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Lei define Dia Nacional da Vigilância Sanitária

03/02/2015

Fonte: Portal Brasil

A Vigilância Sanitária ganhou um dia especial de comemorações: 5 de agosto. A data foi definida pela Lei 13.098, de 27 de janeiro de 2015, publicada nessa quarta-feira (28) no Diário Oficial da União.

A norma prevê que o dia seja marcado por atividades que promovam a conscientização da população, proporcionando esclarecimentos sobre temas relacionados à vigilância sanitária para estudantes, profissionais de saúde e demais cidadãos.

De acordo com a Lei, essas ações devem envolver o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema de Vigilância Sanitária, em todas as esferas de governo, além de estabelecimentos de ensino.

Sanitarista

O Dia Nacional da Vigilância Sanitária coincide com a data do nascimento de Oswaldo Cruz, maior nome da história da vigilância sanitária no Brasil.

Oswaldo Cruz nasceu no dia 5 de agosto de 1872, em São Luís de Paraitinga (SP). Aos 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Antes de concluir o curso, já publicara dois artigos sobre microbiologia na revista Brasil Médico. Em 1896, especializou-se em Bacteriologia no Instituto Pasteur, em Paris. Na época, o local reunia grandes nomes da ciência.

Ao voltar da Europa, Oswaldo Cruz encontrou o Porto de Santos assolado por violenta epidemia de peste bubônica, e logo se engajou no combate à doença. Em 1903, ele foi nomeado Diretor Geral de Saúde Pública, cargo que corresponde, atualmente, ao de Ministro da Saúde. À época, deflagrou memoráveis campanhas de saneamento. Em poucos meses, a incidência de peste bubônica diminuiu com o extermínio dos ratos, cujas pulgas transmitiam a doença.

Ao combater a febre amarela, no mesmo período, Oswaldo Cruz enfrentou vários problemas. Grande parte dos médicos e da população acreditava que a doença se transmitia pelo contato com as roupas, suor, sangue e secreções de doentes.

No entanto, Oswaldo Cruz tinha uma teoria diferente: o transmissor da febre amarela era um mosquito. Assim, suspendeu as desinfecções, método tradicional no combate à moléstia, e implantou medidas sanitárias para eliminar focos de insetos. Sua atuação provocou violenta reação popular, a Revolta da Vacina.

Oswaldo Cruz acabou vencendo a batalha. Em 1907, a febre amarela estava erradicada do Rio de Janeiro. Assim, o País reconheceu o valor do sanitarista. Oswaldo Cruz ainda reformou o Código Sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do Brasil. Sofrendo de crise de insuficiência renal, morreu a 11 de fevereiro de 1917, com 44 anos.

Integração para o diagnóstico” é o tema central do 49º Congresso da SBPC/ML

29/01/2015

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Fonte: SBPC/ML

Sob o tema central Integração para o diagnóstico serão realizados, de 29 de setembro a 2 de outubro de 2015, em Fortaleza, o 49º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e o 1º Congresso Brasileiro de Informática Laboratorial. O local é o Centro de Eventos do Ceará.

“A escolha deste tema reflete a visão atual da medicina laboratorial, na qual a integração com os clínicos e especialistas se faz prioritária em nossa prática. A medicina laboratorial não existe sem a interação com o médico assistente do paciente, pois não podemos separar o que separado não existe”, explica o presidente do 49º Congresso, o patologista clínico Tadeu Sobreira, presidente Regional da SBPC/ML no Ceará.

Ele acrescenta que o tema também reflete a crescente integração entre os vários meios diagnósticos, como os exames de imagem e anatomopatológicos, nos chamados laudos integrados.

Tecnologia da informação

Tadeu Sobreira destaca que as diversas modalidades de integração tornam-se possíveis graças ao auxílio e a aplicação dos recursos da tecnologia da informação, fundamental para o bom funcionamento dos laboratórios.

“Isso trouxe a oportunidade de realizarmos o 1º Congresso de Informática Laboratorial, simultaneamente ao 49º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, o que representa um marco nos eventos da SBPC/ML”, afirma.

Simultaneamente aos dois congressos haverá a Exposição Técnico-científica, onde será apresentado o que há de mais moderno no mercado de equipamentos, produtos e serviços para laboratórios clínicos.

4ª Conferência Mundial sobre Integridade Científica convida pesquisadores brasileiros

29/01/2015

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Fonte: SBPC

 A 4th World Conference on Research Integrity se realizará de 31 de maio a 3 de junho, no Rio de Janeiro. Será a primeira vez na América Latina

Pesquisadores de todas as áreas do conhecimento estão sendo convidados para participar da 4ª Conferência Mundial sobre Integridade Científica (4th World Conference on Research Integrity), que se realizará no Brasil neste ano.

O evento, pela primeira vez na América Latina, será no Rio de Janeiro, no Centro de Convenções Windsor Barra, de 31 de maio a 3 de junho.

Sonia Vasconcelos, coordenadora do comitê de organização local da Conferência, informou que, até agora, os inscritos são pesquisadores e gestores de cerca de 120 instituições distribuídas por 43 países. O programa preliminar está disponível no site http://www.wcri2015.org/program.html

Professora adjunta do Programa de Educação, Gestão & Difusão em Biociências (PEGeD) do Instituto de Bioquímica Médica(IBqM) Leopoldo de Meis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sonia observou que os organizadores  da Conferência vêm unindo esforços para que todos os segmentos do sistema brasileiro de ciência e tecnologia – pesquisadores, alunos, educadores, financiadores e gestores – sejam representados no evento.

Sonia destaca que a realização da Conferência no Rio de Janeiro constitui oportunidade única para a comunidade científica brasileira contribuir nos debates que serão travados e se familiarizar com questões contemporâneas sobre a integridade científica, que se traduzem em desafios mais ou menos severos para diferentes sistemas de ciência e tecnologia. No País, a discussão do tema vem sendo acompanhada de algumas ações objetivas, ela argumenta.

Como exemplo dessas ações, a pesquisadora citou o apoio das principais agências de fomento à pesquisa brasileira para a concretização da 4th World Conference on Research Integrity. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) estão ajudando a viabilizar a iniciativa.

Sonia ressaltou o apoio formal desses órgãos, além de vários outros, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), à candidatura do Brasil como sede do evento internacional, o que demonstra o reconhecimento da importância do tema e seus desdobramentos para a atividade de pesquisa no País.

Ela fez questão de frisar o apoio da SBPC nesta etapa da organização. “Estamos ampliando a divulgação do evento e, neste momento, com a importante cooperação da SBPC, Capes e Fapesp.”

Importância da participação nacional

Ao discorrer sobre as possibilidades de contribuição do evento para a ciência brasileira, Sonia disse ser “crucial” a participação de pesquisadores brasileiros, tanto jovens e como seniores, na Conferência.

“O tema é de particular relevância para todos os que desenvolvem ou que estão envolvidos com atividades de pesquisa. Sabemos que hoje há várias práticas de pesquisa sendo revisitadas, releituras de políticas editoriais em curso e novos desafios éticos no contexto da comunicação da ciência.”

No olhar da pesquisadora da UFRJ, a realização da 4th World Conference on Research Integrity no Brasil tem importância estratégica para o país em diversos aspectos. Dentre os quais, os da formação de jovens pesquisadores e de gestão da pesquisa.

“Estamos falando de um tema que vem delineando políticas científicas e de governança da pesquisa nos países que respondem por boa parte da produção acadêmica mundial e que colaboram com o Brasil.”

Comitê de organização da conferência

O comitê local é composto por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e que, nos últimos anos, vêm se envolvendo com o tema “integridade em pesquisa” direta ou indiretamente.  Tal comitê, que inclui alguns membros da ABC, trabalha em parceria com um comitê internacional, http://wcri2015.org/organizing-committee.html, que inclui três participantes do grupo local.

Sonia lembrou que “boa parte desses colegas” vem participando, desde 2010, da organização do Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publication Ethics (BRISPE), cuja 3ª edição foi realizada na Fapesp, em agosto de 2014. Esse evento incluiu uma reunião preparatória sobre a conferência mundial.

A conferência mundial conta com a cooperação de um Comitê Consultivo, do qual fazem parte a presidente da SBPC, Helena Nader, e o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique Brito Cruz. Participam também, entre outros, Charlotte Haug, vice-presidente do Comitê de Ética em Publicações (COPE, na sigla em inglês), e Mark Frankel, diretor do Programa de Responsabilidade Científica e Direitos Humanos da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), além de integrantes de um fórum internacional com cerca de nove mil membros, a maioria editores de periódicos científicos.

(Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência)

FGV e Fiocruz lançam sistema de alerta para monitorar dengue no Rio

27/01/2015

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 Fonte: Jornal do Brasil

A Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EMAp) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançaram, este mês, um sistema de monitoramento em tempo real que vai ajudar no combate à dengue no Rio de Janeiro. Com o objetivo de integrar informações sobre o risco de transmissão da doença, o Info Dengue permitirá saber quais as zonas mais afetadas da cidade, a fim de agilizar as ações de combate à doença.

O sistema é um projeto realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e será implementado na Secretaria de Vigilância em Saúde do Rio, antes de ser oferecido às cidades de Belo Horizonte e Curitiba.

De acordo com o professor da FGV/EMAp e coordenador do projeto, Flávio Codeço, o sistema estava em período de testes desde o final do ano passado e agora foi lançado com funcionamento pleno. “Ele é um sistema de mapeamento do risco de alguém contrair dengue na cidade do Rio de Janeiro e é atualizado semanalmente. É em tempo real, mas tem uma periodicidade de uma semana porque a variação do risco da dengue não é tão rápida e não faria sentido atualizar a cada minuto ou a cada hora”, disse.

Os dados que alimentarão o sistema serão disponibilizados pelas próprias secretarias dos municípios através de relatórios semanais com números de casos notificados por bairro e índices de infestação, além de indicadores climáticos. Codeço explicou que as redes sociais também ajudarão a obter os dados que vão alimentar o sistema.

“O sistema utiliza dados de várias naturezas de casos de dengue que ocorrem na cidade e que são disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde, mas também dados de redes sociais como o Twitter, onde a gente conta as menções e mensagens que falam sobre a dengue, além de informações meteorológicas, onde a gente verifica se as condições climáticas são propícias à reprodução do mosquito. São vários fluxos de informações utilizados na avaliação do risco da dengue na nossa cidade.”

Com o objetivo de indicar as incidências com maior velocidade e tornar mais ágil o processo de tomada de decisão para ações de combate à propagação da doença, o alerta será disponibilizado por meio de um aplicativo, instalado na web e nas salas de controle das prefeituras, e permitirá o rápido acesso a diagnósticos semanais de situação e prognósticos de curta duração.

O coordenador do projeto disse que o financiamento vem da Secretaria de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, em Brasília. Segundo Codeço, o sistema será implementado na Secretaria de Vigilância em Saúde do Rio antes de ser oferecido à outras capitais. “Estamos começando com Rio de Janeiro, mas as próximas cidades serão Belo Horizonte e Curitiba”, ressaltou.

O Mapa de Risco do Info Dengue Rio está disponível na internet.

Três grupos correm para mostrar vacina contra dengue

27/01/2015

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Fonte: Diário da Manhã

Uma novidade alvissareira para os próximos semestres pode ser o anúncio da  venda da vacina contra a dengue. A empresa Sanofi Pasteur já tem em mãos o potencial medicamento e aguarda a liberação e conclusão dos trâmites legais para a divulgação e comercialização, possivelmente no começo de 2016.

A doença é insidiosa. Em Goiás, por exemplo, os casos aumentaram em 480%, conforme a Secretaria Estadual de Saúde. No ano passado, três cidades do Estado lideravam o ranking nacional: Goiânia, Luziânia e Aparecida de Goiânia.

Por isso, uma vacina pode significar multiplicação de recursos para as grandes corporações. Em setembro, a Sanofi divulgou que havia completado a fase três do estudo de eficácia.

Conforme a empresa, os resultados já estariam satisfatórios:  teria ocorrido a redução global de 60,8% dos casos de dengue em crianças e adolescentes (idades entre 9 e 16 anos).

A Sanofi finaliza, neste mês, o conjunto de documentos que será apreciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Existe uma verdadeira corrida para a Sanofi divulgar sua vacina oficialmente, pois outras entidades, caso do Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz, do Brasil, também testam vacinas contra a doença.

“Esta disputa não pode prejudicar a sociedade. Sabemos que existe muita coisa nestes bastidores. E nem sempre temos uma ação nobre por trás de tudo”, afirma o farmacêutico José Carlos de Souza, que pesquisa o impacto do uso de vacinas nas comunidades  de quilombolas

Apesar da Sanofi estar na frente, o Instituto Butantan também segue com o desenvolvimento de seu estudo, com o suporte dos americanos do National Institutes of Health (NIH).

Já estão superadas as fases iniciais clínicas. O problema é que a burocracia no País tende a dificultar a aceleração do uso da vacina americana-brasileira.

A NIH desenvolveu esta vacina, em 2004, mas só agora que o Brasil se mostrou interessado na transferência da tecnologia e passou a reproduzir os estudos.

Ainda mais atrás, está a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Aliada da britânica GlaxoSmithKline (GSK), a Fiocruz tenta sair das primeiras fases da pesquiisa da vacina.

O alento para as concorrentes é que até agora quem está na frente, a Sanofi, apresenta resultados apenas parciais. A vacina não tem a garantia de outras similares, sendo ainda uma especulação. Mesmo assim, ela pode chegar no mercado, induzindo gestões públicas a gastarem milhares de reais nas compras de  medicamentos.

A fase dois do estudo da Sanofi, anterior ao atual, é que chama a atenção:  foi eficaz em 30,2% no estudo realizado com quatro mil crianças da Tailândia.

“É ainda um resultado muito incipiente. Não acreditamos que o fato dela estar na frente agora signifique aprovação”, diz um pesquisador consultado pelo DM, que trabalha em grupo de pesquisa diverso da Sanofi.

Apesar de estar atrás, a GSK tem interesse em investir até o final da pesquisa cerca de R$ 100 milhões na investigação da vacina para a dengue. A Sanofi é hoje a líder de mercado e caso mantenha a atual proposta de vacina deve chegar nas lojas com dois anos de frente – o suficiente para dominar o mercado.

Fungo e cupuaçu: dupla dinâmica contra a leishmaniose

22/01/2015

Fonte: Portal Viaje Aqui

Os fungos do gênero Aspergillus podem ser encontrados em qualquer lugar e se multiplicam com facilidade. Até demais, por sinal: quando se espalham sobre grãos de amendoim, soja ou castanha-do-brasil produzem as famigeradas aflatoxinas, que se ligam ao DNA humano inibindo sua replicação e causando câncer. Os próprios fungos ainda podem causar aspergilose, uma doença das vias respiratórias, e diversos tipos de alergia.

Mas quando cultivados em laboratório e submetidos a processos biotecnológicos devidamente controlados, esses fungos produzem ácido kojico, uma substância de interesse para a indústria de cosméticos e com bons resultados também contra o protozoário Leishmania amazonensis, causador de um tipo de leishmaniose cutânea. Os primeiros testes in vitro e in vivo para esta finalidade foram coordenados pela biomédicaa e doutora em Biofísica, Edilene Oliveira da Silva, da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém.

Os protozoários L. amazonensis são transmitidos pela picada de insetos flebotomídeos. Quando entram no organismo humano estão na fase ativa, chamada de promastigota: são alongados e possuem flagelo, uma espécie de cauda que os impulsiona pela corrente sanguínea até as células de defesa (macrófagos), no interior das quais se alojam. Aí começa a segunda fase do ciclo evolutivo, chamada amastigota: eles ficam ovais, o flagelo é internalizado e não se movimentam.

“No caso específico de L. amazonensis há uma característica importante, que é a inibição da resposta imunológica. Os pacientes aqui da região amazônica desenvolvem um tipo de leishmaniose que não abre a úlcera: eles ficam cheios de nódulos na pele e no interior desses nódulos está cheio de parasitas. Sem um remédio, eles ficam com a Leishmania para o resto da vida”, explica Edilene. Quando ocupa as células hospedeiras, o parasita “desliga” o mecanismo de resposta imunológica para se instalar. Mas o ácido kojico tem efeito imunomodulador e reverte esse processo, reativando as células, o que permite que o corpo se defenda. A substância também tem ação contra a forma intracelular do parasita e provocou redução de 92,1% no número de amastigotas, após 4 semanas de tratamento, com ligeira redução também das lesões.

“Com base nestes resultados, sugerimos o uso do ácido kojico em pomada para passar sobre os nódulos ou ulcerações. E já registramos duas patentes internacionais e uma nacional”, conta a pesquisadora. Mas ainda há muitos testes para fazer antes de desenvolver a pomada. O próximo passo é realizar os ensaios com primatas, para depois então chegar aos testes clínicos e ao desenvolvimento de um produto farmacêutico.

Para testar a eficiência do ácido kojico em roedores, a equipe da UFPA produziu pomadas com vários veículos, incluindo uma à base de triacilglicerois obtidos de sementes de cupuaçu (Theobroma grandiflorum). Surpreendentemente, a pomada acelerou o processo de cicatrização. “Foi um acaso, usamos o cupuaçu por causa dos lipídios, para facilitar a permeabilidade da pele, mas descobrimos que pode ajudar, pois causou aumento impressionante de colágeno, que é importante na cicatrização. Se isso se confirmar em novos testes, pode diminuir o período de tratamento”, comemora Edilene Oliveira.

A equipe da UFPA envolvida nesta pesquisa conta com 3 pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas e 2 da Química, mais um doutorando e um mestrando. Os ensaios foram feitos em colaboração com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Estrutural e Bioimagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (INBEB/UFRJ) e o Laboratório de Microscopia Eletrônica do Instituto Evandro Chagas, de Belém. Os recursos vieram da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), do INBEB e da UFPA.

Agora é torcer para que as patentes não fiquem na gaveta e transformem logo as boas notícias científicas em opção de tratamento para as vítimas de leishmaniose da região amazônica. Existem 7 tipos de leishmaniose na Amazônia brasileira e a pomada de Aspergillus com cupuaçu – se aprovada nos testes – servirá para aliviar o problema de apenas um dos tipos. Mas já é uma excelente notícia para quem hoje só tem tratamentos quimioterápicos, caros, invasivos e lotados de efeitos colaterais.

Crianças podem auxiliar a combater doença de Chagas na Amazônia

22/01/2015

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Fonte: SBMT

O Brasil reduziu drasticamente o número de novos casos anuais de doença de Chagas desde os anos 1970 (de 150 mil para cerca de 200 atualmente). No entanto, as ações de vigilância e controle devem ser intensificadas, principalmente na região Amazônica, onde, devido às dimensões continentais, é impossível borrifar inseticida em todos os locais ou tratar cada portador da enfermidade – geralmente pessoas de baixa renda. Segundo o chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto Oswaldo Cruz, José Rodrigues Coura, a melhor forma de lidar com o tema é a partir da educação.

Dr. Coura, que se define como um “tropicalista” (que trata das doenças que afetam os países tropicais), alerta que correm mais riscos de serem infectados os profissionais que coletam vegetais, principalmente de piaçava, palmeira que tem uma fibra utilizada para fazer vassoura. “O sujeito passa uma boa parte do ano nos piaçavais, onde faz coletas das fibras da planta. Isso porque, na Amazônia, durante seis meses os igarapés secam e não há como as pessoas se locomoverem por barcos, obrigando-as a ficarem seis meses com a família nesses locais”, explica.

Os triatomíneos, transmissores da doença de Chagas, são conhecidos popularmente como barbeiros e se alimentam do sangue de animais silvestres. Como esses animais são utilizados para fonte de proteína para as pessoas que vivem nas regiões dos piaçavais, os insetos acabam migrando da floresta para o ambiente ao redor das residências e até mesmo aos domicílios, aumentando os riscos de contaminação. “Há lugares que têm 11% de indivíduos altamente expostos infectados com T.cruzi”, afirma o médico, acrescentando que a população local já se acostumou a matar o barbeiro como se fosse mosca, não tomando medidas preventivas eficazes.

Como não é possível retirar os trabalhadores e as famílias dos piaçavais, por ser muitas vezes a única forma de sustento, Dr. Coura sugere que sejam adotadas ações educativas, especialmente com as crianças. Ele cita uma experiência, realizada a partir de 1974, que ajudou na erradicação da doença no município de Bambuí, em Minas Gerais. Lá, os professores foram treinados a orientar os alunos a identificarem o barbeiro em casa, guardarem o inseto em caixas de fósforo e, em seguida, levarem à escola. As caixas eram rotuladas e enviadas para exame laboratorial a fim de confirmar o tipo e se a espécie estava realmente contaminada com o parasita causador de Chagas, o Trypanosoma cruzi (T. cruzi). Por último, um guarda sanitário visitava a residência onde o inseto foi encontrado e borrifava inseticida no local.

“Às vezes os adultos, mesmo informados, não tomam atitude. Com a criança é mais simples, pois elas se interessam em ajudar. Menino acha tudo. Como quase todas as comunidades têm uma escola, é preciso treinar os professores de curso básico para orientarem os alunos a procurem focos do barbeiro pela casa”, explica o especialista.

Dr. Coura também sugere a criação de mosquiteiros específicos contra os triatomíneos para serem utilizados nas residências. Ainda segundo o médico, no laboratório em que trabalha, foi elaborado um manual pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para treinar os microscopistas especializados em malária, com o objetivo de identificar o T. cruzi. “Caso seja identificado algum individuo infectado, este deve ser chamado imediatamente para tratamento”, ressalta.

Apesar de casos de migrantes para os Estados Unidos, Europa e outros países da Ásia, a doença de Chagas afeta principalmente moradores de países tropicais. Cerca de 8 milhões de pessoas que vivem na América do Sul, Central e México estão infectadas com o T. cruzi, que causa mais de 12 mil mortes por ano.

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