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Brasil tem 46 mortes confirmadas por febre amarela, diz ministério

01/02/2017

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Fonte: G1

Minas Gerais ainda é estado mais afetado e informou 100 mortes suspeitas ao órgão; destas, 58 ainda estão sob investigação.

O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (30) que o Brasil tem 568 casos suspeitos de febre amarela. Deste total, 107 foram confirmados, 430 ainda estão sob investigação e 31 foram descartados. Minas Gerais ainda é o estado com o maior número de registros: 509 pessoas com os sintomas.
Dentre as notificações de suspeitas de febre amarela o ministério recebeu 113 avisos de óbitos, dos quais 46 foram confirmados, 3 foram descartados e 64 estão em investigação. A grande maioria das mortes confirmadas ocorreram em Minas: 42.
O país tem 80 municípios com notificações da doença, sendo que 55 estão em território mineiro. Espírito Santo é o segundo estado mais afetado, com 37 casos suspeitos e 5 confirmações. A primeira morte foi confirmada nesta segunda e morava na cidade de Ibatiba.
A Bahia tem sete registros, sendo que seis deles ainda estão sob análise para uma confirmação – um dos casos já foi descartado. O estado não apresentou nenhuma morte pela doença.
Em São Paulo, de acordo com o Ministério da Saúde, são três mortes confirmadas – a Secretaria de Estado da Saúde já informou três novas vítimas da doença, além das informadas pelo órgão federal. Já no Distrito Federal e em Goiás todos os casos foram descartados.

Caso em Mato Grosso do Sul

Um caso informado pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina foi inicialmente notificado como uma pessoa que teria sido infectada em Mato Grosso do Sul durante uma viagem e voltado ao estado da região Sul. Nesta segunda, entretanto, o Ministério da Saúde disse que está reavaliando o local de provável infecção pelo vírus.

Vacinação

Moradores ou pessoas que pretendem visitar regiões silvestres, rurais ou de mata devem se vacinar no Sistema Único de Saúde (SUS). A transmissão da doença, que ocorre pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabathes nessas regiões, é possível em grande parte do território brasileiro. O Aedes aegypti também é transmissor da febre amarela, mas apenas em área urbana.
Vale lembrar que, em situações de emergência, a vacina pode ser administrada já a partir dos 6 meses. O indicado, no entanto, é que bebês de 9 meses sejam vacinados pela primeira vez. Depois, recebam um segundo reforço aos 4 anos de idade. A vacina tem 95% de eficiência e demora cerca de 10 dias para garantir a imunização já após a primeira aplicação.
Pessoas com mais de 5 anos de idade devem se vacinar e receber a segunda dose após 10 anos. Idosos precisam ir ao médico para avaliar os riscos de receber a imunização.
Por causar reações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus, câncer e HIV, devido à baixa imunidade, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo.

‘NYT’: Falhas no combate ao Zika vírus deixa marcas profundas na sociedade

18/01/2017

As mulheres da América Latina e do Caribe foram mal servidas de muitas maneiras, disseram especialistas ao New York Times

Fonte: Jornal do Brasil

O jornal norte-americano The New York Times traz em sua edição desta terça-feira (17) uma matéria onde especialistas refletem sobre as consequências da epidemia de Zika no último ano. Há quase um ano atrás, a Organização Mundial da Saúde declarou estado de emergência de saúde global, iniciando uma campanha épica contra um vírus que poucos já tinham ouvido falar. Ao se espalhar para quase todos os países do hemisfério ocidental, cientistas e funcionários de saúde em todos os níveis de governo entraram em ação, tentando entender como a infecção causou defeitos de nascimento e como ele poderia ser interrompido.

A reportagem analisa que o W.H.O. terminou o estado de emergência em novembro de 2016, mas as conseqüências do surto se estenderá pelos próximos anos. Então talvez seja um bom momento para perguntar: Como é que vamos fazer?

Times afirma que de acordo com mais de uma dúzia de especialistas em saúde pública que foram convidados a refletir sobre a resposta, a batalha contra o alastramento do vírus contou com uma série de oportunidades perdidas, aumentando muito o número de bebês com doenças decorrentes da epidemia em todo o hemisfério.

> > The New York Times How the Response to Zika Failed Millions

“A América Latina ficou praticamente largada”, disse Lawrence O. Gostin, diretor do Instituto O’Neill para a Lei de Saúde Nacional e Global da Universidade de Georgetown. “Eu não vi nenhum tipo de resposta interativa como aquela que colocou o Ebola sob controle.”

No entanto, houve alguns sucessos notáveis. O maior foi com relação aos avisos de viagem emitidos em janeiro, que alertaram muitas turistas grávidas e viajantes de negócios para não se aventurar em áreas onde poderiam ter sido infectados, com consequências terríveis, fala o NYT.

Os Jogos Olímpicos de Rio continuaram sem espalhar o vírus, e novos testes de diagnóstico para Zika foram rapidamente projetados e implantados. Os cientistas estão avançando com várias vacinas e novas formas de combater mosquitos sem pesticidas.

Mas os pontos positivos foram contrabalançados por muitos pontos negativos, disseram os especialistas. Eles criticaram duramente as brigas partidárias que atrasaram um projeto de lei de financiamento da Zika no Congresso por meses, e criticaram o fracasso de todas as cidades do hemisfério – além de Miami – na questão de combater os mosquitos.

A maioria elogiou o W.H.O. por declarar emergência em 1 de fevereiro, mas também condenou como prematura sua decisão de encerrá-la em 18 de novembro.

Mas o maior fracasso, todos concordaram, foi que enquanto os turistas eram alertados para longe das áreas epidêmicas, dezenas de milhões de mulheres que viviam em zonas de risco – muitos deles pobres moradores de favelas – ficaram desprotegidas.

Como resultado, uma onda de bebês com microcefalia está nascendo agora. Suas famílias já estão sofrendo, e seus cuidados médicos acabarão custando centenas de milhões de dólares.

A incapacidade de aconselhar as mulheres a adiar a gravidez, se pudessem, até que a epidemia tivesse passado “foi a maior farsa da epidemia”, disse Amir Attaran, professor de direito e medicina da Universidade de Ottawa.

Era “hipocrisia hedionda e racista”, acrescentou. “As mulheres norte-americanas receberam os melhores e mais seguros conselhos de saúde pública, enquanto os habitantes de Porto Rico foram informados de outra coisa.”

Política atrapalhou

As mulheres da América Latina e do Caribe foram mal servidas de muitas maneiras, disseram outros especialistas.

Caminhões pulverizavam pesticidas que muitas vezes não funcionavam. Avisos para usar mangas longas e repelentes foram dados sem estudos provando que poderiam proteger efetivamente contra o mosquito.

E as autoridades de saúde, temendo ofender os conservadores religiosos, nunca discutiram seriamente o aborto como uma alternativa para ter bebês permanentemente deformados – mesmo em países onde o aborto é legal.

Essa relutância criou um abismo incomum entre o conselho oficial e a prática real. Muitos ginecologistas entrevistados disseram que ofereciam abortos a pacientes cujos exames de ultra-som mostraram cabeças anormalmente pequenas ou danos cerebrais.

Mas eles fizeram isso sem apoio oficial ou orientação do W.H.O. ou outros Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

Durante a epidemia, quando os funcionários da saúde foram perguntados por que eles não aconselharam adiar a gravidez ou procurar abortos, eles disseram que isso poderia interferir com os direitos reprodutivos das mulheres ou impedir que as mulheres mais velhas concebam a tempo de ter filhos.

Dr. Thomas R. Frieden, diretor do CDC, disse que seguiu o conselho da Dra. Denise J. Jamieson, chefe do departamento de saúde e fertilidade da agência, que disse que “não é um trabalho do médico do governo dizer às mulheres o que fazer com seus corpos. “

Dr. Gostin disse que ele sentiu as agências foram muito cautelosos, por medo de críticas de grupos de mulheres.

“A saúde pública deve superar isso”, disse ele. “Dar conselho às mulheres é muito diferente de controlar as mulheres.”

Michael T. Osterholm, diretor do Centro de Pesquisas e Políticas sobre Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, deu uma explicação mais branda para a timidez dos funcionários.

“O C.D.C. Sempre fica em apuros com o Congresso quando fala de contracepção ou balas “, disse ele. (Por este último, ele quis dizer que era difícil para os funcionários para apontar que os tiros são uma das principais causas de mortes americanas por medo de ofender o lobby de armas.)

– E o aborto? – ele acrescentou. “Você fala sobre os terceiros trilhos na política? O aborto é o quinto trilho. Eles não podem tocá-lo. Se o C.D.C. Tinha empurrado o envelope mais longe, o seu financiamento teria sido em risco. “

 “Uma recomendação para adiar a gravidez até que o risco abatido deveria ter sido frontal e central – e muito mais explícito.”

O Brasil, de longe foi o país mais atingido pela epidemia, realmente deixou suas mulheres desprotegidas tanto fisicamente como pelas leis, disse o Dr. Artur Timerman, presidente da sociedade médica para especialistas em dengue e arbovírus.

“Por questões religiosas, temos muitas restrições em relação ao aconselhamento das mulheres sobre controle de natalidade, por isso estávamos muito longe de lhes dar informações corretas”, disse ele. “Eu acho que teremos um monte de mulheres infectadas ainda.”

o Dr. Albert I. Ko, epidemiologista de Yale, que também trabalhou em Salvador, Brasil, há muitos anos. “As pessoas nas trincheiras, as autoridades municipais e estaduais de saúde pública devem ser consideradas heróis”.

Tanto ele como o Dr. Ernesto TA Marques Jr., especialista em doenças infecciosas da Universidade de Pittsburgh e da Fundação Oswaldo Cruz no Brasil, disseram que os cientistas brasileiros se decepcionados quando buscaram ajuda externa – em primeiro lugar de doadores e agências de saúde europeias.

Febre amarela: quem foi vacinado há mais de 10 anos precisa de nova dose?

18/01/2017

Fonte: O Globo

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmar que apenas uma dose da vacina da febre amarela é suficiente para proteger contra a doença por toda a vida, o Ministério da Saúde continua a indicar duas doses. A medida vale para quem mora nas áreas de recomendação e para quem vai viajar para elas — fica de fora apenas a faixa litorânea do país, incluindo o Rio de Janeiro.

Especialistas brasileiros consideram que a imunização em duas doses é uma estratégia de prudência. Pela recomendação do ministério, a primeira dose garante proteção por dez anos. Mas, para uma imunização definitiva, para toda a vida, é preciso aplicar uma segunda dose, de reforço.

— Garantir que uma dose só imuniza por toda a vida é um pouco arriscado — diz Reinaldo de Menezes Martins, consultor científico sênior de Biomanguinhos/Fiocruz, instituição que produz a vacina no país. — No Brasil, onde há a doença de forma endêmica, é melhor ser mais prudente. A recomendação no país já foi tomar a vacina de dez em dez anos ao longo de toda a vida, mas comprovamos que isso é um exagero. No entanto, se vai continuar sendo dada em duas doses ou se passará para somente uma dose, isso vai depender de novas pesquisas científicas feitas nos próximos anos.

A OMS alega ter realizado uma revisão de estudos que mostram a eficácia de apenas uma dose, mas, segundo Martins, existem estudos brasileiros localizados que evidenciam o contrário.

— Não estou dizendo que a decisão da OMS é errada, mas optamos por ser mais cautelosos — pontua ele.

FALTA DE VACINAS NO MUNDO

O entendimento de muitos especialistas é de que essa nova postura da OMS, adotada em maio de 2013, deve-se à escassez de vacina contra a febre amarela ao redor do mundo. Em muitas regiões da África, por exemplo, não há quantidade de vacinas suficiente para dar duas doses à população. Logo, com base na falta de sustentabilidade desse tipo de recomendação e com base em estudos que mostram que surtos em geral podem ser contidos com apenas uma dose, a OMS teria tomado a decisão de recomendar a dose única.

No Brasil, nunca houve registro de falta da vacina. Mas pesquisadores de todo o mundo se preocupam em conseguir aprimorar a técnica para fabricá-la, porque o método utilizado atualmente é o mesmo de 1937, quando a vacina começou a ser usada. A técnica, complexa e antiga, não permite uma produção acelerada, por isso algumas regiões do mundo recebem menos vacinas do que de fato precisam.

No surto de febre amarela ocorrido em Angola, de abril a julho do ano passado, por exemplo, a OMS chegou a recomendar que apenas 1/5 da dose fosse dada a cada pessoa, com o objetivo de proteger uma população maior com a pouca quantidade de vacinas disponível naquele momento. Segundo o organismo internacional, em situações emergenciais esta é uma medida razoável, porque essa pequena fração da dose já consegue proteger o organismo contra o vírus, ainda que a duração da proteção seja menor do que os dez anos oferecidos pela dose normal.

AUMENTO DA PROCURA NO RIO DE JANEIRO

Reinaldo de Menezes Martins, da Fiocruz, destaca que as pessoas que estão fora das áreas de recomendação para a vacina não precisam correr para tomá-la. Por causa do atual surto em Minas Gerais, muitos moradores do Rio estão entrando em contato com a Fiocruz para se imunizar, mas está não é a recomendação.

Ele explica que, nos lugares onde não há registro da doença por muitas décadas, como é o caso do Rio, não há motivo para que as pessoas se exponham aos possíveis efeitos colaterais da vacina.

— A grande maioria das pessoas que toma a vacina da febre amarela não sente nada. Mas uma a cada 300 mil ou 400 mil desenvolve algum sintoma relacionado à febre amarela. Quando sabe-se que o vírus circula por determinado lugar, o benefício de se vacinar supera o risco. Mas, quando o vírus não é encontrado na região, não tem motivo para se expor a esse risco. É basicamente por causa desses efeitos adversos que não se coloca a imunização contra febre amarela como política de vacinação em todo o país — explica Martins.

Atualmente, dentro das áreas de recomendação no Brasil, a política é que as crianças sejam imunizadas aos 9 meses de idade e tomem uma segunda dose aos 4 anos. Quem toma a primeira dose depois dos 5 anos deve tomar um reforço após dez anos.

Em nota, o Ministério da Saúde justifica as duas doses como uma medida extra de segurança.

“O esquema adotado pelo Ministério da Saúde de manter a dose de reforço é uma medida a mais de segurança para evitar a transmissão da doença, visto que não há estudos locais que comprovem a eficácia de apenas uma dose na população brasileira, até o momento”, diz a nota.

Oportunidades de Doutorado na República Tcheca

10/01/2017
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O Laboratório de Protozoologia Molecular da Universidade de Ostrava, República Tcheca, oferece três oportunidades a estudantes de Doutorado nas áreas de “Diversidade e e filogenetica de Protistas”, “Genética Molecular de Protistas” e “Virulência em Leishmania”.
Para maiores informações favor se referir aos arquivos em anexo e contatar o Dr. Vyacheslav Yurchenko até 15 de Fevereiro de 2017, em língua Inglesa, através do
e-mail: vyacheslav.yurchenko@osu.cz

Ministério da Saúde notifica OMS sobre 12 casos suspeitos de febre amarela em Minas

10/01/2017

A febre amarela do tipo silvestre é transmitida, na América Latina, pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes; já o tipo urbano é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes Aegypti

Fonte: Hoje em Dia

O Ministério da Saúde notificou, na última sexta-feira (6), a Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre 12 casos e cinco mortes suspeitas de febre amarela nas cidades de Ladainha, Malacacheta e Frei Gaspar, no Vale do Mucuri, e nos municípios de Caratinga, Piedade de Caratinga e Imbé de Minas, no Vale do Rio Doce.

Neste domingo (8), segundo informações da direção do Hospital Municipal Doutor Arthur Rausch, em Ladainha, mais uma morte foi constatada. A suspeita é de que o paciente estivesse com a doença, contraída na zona rural da cidade do Vale do Mucuri.

“Na última semana tivemos oito óbitos suspeitos de febre amarela silvestre. Os casos são de pessoas que vieram da zona rural de Ladainha. A doença está praticamente erradicada nos grandes centros urbanos no Brasil”, explica Felipe Vieira Campos, diretor da unidade de saúde.

Ele ainda conta que primatas foram encontrados mortos na região com suspeita de febre amarela silvestre. “O macaco é um dos hospedeiro da doença”, observa.

A pasta nacional da saúde investiga, ainda, em conjunto com a Secretária de Estado de Saúde (SES-MG), a possibilidade de que estes casos possam estar associados a outras doenças que apresentam febre hemorrágica, como dengue, leptospirose, hepatite viral, dentre outras.

O ministério disponibilizou técnicos para acompanhar e auxiliar o Estado e os municípios mineiros na investigação. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) realiza testes para diagnóstico de febres hemorrágicas para identificar a doença.

Vacinação

Segundo a SES-MG, a vacina contra a febre amarela é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Minas Gerais conta com 250 mil doses em seu estoque.

A imunização é fornecida mensalmente pelo Ministério da Saúde e o país, segundo o órgão, tem estoque suficiente para atender toda a população nas situações recomendadas.

O diretor do hospital municipal de Ladainha afirma que os postos de saúde da cidade têm a vacina. “A única prevenção contra a febre amarela silvestre ou a febre amarela é a vacinação, que imuniza para todos os tipos da doença”, alerta.

O Ministério da Saúde recomenda às pessoas que residem ou viajam para regiões silvestres, rurais ou de mata, que sejam imunizadas contra a doença. Os meses de dezembro a maio são o período de maior número de casos com transmissão em grande parte do Brasil.

OMS avalia uso de pequenas bactérias no combate ao vírus zika

05/01/2017

Rita mantém este balde branco debaixo das escadas da frente. Ele contém um pequeno pacote de ovos de mosquitos, algumas pastilhas de alimentos para peixes e água. Juntos, esses elementos formam uma atmosfera ideal de reprodução para os mosquitos infectados com a Wolbachia. Imagem: OPAS/OMS

Fonte: ONU BR

Os mosquitos matam cerca de 700 mil pessoas por ano. Se infectados com vírus que causam doenças como chikungunya, dengue e zika, podem transmiti-las aos seres humanos com uma picada.

Pesquisadores têm agora implantado um projeto-piloto de uma nova técnica para controlar as doenças transmitidas por mosquitos fazendo uso da natureza. Trata-se de uma das novas ferramentas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como projeto-piloto para a resposta ao vírus zika.

Rita Ramos mora em Jurujuba, uma comunidade de pescadores com cerca de mil habitantes, na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, Brasil. Ela é uma das administradoras da comunidade e seu marido trabalha em uma loja de materiais de construção. Desde junho de 2016, Rita participa de um projeto para ajudar a controlar assassinos em seu bairro: os mosquitos.

Pesquisadores da Universidade Monach, na Austrália, com a colaboração de Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), descobriram que mosquitos infectados artificialmente com uma bactéria chamada Wolbachia não transmitem dengue, chikungunya e zika com facilidade. A bactéria Wolbachia existe naturalmente em 60% dos insetos comuns.

Esta abordagem inovadora para o controle de doenças transmitidas por mosquitos foi trazida ao Brasil pela Fiocruz em 2012. Inicialmente era um projeto de controle da dengue, que começou em uma pequena comunidade próxima ao aeroporto internacional do Rio de Janeiro, em 2014.

Nessa fase do projeto, agora em Jurujuba (Niterói), os pesquisadores estão criando e liberando mosquitos com a bactéria Wolbachia. Eles pretendem ver o quão bem esses mosquitos, ao se acasalarem com mosquitos selvagens, podem passar as bactérias para a próxima geração de mosquitos, criando assim populações que não podem transmitir vírus mortais.

No início de 2015, Rita conheceu Jorge Pedrosa por meio de seu agente comunitário de saúde. Jorge, que coordenava atividades para engajar as comunidades no projeto de controle da dengue, explicou a pesquisa na qual esse tipo especial de mosquito é criado e liberado diretamente para a comunidade.

“No início, Jorge veio explicar a mesma coisa todas as semanas”, disse Rita. “Nós não entendemos o projeto. Também queríamos saber porque eles escolheram nossa comunidade.” Ela faz parte de uma das 28 famílias nesta parte de Jurujuba que participam do projeto.

Rita mantém um balde branco debaixo das escadas da frente. Ele contém um pequeno pacote de ovos de mosquitos, algumas pastilhas de alimentos para peixes e água. Juntos, esses elementos formam uma atmosfera ideal de reprodução para os mosquitos infectados com a Wolbachia. Gabriel e seus colegas inspecionam e atualizam o conteúdo a cada duas semanas.

Rita diz que não havia notado a grande quantidade de mosquitos na comunidade e seu ponto de vista mudou. “Quando os vejo, não os mato. Deixo-os voar. Eu não tenho medo deles. Agora, para mim, é um privilégio ter os mosquitos aqui.”

 

Testes em humanos comprovam eficiência de nova vacina contra a malária

05/01/2017

Indiano solta fumaça contra o mosquito da malária em rua de um conjunto residencial em Mumbai, na Índia. (Foto: Punit Paranjpe/AFP)

Fonte: G1

Um estudo com voluntários demonstrou a eficiência e segurança de uma nova vacina contra a malária – até hoje não existe uma opção homologada contra a doença. De acordo com o artigo, publicado na revista “Science Translational Medicine”, a vacina estimula uma resposta imunológica apropriada e apresenta uma boa tolerância em seres humanos.

A malária é causada por um parasita do gênero Plasmodium, transmitida pela picada de mosquitos. A infecção ocorre primeiro no fígado e depois no sangue – são mais de 200 milhões de casos ao ano e 500 mil mortes, de acordo com os dados de 2015.

A nova vacina usa o parasita geneticamente modificado e enfraquecido. Três genes específicos são removidos – justamente aqueles que são necessários para que a infecção tenha sucesso em humanos. Com isso, os parasitas ficam impossibilitados de se reproduzir no fígado, mas estão vivos para estimular uma resposta do sistema imunológico.

Tal vacina é de vírus atenuado, nome dado à técnica já usada por cientistas desde uma criação de Edward Jenner contra a varíola em 1796. No entanto, as vacinas anteriores de mesmo tipo eram em maioria feitas com o cultivo de vírus e bactérias em cultura durante longos períodos. Essa nova contra a malária se diferencia por usar engenharia genética em sua criação.

Outra vacina

Em junho de 2016, um estudo publicado pela revista “The New England Journal of Medicine” concluiu que a vacina experimental RTS,S, a mais avançada contra a malária até o momento, perdia grande parte da sua eficácia após alguns anos.

Os pesquisadores também apontaram que a proteção diminuía mais rapidamente em pessoas que vivem em zonas onde os índices de malária são maiores que a média.

Durante o primeiro ano, a taxa de proteção das crianças vacinadas contra a malária foi de 35,9%. Porém, quatro anos depois, essa taxa caiu para 2,5%. Em média, ao longo de sete anos, a vacina foi considerada apenas 4,4% efetiva contra a doença.