25 estudos clínicos em 15 países. Cerca de 30 mil voluntários (3,5 mil no Brasil) tomaram doses da vacina durante três fases de pesquisa clínica.

Como deve ser tomada

A vacina é divida em três doses – uma a cada seis meses. De acordo com Sheila Homsani, diretora médica do laboratório Sanofi Pasteur, essa divisão é necessária pois a primeira dose ativa os anticorpos, mas nem sempre é suficiente para a proteção.

O medicamento tem poder de proteção contra os quatro tipos de vírus da dengue e usa parte da estrutura do vírus da febre amarela para a imunização. Por isso, ele pode causar efeitos colaterais como dores de cabeça, febre e indisposição.

Quanto custa

O preço médio de cada dose do tratamento deve ficar entre 132 e 138 reais, dependendo do ICMS adotado em cada estado. O preço para o consumidor, no entanto, aumenta devido aos gastos das clínicas que farão a aplicação e o armazenamento. O pediatra José Geraldo Ribeiro estima que a vacina sairá por, no mínimo, 250 reais a dose. Assim, o tratamento completo deve custar cerca de 750 reais.

Quem pode tomar

A vacina é indicada para pacientes entre nove e 45 anos. Segundo o estudo, a eficácia global da vacina é de 66% em pacientes entre os nove e os 45 anos. Em comparação, apenas 44,6% dos participantes com idade inferior aos nove anos ficaram protegidos contra a doença.

Outro grupo que pode se beneficiar é aquele que já foi infectado pelo vírus da dengue. Rosa Richtmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas explica que os testes feitos no estudo mostraram maior efeito com esse tipo de paciente. Além disso, quatro em cada cinco voluntários brasileiros apresentaram sorologia positiva para dengue. Isso não significa que eles tiveram sintomas da doença, mas que já foram infectados pelo vírus. Para a infectologista, esse é um sinal de que a vacina pode ter bons resultados na população brasileira.

A imunização contra a dengue ainda não é recomendada para grávidas, lactantes e pessoas com doenças imunológicas.

Protege contra zika e chikungunya?

Apesar de também transmitidas pelo Aedes aegyptizika e a chikungunya têm vírus com estruturas diferentes. De acordo com Rosa Richtmann, ainda é cedo para afirmar que a vacina pode funcionar contra essas doenças.

O laboratório está utilizando os estudos da vacina da dengue para criar possíveis vacinas contra zika e chikungunya. “Já começamos as pesquisas e pretendemos iniciar a fase clínica no ano que vem”, conta a diretora médica Sheila Homsani.

Quando chega à rede púbica?

Até agora, apenas o Paraná adquiriu a vacina, foram 500 mil unidades. Um estudomostrou que a dengue custa 164 milhões de dólares por ano aos cofres públicos. Quando levada em consideração que para cada caso registrado podem existir outros dois ou três não reportados, esse gasto vai para 447 milhões de dólares por ano.

Gastar com a vacina, implicaria economia com gastos no Sistema Único de Saúde (SUS). “Quanto mais pessoas vacinadas, menor é a circulação do vírus e, consequentemente, a chance de as pessoas ficarem doentes”, disse Homsani.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, nos últimos 50 anos, a dengue aumentou em 30 vezes e se tornou endêmica em 128 países. A doença atingiu o ápice em 2015, quando o Brasil teve uma das piores epidemias da história, com 1,6 milhão de casos.

Identificada substância-chave para o tratamento da leishmaniose visceral

04/08/2016

160802 - Planeta Universitário
Fonte: Planeta Universitário

Um estudo publicado na revista Infection and Immunity mostrou que estimular a produção de interleucina 17 A (IL-17A) – uma das citocinas liberadas por células do sistema imune – pode ser uma estratégia eficaz no tratamento da leishmaniose visceral, considerada uma das seis parasitoses mais importantes em humanos. A pesquisa vem sendo conduzida no âmbito do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP e é coordenada por João Santana da Silva, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).


Segundo os resultados descritos por pesquisadores da FMRP-USP e colaboradores, a elevação dos níveis de IL-17A no organismo infectado não só ajuda a reduzir a carga parasitária como também protege os órgãos contra lesões provocadas pela resposta inflamatória exacerbada – algo comum nesses casos.

“Esses achados abrem caminho para novas estratégias terapêuticas. Podemos pensar tanto no desenvolvimento de drogas que estimulem diretamente a produção de IL-17A como também de fármacos capazes de neutralizar a ação da interleucina 27 (IL-27), uma outra citocina liberada por células de defesa que regula negativamente [inibe] a síntese de IL-17A”, explicou Santana da Silva).

Os resultados dos experimentos com camundongos foram apresentados por Santana da Silva durante a programação do evento “FAPESP/EU-LIFE Symposium on Cancer Genomics, Inflammation & Immunity”, que teve como objetivo fomentar a colaboração entre cientistas do Estado de São Paulo e da Europa.

O grupo usou no estudo parasitos da espécie Leishmania infantum, transmitido para o homem por meio da picada de insetos – sobretudo os da espécie Lutzomyia longipalpis, popularmente conhecida como mosquito-palha.

“Assim que o parasito entra no organismo, uma tempestade de citocinas é desencadeada. O sucesso no controle da infecção depende de quais substâncias são produzidas pelo sistema imune. Alguns indivíduos se mostram resistentes, outros suscetíveis. E mesmo os resistentes podem desenvolver lesões nos órgãos em decorrência da resposta inflamatória”, explicou Santana da Silva.

Em indivíduos suscetíveis, o protozoário se dissemina para o fígado, baço, medula óssea e linfonodos, causando inchaço e inflamação nos órgãos, além de anemia, febre e imunossupressão. Sem tratamento, a doença pode evoluir para óbito em mais de 90% dos casos.

De acordo com o pesquisador, ainda não se compreende porque alguns indivíduos são resistentes e outros, às vezes da mesma família, sucumbem ao parasito.

Dados da literatura científica indicam a importância de uma resposta imune mediada pela citocina interferon gamma (IFNγ) para a eliminação do protozoário.

Os novos achados do grupo de Ribeirão Preto revelam que, se além de IFNγ houver produção de IL-17A em quantidades adequadas, é possível eliminar o parasita sem causar lesões aos tecidos do organismo. Isso acontece porque a citocina IL-17A atrai para o local da infecção um tipo de célula de defesa conhecido como neutrófilo, capaz de fagocitar patógenos e células doentes. Em consequência da redução da carga parasitária, diminui a produção de citocinas que podem lesar o tecido, como IFNγ.

Objetivos

“Queríamos entender nesse trabalho o que modula a liberação de IL-17A. Desconfiávamos que um dos fatores reguladores era a IL-27 e comprovamos que sim. Nos ensaios com camundongos, investigamos quais receptores reconhecem o parasito e posteriormente produzem IL-27, que posteriormente induz a cascata de reações que leva à inibição de IL-17A”, contou o pesquisador.

Em um dos experimentos, um grupo de roedores teve silenciado o gene codificador da Ebi3 – uma das proteínas-chave para a função da IL-27 e também de outra citocina chamada interleucina 35 (IL-35). Esses animais modificados, portanto, não tinham nem a IL-27 e nem a IL-35 atuantes.

Os pesquisadores então compararam a resposta à infecção pelo L. infantum nesses animais sem Ebi3 e em outro grupo de animais “selvagens”, ou seja, sem alteração genética.

No primeiro grupo, houve uma produção maior de IL-17A e uma diminuição nos níveis de IFNγ. Dessa forma, os animais modificados controlaram melhor a infecção do que o grupo controle e não desenvolveram lesão nos órgãos. Análises de citometria de fluxo indicaram uma quantidade duas vezes maior de neutrófilos no baço e no fígado dos animais sem Ebi3.

“Em seguida, repetimos o mesmo experimento só que, desta vez, demos um anticorpo que neutraliza a IL-17A no grupo de roedores sem Ebi3. Observamos que, neutralizando essa citocina, a resposta imune nos dois grupos tornou-se parecida. A carga parasitária e o inchaço nos órgãos do grupo sem Ebi3 ficou equivalente ao dos animais controle e o número de neutrófilos nos órgãos não duplicou. Esse resultado confirma, portanto, a importância da IL-17A”, comentou Santana da Silva.

Segundo o pesquisador, estratégias terapêuticas baseadas em estimular a produção dessa citocina podem ser estudadas também para o combate da leishmaniose cutânea, causada pelas espécies L. amazonensis, L. guyanensis e L. braziliensis. Nesse caso, o vetor também é o mosquito-palha, mas as lesões resultantes da resposta inflamatória afetam a pele, podendo causar deformações.

Próximos passos

Para tentar compreender os fatores genéticos que determinam a progressão da leishmaniose visceral, o grupo da USP sequenciou o genoma de pacientes resistentes e suscetíveis e realiza no momento análises comparativas em busca de genes diferencialmente expressos.

O grupo também investiga as bactérias presentes nas lesões agudas, para descobrir se influenciam de alguma forma a resposta do sistema imune.

Além da L. infantum, a leishmaniose visceral também pode ser causada pela espécie L. donovani. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), são estimados 300 mil novos casos por ano no mundo e cerca de 20 mil mortes.

Até recentemente, era caracterizada como doença de caráter eminentemente rural, mas vem se expandindo para áreas urbanas de médio e grande porte e se tornou um crescente problema de saúde pública no Brasil e em outras regiões americanas.

Hoje, as drogas mais usadas no tratamento são os antimoniais pentavalentes, que causam fortes efeitos colaterais adversos e são administrados por via endovenosa. Em segundo lugar, está a anfotericina B, cujo principal inconveniente é o alto preço. Mesmo com o tratamento as recidivas são comuns.

O artigo Interleukin-27 (IL-27) Mediates Susceptibility to Visceral Leishmaniasis by Suppressing the IL-17–Neutrophil Response (doi: 10.1128/IAI.00283-16), pode ser lido emiai.asm.org/content/early/2016/05/24/IAI.00283-16.long.

Portal agrupa informações científicas gratuitas sobre Zika Vírus em português

22/07/2016

160722 - Mosquito na pele

Fonte: ParanaShop

Iniciativa da Elsevier colabora com gestores de políticas públicas e profissionais da saúde no Brasil e auxilia no entendimento da infecção e da preocupação com a propagação durante os Jogos Olímpicos.

A Elsevier, uma das mais conceituadas provedoras de conteúdo nas áreas de Ciência, Tecnologia e Saúde do mundo, disponibiliza um Resource Center gratuito com informações sobre o Zika Vírus (http://zika-virus-resource-center.elsevier.com.br/). O portal reúne (em português e espanhol) todo material científico publicado no mundo sobre o assunto.

A iniciativa da empresa tem como objetivo auxiliar a comunidade científica, profissionais da área de saúde e a população em geral a se prevenir e a combater a contaminação, que pode crescer em decorrência dos Jogos Olímpicos.

De acordo com a companhia, a maioria dos conteúdos científicos sobre o tema tem acesso restrito a assinantes. “A iniciativa faz parte de um esforço da empresa para facilitar o acesso à informação, unificando tudo o que é publicado sobre a doença em nossas plataformas e disponibilizando gratuitamente”, explica Claudio Della Nina, diretor da Elsevier Brasil.

O Resource Center Zika Virus da Elsevier disponibiliza gratuitamente os conteúdos publicados nas revistas The Lancet e nas plataformas digitais ScienceDirect, ClinicalKey, Mendeley, Scopus e SciVal, reconhecidas mundialmente, porém pagas. O conteúdo apresentado no portal é desenvolvido por pesquisadores e médicos profissionais da área da saúde de diversos países e atualizado com as mais recentes e abrangentes pesquisas e informações baseadas em evidências.

Sobre a Elsevier
Com 40 anos no Brasil, a Elsevier é líder mundial em soluções de informação e conteúdo que apoiam a educação superior e profissional, melhoram o atendimento hospitalar e auxiliam descobertas inovadoras em ciência, tecnologia e saúde, por meio do conhecimento que capacita aqueles que o utilizam. Fornece soluções digitais online, tais como ClinicalKey, e-volution, Student Consult e Expert Consult, ScienceDirect, Scopus, entre outras. Também publica mundialmente mais de 33.000 títulos de livros e 2.500 edições de revistas científicas.