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UFMG abre concurso para professor na área de protozoologia

15/09/2017
UFMG
O Instituto de Ciências Biológias da Universidade Federal de Minas Gerais, ICB/UFMG, publicou edital do concurso para preenchimento de uma vaga na área de conhecimento de protozoologia.
Outras informações neste link:  https://www.icb.ufmg.br/institucional/concursos/em-andamento/edital-490-2017-professor-adjunto-a-departamento-parasitologia-area-de-conhecimento-protozoologia

Dados do Ministério da Saúde indicam mais mortes por chikungunya do que por dengue em parcial de 2017

15/09/2017

Febre de chikungunya e dengue: transmitidas pelo mesmo vetor

Fonte: R7

Em 2017, o número de mortes por febre de chikungunya é maior do que o número de mortes por dengue no Brasil na última parcial divulgada pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, sobre essas doenças.

Até a 33ª semana epidemiológica, encerrada em 19 de agosto, foram confirmados laboratorialmente 86 óbitos por chikungunya –o maior número em abril (25) e maio (29). Outras 168 mortes estão em investigação e podem ser atribuídas à doença ou não. Em relação à dengue, foram confirmados no mesmo período 83 óbitos –222 estão em investigação e podem ser confirmados ou descartados.

A dengue segue à frente em número de casos: foram registrados 214.990 casos prováveis em 2017, ante 167.813 de chikungunya.

Embora neste ano não haja epidemia de dengue no país como ocorreu em 2016, o que contribui para a redução da quantidade de óbitos, o número de mortes por chikungunya chama a atenção dos especialistas, pois a febre chikungunya até então não era tida como uma doença mortal –as consequências da enfermidade ainda estão em estudo pela ciência.

Os dados do boletim epidemiológico são provisórios, mas ajudam os gestores da saúde nas tomadas de decisões e na orientação da política pública da área.

A febre de chikungunya, a dengue e também a febre pelo vírus Zika são transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti.

Carta Aberta de Búzios – Moção

13/09/2017

XXV CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PARASITOLOGIA – SBP. Em carta aberta, a SBP se manifesta em defesa dos direitos à saúde e proteção social da população.

SBP convida a sociedade brasileira e convoca os gestores e profissionais da saúde comprometidos com o País a se posicionarem pelos direitos humanos, pela proteção social, pela educação pública gratuita, pela ciência e tecnologia nacionais e pelo fortalecimento do SUS.

 

CARTA ABERTA DE BÚZIOS

A Sociedade Brasileira de Parasitologia (SBP), reunida em Búzios, durante o seu XXV congresso, em Carta Aberta à Sociedade, manifesta-se em defesa dos direitos à saúde e proteção social da população brasileira garantidos na Constituição Federal.

A SBP alerta para o retrocesso nas políticas públicas de financiamento à Ciência, Tecnologia e Inovação, na proteção social e ambiental, na saúde do povo brasileiro e que ameaça a soberania nacional. Desta forma a SBP se manifesta contrária aos cortes orçamentários impostos ao MEC e ao MCTIC.

A saúde da população brasileira encontra-se fortemente ameaçada pelo aumento da vulnerabilidade social, em curso no país. As doenças parasitárias que atingem grande parte da população, têm como determinantes principais a pobreza, a fome, a miséria, o desemprego, a violência, a falta de saneamento, consequentes do descaso politico e social.

As politicas implementadas pelo governo atual aprofundam a desigualdade entre as classes sociais e não contribuem para diminuir a dívida histórica da sociedade para com os menos favorecidos. As Universidades, os Institutos de Pesquisa públicos e as políticas de Ciência e Tecnologia precisam das condições, para manter os avanços dos últimos anos, para contribuir no desenvolvimento da soberania nacional.

A SBP convida a sociedade brasileira e convoca os gestores e profissionais da saúde comprometidos com o Brasil a se posicionarem pela defesa dos direitos humanos, pela proteção social, pela educação pública gratuita, pela ciência e tecnologia nacionais e pelo fortalecimento do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Búzios, 05 de setembro de 2017

Pesquisa mostra que parasita que causa malária em macacos pode infectar humanos

05/09/2017

De acordo com a secretaria de Saúde mineira, 65 municípios já confirmaram mortes de macacos por febre amarela (Arquivo/Fábio Massalli)

Fonte: Agência Brasil

Um estudo liderado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que um parasita que causava malária apenas em macacos está relacionado a casos humanos ocorridos na região de Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Publicado hoje (31) na revista científica The Lancet Global Health, o trabalho demonstra que o estado do Rio de Janeiro é o segundo foco encontrado no mundo com transmissão desse tipo de malária. O primeiro local em que o protozoário foi encontrado em humanos foi na Malásia, na Ásia.

Conhecido como Plasmodium simium, o parasita foi responsável pela infecção de 28 pessoas na região de Mata Atlântica fluminense em 2015 e 2016. Enquanto de 2006 a 2014, o Rio registrava média de quatro casos autóctones (locais) de malária por ano, em 2015 e 2016, esse índice subiu para 33 e 16, respectivamente. Com a descoberta, o protozoário torna-se causador do sexto tipo de malária humana. No Brasil, a doença era conhecidamente causada por três espécies do gênero PlasmodiumP. vivaxP. falciparum e P. malariae.

De acordo com o coordenador do estudo, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) a descoberta tem impacto relevante para a saúde pública, por representar uma nova forma de infecção.

“A partir dos dados trazidos por esse estudo, é razoável supor que uma nova modalidade de transmissão, envolvendo macacos, mosquitos prevalentes na região e um parasita diferente do P. vivax encontrado na Amazônia está causando os casos nas regiões da Mata Atlântica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em outros estados”, disse. “No entanto, do ponto de vista da vigilância epidemiológica, os casos de malária que detectamos representam uma parcela mínima dos registros da doença no país. Além disso, todos os pacientes diagnosticados com a infecção apresentaram apenas sintomas leves e se recuperaram rapidamente após o tratamento”, disse Daniel-Ribeiro, que também é coordenador do Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fiocruz.

O tratamento contra malária varia conforme o tipo do protozoário que causa a doença e é feito com medicamentos antimaláricos. O principal sintoma da doença é a febre e pode haver dores de cabeça, no corpo e nas articulalções. O parasita P. falciparum causa o tipo mais grave da malária, é encontrado na Região Amazônica e pode levar até a morte do doente. Segundo o estudo, a malária da Mata Atlântica costuma ter poucos sintomas e raramente é motivo de internação hospitalar.

Além da Fiocruz, colaboraram para o estudo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Goiás (UFG), o Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), o Programa Nacional de Controle e Prevenção da Malária do Ministério da Saúde, além da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, e a Universidade de Nagasaki, no Japão.

Sinal de alerta

A maior prevalência dos casos de malária no país está na Região Amazônica, com índice que supera 99% de todo o registro nacional. Contudo, a crescente constatação de infecções em áreas de Mata Atlântica do Rio despertou a atenção dos especialistas, pois os casos de malária em humanos foram considerados eliminados há cerca de 50 anos na região.

Em quase todos os casos analisados durante as investigações, o diagnóstico inicial apontava pequenas diferenças morfológicas entre o parasita encontrado e o P. vivax, que comumente infecta indivíduos na região amazônica. As análises indicavam uma maior semelhança entre os parasitas fluminenses e descrições anteriores do P. simium na literatura científica.

Ainda não é possível determinar se o parasita adquiriu a capacidade de infecção de seres humanos recentemente ou se a malária zoonótica já infectava seres humanos no local antes da eliminação da doença na região. Para dimensionar a ameaça apresentada pelo P. simium será necessário aprofundar os estudos, informou o pesquisador.

Análise de mais amostras de humanos, primatas e mosquitos deve determinar a área de circulação do parasita. Ele informou que também será preciso investigar se a transmissão do  ocorre apenas a partir dos macacos ou se as pessoas doentes podem apresentar quantidade suficiente desses protozoários no sangue para infectar mosquitos durante a picada e, consequentemente, os insetos contaminarem outros indivíduos.

 

Pesquisador alerta para risco de surgirem novos sorotipos de Zika

05/09/2017

170905 - Mosquito

Fonte: Agência Fapesp

O vírus Zika está se modificando tão rapidamente em pacientes brasileiros que há risco de surgir num futuro breve sorotipos diferentes do patógeno, como já acontece no caso da dengue. Tal fato poderia dificultar a obtenção de uma vacina, bem como comprometer a eficácia dos testes para diagnóstico já desenvolvidos.

O alerta foi feito neste domingo (3/9) pelo professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) Edison Luiz Durigon, que proferiu a conferência de abertura da Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE). O evento segue até o dia 6 de setembro em Campos do Jordão.

“Hoje existe apenas um único Zika e, uma vez infectada, a pessoa se torna imune. Mas o vírus está em franca mutação e não seria surpresa se em breve surgirem o Zika 2, 3, 4…”, disse Durigon em entrevista à Agência FAPESP.

A afirmação está baseada na análise de dados de três pacientes assintomáticos – dois homens e uma mulher – que foram acompanhados de perto durante meses pela equipe do ICB-USP. Semanalmente, os pesquisadores colhiam amostras de sangue, saliva, urina e, no caso dos homens, esperma.

O material era enviado para os Estados Unidos onde, por meio de uma parceria com o exército norte-americano, o genoma completo do patógeno era sequenciado. O estudo foi feito no âmbito da Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika), que conta com apoio da FAPESP.

“Semana a semana, nós comparávamos o que havia de diferente no genoma viral. Chegamos a ver no mesmo paciente cepas compartimentadas, ou seja, o vírus presente no sêmen era diferente do que havia na urina. Em todos os casos, o patógeno que encontramos no estágio final da infecção não era o mesmo que entrou no paciente”, contou Durigon.

Segundo o pesquisador, os pacientes do sexo masculino permaneceram eliminando o Zika em grandes quantidades pelo esperma por até seis meses. Um deles apresentou o vírus na saliva durante três meses.

“O Zika continuou se replicando nas células do testículo durante todo esse tempo e, por microscopia eletrônica, pudemos perceber que os espermatozoides já se formavam infectados. Há risco, portanto, de ocorrer uma concepção com esperma contaminado. Se a gravidez vai para frente nesses casos e quais as consequências para o feto é algo que não temos ideia”, comentou Durigon.

A possibilidade de transmissão sexual, segundo o pesquisador, amplia fortemente a capacidade do vírus de se disseminar. Na avaliação de Durigon, é preciso urgentemente mudar a cultura médica, que ainda centra os cuidados pré-natais nas mulheres.

“Não adianta testar apenas as gestantes para a presença do vírus, recomendar apenas às mulheres que usem repelente e evitem áreas de risco durante a gestação e deixar os homens à vontade, seguindo a vida normalmente. Elas podem ser contaminadas pelos próprios parceiros e isso é algo que os médicos ainda não estão atentos”, alertou.

Exame sorológico

Durante a conferência, Durigon relembrou o início da formação da Rede Zika em São Paulo e relatou como a rápida articulação entre comunidade científica e agência de fomento possibilitou avançar o conhecimento sobre o Zika.

“O vírus foi isolado pela primeira vez no Brasil em novembro de 2015, pelo pesquisador Pedro Vasconcelos do Instituto Evandro Chagas, no Pará. Nosso grupo do ICB-USP pediu uma amostra, que veio pelo correio quando ainda montávamos nossa decoração de Natal”, contou Durigon.

Foram então acionados os pesquisadores paulistas que entre 2000 e 2007 fizeram parte da Rede de Diversidade Genética de Vírus (VGDN), um projeto apoiado pela FAPESP que viabilizou no Estado de São Paulo a instalação de uma importante infraestrutura para pesquisas na área de virologia.

“Muitos dos integrantes dessa rede tinham em 2015 projetos apoiados em andamento, com outros temas. A Fundação rapidamente aprovou aditivos para esses projetos e todos os esforços foram centrados no estudo do Zika. Dessa forma, rapidamente, conseguimos cultivar os isolados virais em laboratório e distribuir para vários grupos de pesquisa do país”, lembrou.

Segundo Durigon, a rápida reação da comunidade científica paulista inspirou grupos de outros estados e também outras agências de fomento – possibilitando a criação de uma Rede Zika em âmbito nacional.

Entre os avanços alcançados desde então estão o desenvolvimento de testes moleculares para diagnóstico (capaz de detectar o RNA viral nas amostras de pacientes durante a infecção), a comprovação de que o vírus causa uma síndrome congênita que pode ou não incluir microcefalia, o desenvolvimento de vacinas experimentais e, finalmente, a validação de um teste sorológico (capaz de detectar no sangue anticorpos contra o vírus mesmo passada a infecção) que não dá reação cruzada com anticorpos contra a dengue.

“Finalmente, depois de dois anos, podemos dizer com orgulho que nós conseguimos um teste sorológico realmente eficaz para detectar o Zika. Já validamos em mais de mil amostras da população de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e em 800 amostras de pacientes de Salvador (BA), entre eles mulheres que tiveram filhos com e sem microcefalia, pacientes que já tiveram febre amarela e dengue. Se esse teste consegue identificar o Zika em Salvador, funciona em qualquer parte do mundo”, disse Durigon.

Também integram a equipe que desenvolveu o método sorológico os pesquisadores do ICB-USP Paolo Zanotto e Luís Carlos de Souza Ferreira (leia mais em: http://agencia.fapesp.br/22866/).

O próximo passo, segundo o pesquisador, é coletar mais amostras do Estado de São Paulo e capital para investigar qual foi o real número de pessoas infectadas até o momento na região. Como até 80% dos casos podem ser assintomáticos, sem o teste sorológico torna-se impossível saber o real tamanho da epidemia e a porcentagem da população que ainda é suscetível ao vírus.

“São Paulo, aparentemente, ainda teve pouco Zika. Em Salvador os testes estão mostrando que grande parte da população já foi contaminada, gestantes inclusive, e por isso houve muitos casos de microcefalia. É provável que Bahia, Pernambuco e Paraíba fiquem pelo menos uns quatro anos sem muitos casos, até que surja uma nova população suscetível. Mas em São Paulo ainda não sabemos”, avaliou.

A grande preocupação hoje, segundo Durigon, são as crianças nascidas de mães que tiveram Zika durante a gestação sem saber. “A criança pode ter uma lesão cerebral, mas não ter microcefalia, e não vai ser acompanhada cuidadosamente. O problema só vai aparecer quando ela apresentar dificuldades motoras ou de aprendizado lá na frente. Podemos ter uma geração de crianças com complicações das mais variadas e não vamos saber como enfrentá-las”, alertou.

Assim que o teste sorológico estiver disponível em larga escala, disse Durigon, é importante que o maior número possível de crianças nascidas no período sejam testadas. Os casos positivos devem ser avaliados com mais cautela e submetidos a exames de imagem. “O que estamos vendo é apenas a ponta do iceberg e não sabemos o que ainda tem por baixo”, afirmou.

Centro da ONU apoia simpósio no Rio sobre doenças transmitidas por carrapatos

29/08/2017

Evento foi concebido para reunir profissionais de serviços de vigilância epidemiológica e das universidades para discutir avanços no conhecimento científico. Foto: EBC

Fonte: Nações Unidas do Brasil

A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) promovem nos dias 16 e 17 de outubro o 2º Simpósio Nacional de Doenças Transmitidas por Carrapatos. O evento ocorre no Rio de Janeiro, as inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do evento. O prazo para envio de trabalhos científicos é 20 de setembro.

O simpósio tem o apoio do Centro Pan-americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA).

A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) promovem nos dias 16 e 17 de outubro o 2º Simpósio Nacional de Doenças Transmitidas por Carrapatos. O evento ocorre no Rio de Janeiro, as inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do evento. O prazo para envio de trabalhos científicos é 20 de setembro.

O simpósio tem o apoio do Centro Pan-americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA).

O evento bianual foi concebido com o propósito de reunir profissionais dos serviços de vigilância epidemiológica e das universidades para discutir os avanços no conhecimento científico e suas implicações para as estratégias de vigilância e controle.

Já foram realizadas cinco edições de seminários estaduais e dois simpósios regionais no estado de São Paulo, onde o Ministério da Saúde apoiou os eventos e participou de sua organização. Desde 2015, o encontrou virou nacional e passou a ter caráter itinerante, sendo realizado em outros estados endêmicos da febre maculosa, principal doença transmitida por carrapato no Brasil.

Participarão do evento os mais renomados pesquisadores na área, que apresentarão os resultados de suas pesquisas aplicadas aos serviços de vigilância das doenças transmitidas por carrapatos.

Serão temas do simpósio: redes colaborativas de vigilância e controle; sistemas de vigilância epidemiológica; aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento; emergência de novos patógenos transmitidos por carrapatos; experiências dos serviços de vigilância; legislação; métodos de predição e prevenção; avanços e perspectivas na área da pesquisa e vigilância das doenças transmitidas por carrapatos.

Aplicativo pretende mapear casos assintomáticos de sete doenças transmissíveis

29/08/2017

151218 - app Celular

Fonte: Planeta Universitário

O pesquisador do Helder Nakaya criou um aplicativo para mapear focos, também chamados de hotspots, da dengue, malária, Zika, entre outras. O objetivo é localizar os casos sintomáticos, auxiliar agentes de saúde e ajudar a diminuir a incidência e a transmissão dessas doenças. O aplicativo funcionará da seguinte maneira: pacientes sintomáticos, diagnosticados em hospitais de referência com Zika, dengue, tuberculose, leishmaniose, chikungunya, parvovírus e malária, vão disponibilizar voluntariamente o histórico de localização de seus smartphones.


Com isso, será possível rastrear onde eles estiveram nos últimos 15 dias. E, a partir desses dados, o pesquisador vai listar e correlacionar os pontos em comum visitados por esses pacientes para identificar os hotspots ou focos.

A ideia é que, com base nessas informações, o pesquisador desenvolva um aplicativo que mostre os focos espalhados pelas cidades que participarão do projeto-piloto. Agentes públicos de saúde irão até esses locais para coletar amostras de sangue e identificar os casos assintomáticos. Isso ajudará a estabelecer medidas para conter a transmissão mais rapidamente.

Segundo Nakaya, que é um dos pesquisadores principais do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórios (CRID), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) da FAPESP, o GPS dos celulares tem um nível de precisão bem alto, próximo do raio de um metro, que garante a qualidade do projeto. “O diferencial desse trabalho para os aplicativos que já existem, no qual a população manda fotos e registra os locais dos criadouros de mosquito, é a exatidão dos dados. Estamos fazendo muitos testes para que as informações sejam as mais precisas possíveis.”

Ele garante não haver riscos quanto à privacidade: o arquivo que coleta o histórico de localização guarda apenas as coordenadas e não recolhe outros dados como contatos e fotos. “Esse é um dos desafios do nosso projeto. As pessoas ficam desconfiadas quando pedimos o histórico no GPS. Estamos tendo todo o cuidado para não termos acesso a e-mail, foto e nome da pessoa.”

Os municípios contemplados para receber o mapeamento inicial de focos e testar o aplicativo são: São Paulo, Recife, Manaus, Goiânia, João Pessoa, Belém, Campinas, Salvador, Aracaju, São João Del Rey, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, São José do Rio Preto e Porto Velho.

A iniciativa voltada para mapear hotspots de transmissão de malária em Manaus, especificamente, foi financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates. Nakaya foi selecionado pelo programa internacional Grand Challenges Explorations (GCE), que oferece US$ 100 mil para apoiar ideias inovadoras na área de saúde e desenvolvimento. Se o projeto for bem-sucedido, o pesquisador pode pleitear mais R$ 1 milhão para avançar e expandir ainda mais o alcance do aplicativo.

No momento, o projeto está na fase de testes. Através do site Sipos, o pesquisador paulista criou um plano-piloto para testar o uso das informações do GPS. Ele está recrutando, pela plataforma, pessoas da área de pesquisa em saúde, além de alunos e enfermeiros. O principal propósito é já entrar em contato com os pacientes para explicar as próximas etapas e reforçar o sigilo dos dados.