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Grupo da USP desenvolve nova metodologia para diagnóstico de Zika

01/06/2017

Aedes Aegipty. transmissor da dengue e zika

Fonte: Exame

Pesquisadores identificaram no sangue de pacientes um anticorpo capaz de se ligar de forma muito específica ao vírus.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, identificaram no sangue de pacientes um anticorpo capaz de se ligar de forma muito específica ao vírus Zika, o que possibilitou o desenvolvimento de um teste para fazer o diagnóstico sorológico da doença.

Os ensaios feitos para validar a nova metodologia serão publicados em breve na revista PLoS Neglected Tropical Diseases. Dados preliminares foram apresentados por Esper Kallás, professor da FMUSP, na Escola São Paulo de Ciência Avançada em Arbovirologia. Apoiado pela FAPESP, o evento vai até 9 de junho em São José do Rio Preto.

“Os anticorpos habitualmente identificados em pacientes com Zika apresentavam reação cruzada com o vírus da dengue. Os testes sorológicos disponíveis até o momento, portanto, podem passar por problemas para discriminar quem efetivamente já foi infectado pelo Zika no passado”, disse Kallás à Agência FAPESP.

A estratégia usada pelo grupo da USP e colaboradores foi analisar uma célula do sangue conhecida como plasmablasto em pacientes com diagnóstico confirmado de Zika por testes moleculares (capazes de detectar a infecção apenas em sua fase aguda, logo após a circulação do RNA viral no organismo).

“Fizemos o sequenciamento de cada uma dessas células sanguíneas para identificar as moléculas de imunoglobulinas que elas estavam produzindo. Um dos anticorpos encontrados, que chamamos de P1F12, só foi capaz de se ligar ao vírus Zika, sem reação cruzada com o causador da dengue”, contou.

Caso o teste sorológico se mostre realmente eficaz para discriminar pessoas previamente infectadas pelo vírus Zika, terá diversas utilidades.

Poderá, por exemplo, auxiliar na avaliação dos riscos de mulheres grávidas que necessitem viajar para uma região onde estejam ocorrendo casos da doença.

“Se ela souber com certeza que teve Zika no passado, poderá viajar com certa tranquilidade. Caso contrário, deverá tomar mais cuidados”, disse Kallás.

Permite ainda que autoridades de saúde pública consigam estimar a porcentagem de pessoas suscetíveis (nunca antes infectadas) ao vírus em uma determinada população, o que pode ajudar a prever a ocorrência de novos surtos e a organizar os serviços de assistência.

A metodologia poderá contribuir com futuros estudos voltados ao desenvolvimento e validação de vacinas contra a dengue e contra o Zika.

“Para fazer esse tipo de pesquisa é importante saber se o participante já teve uma ou outra doença, ou as duas anteriormente, pois isso pode influenciar o resultado. Um teste sorológico capaz de discriminar bem os casos ajudaria a economizar muitos recursos”, disse Kallás.

Segundo o pesquisador, o anticorpo P1F12 não se mostrou altamente eficiente para neutralizar o vírus Zika. Entretanto, em sua apresentação, ele mencionou estudos que estão sendo desenvolvidos por outros grupos com o objetivo de encontrar anticorpos que possam ser usados no tratamento e na prevenção da infecção.

“Seria interessante, por exemplo, para uma gestante que descobre o vírus no início da gestação. A administração de anticorpos neutralizantes poderia impedir que o Zika seja transmitido para o bebê”, comentou.

Desafios da Rede Zika

No primeiro dia da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Arbovirologia, Paolo Zanotto, professor no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, apontou como um dos principais desafios das pesquisas relacionadas ao vírus Zika o desenvolvimento de um teste sorológico realmente eficaz.

Zanotto coordena a Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo (Rede Zika), apoiada pela FAPESP. “Quando a rede começou, quatro temas prioritários haviam sido estabelecidos no âmbito internacional: diagnóstico, vacina, entender a relação do vírus com microcefalia e montar coortes de pacientes [grupos para serem acompanhados no longo prazo] para acompanhar as gestantes infectadas e observar os efeitos nos bebês”, comentou.

“Já conseguimos mostrar que o vírus é capaz de causar alterações congênitas em animais. Depois, esses mesmos modelos foram usados na prova de conceito de candidatos promissores a vacinas. Mostramos que essas potenciais vacinas imunizam roedores e macacos e temos evidências de que podem funcionar em humanos. Também já existem coortes de pacientes estabelecidas em São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Campinas, Jundiaí e vários outros lugares do Brasil. O que ainda precisa evoluir mais é essa parte do diagnóstico sorológico”, disse Zanotto.

Os estudos feitos até o momento permitem concluir que a microcefalia não é a única manifestação da infecção congênita pelo Zika.

“Existe um gradiente de manifestações que vai desde quadros severos de anencefalia até alterações leves e quase imperceptíveis, eventualmente podem ocorrer apenas alterações cognitivas, mas não morfológicas. A descrição completa da doença só vai surgir quando terminarmos de acompanhar essas coortes durante tempo suficiente para que todas as manifestações sejam apresentadas em quantidades suficientes para termos uma base estatística”, disse Zanotto.

Internacionalização

Organizada por pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e da University of Texas Medical Branch, nos Estados Unidos, a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Arbovirologia reúne, no interior de São Paulo, alguns dos expoentes mundiais nas pesquisas sobre arbovirologia.

Foram selecionados para assistir ao evento cerca de 100 pós-graduandos e pós-doutorandos do Brasil e do exterior, que além de palestras terão a oportunidade de participar de diversas atividades práticas e trabalhos de campo.

Durante a abertura do evento, o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Américo Pacheco, destacou a importância para a Fundação de financiar esse tipo de iniciativa.

“Na última década, com o intuito de melhorar a qualidade da pesquisa feita em São Paulo, temos buscado uma abordagem mais internacional. Temos convidado pessoas de fora para passar um tempo no Brasil e também buscamos levar estudantes para fora. Isso é estratégico. E, com esse objetivo, temos financiado nos últimos anos diversas Escolas São Paulo de Ciência Avançada”, disse.

De acordo com Walter Colli, membro da Coordenação Adjunta – Ciências da Vida da FAPESP, esta é a 50ª edição da Escola São Paulo de Ciência Avançada. “É uma oportunidade para reunir pesquisadores, trocar ideias e dar treinamento. É uma das melhores ideias que já tivemos”, disse.

Zika e glaucoma relacionados pela primeira vez em novo estudo

01/06/2017

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Fonte: Nortão Jornal

Uma equipe de pesquisadores do Brasil e da Yale School of Public Health publicou o primeiro estudo demonstrando que o vírus Zika pode causar glaucoma em crianças que foram expostas ao vírus durante a gestação.

A exposição ao vírus Zika, durante a gravidez, provoca alterações congênitas no sistema nervoso central, incluindo a microcefalia. Pesquisadores da Escola de Saúde Pública do Brasil e de Yale haviam relatado, anteriormente, durante a epidemia de microcefalia, que o vírus também causa lesões graves na retina, porção posterior do olho. No entanto, até agora, não havia evidências de que o Zika causaria glaucoma, uma condição que pode resultar em danos permanentes no nervo óptico e cegueira.

“Identificamos o primeiro caso em que o vírus Zika parece ter afetado o desenvolvimento da câmara anterior ou da parte frontal do olho, durante a gestação, e causado glaucoma após o nascimento”, disse Albert Icksang Ko, professor da Yale School of Public Health e co-autor do estudo publicado na revista Ophthalmology.

Ko mantém uma parceria com pesquisadores brasileiros de longa data e tem trabalhado com cientistas brasileiros desde que o Zika apareceu pela primeira vez, nas Américas, para compreender melhor os defeitos de nascença que são causados ​​pelo vírus e os fatores de risco para a Síndrome Congênita do Zika.

“Ao realizarem suas investigações sobre a epidemia de microcefalia em Salvador, no Nordeste do Brasil, os pesquisadores identificaram um menino de três meses que foi exposto ao vírus Zika durante a gestação. Embora nenhum sinal de glaucoma estivesse presente no momento do nascimento, a criança desenvolveu inchaço, dor e lacrimejamento no olho direito. A equipe de pesquisa diagnosticou o glaucoma como a causa dos sintomas e, juntamente com os oftalmologistas locais, realizou uma trabeculectomia, uma operação que aliviou com sucesso a pressão dentro do olho”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

“Embora esta seja a primeira incidência conhecida de glaucoma em uma criança com o vírus Zika, os médicos que tratam pacientes com Zika devem estar cientes de que o glaucoma é outro sintoma grave da doença que deve ser monitorado. Pesquisas adicionais são necessárias para determinar se o glaucoma em crianças com Zika é causado pela exposição indireta ou direta ao vírus, durante a gestação ou pós-parto”, explica a especialista em glaucoma do IMO, a oftalmologista Márcia Lucia Marques.

O vírus Zika, que é transmitido principalmente através de mosquitos infectados, atingiu níveis epidêmicos em várias áreas do mundo e é de particular preocupação no Brasil, onde a Organização Pan-Americana da Saúde relata mais de 200.000 casos suspeitos e 109.000 casos confirmados da doença. Desde que o surto começou, em 2015, o Zika já chegou aos Estados Unidos, com mais de 4.000 casos relacionados com viagens e 139 casos de mosquitos adquiridos localmente confirmados, de acordo com o CDC. Atualmente não existe vacina para o vírus Zika.

 

Vírus da febre amarela sofre oito mutações

25/05/2017

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Fonte: Diário da Saúde

Mutações virais

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz identificaram oito mutações em sequências genéticas do vírus da febre amarela que está causando o atual surto da doença.

As mutações estão associadas a proteínas envolvidas na forma como o vírus se multiplica.

A comprovação foi feita a partir dos primeiros sequenciamentos completos do genoma de amostras de dois macacos do tipo bugio encontrados em uma área de mata, no Espírito Santo, no fim de fevereiro deste ano.

Apesar das mutações, os cientistas afirmam que não há indícios de perda da eficiência da atual vacina, desenvolvida antes dessas mutações. Mas eles afirmam ser necessário pesquisar se as mutações tornariam o vírus mais agressivo.

“É uma vacina que já está sendo administrada há 80 anos e que é muito eficaz. A vacina vai proteger certamente. Um exemplo disso é que, em qualquer lugar do mundo em que tem variantes do vírus de febre amarela, a vacina protege com a mesma eficácia, então, em princípio não muda nada,” disse a pesquisadora Myrna Bonaldo.

A equipe da Fiocruz pretende a seguir verificar de que forma a variação do vírus pode impactar na infecção em macacos, mosquitos e no homem, sobretudo quanto à eventual mudança na agressividade do vírus.

Laboratório móvel monitora evolução do zika nas Américas

25/05/2017

Projeto que monitora o vírus da Zika

Fonte: Exame

Objetivo do trabalho é monitorar a evolução do genoma viral para prever surtos futuros e manter os métodos diagnósticos atualizados

A bordo de um laboratório móvel e munido com uma tecnologia inovadora de sequenciamento genético que cabe na palma da mão, um grupo internacional de pesquisadores tem investigado a trajetória do vírus Zika desde que ele desembarcou no Brasil e começou a se espalhar pelas Américas.

De acordo com os cientistas, o objetivo do trabalho é monitorar a evolução do genoma viral – tanto para entender o que ocorreu como para prever surtos futuros e manter os métodos diagnósticos atualizados.

Os primeiros resultados do projeto ZiBRA (Zika no Brasil Análise em Tempo Real, na sigla em inglês) – apoiado pelo Ministério da Saúde, pela FAPESP e diversas outras entidades – foram divulgados nesta quarta-feira (24/05) na revista Nature.

“A combinação de dados epidemiológicos e genéticos nos permitiu perceber que houve circulação silenciosa do Zika em todas as regiões das Américas pelo menos um ano antes da primeira confirmação do vírus, em maio de 2015”, disse Nuno Faria, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e primeiro autor do artigo.

Segundo Faria, o Zika teria sido introduzido no Nordeste brasileiro em fevereiro de 2014. Nesse ano, é provável que tenha havido alguma transmissão pela região, mas não muito acentuada.

“O grande surto aconteceu muito provavelmente em 2015, simultaneamente ao de dengue. Do Nordeste, o Zika teria se espalhado para a região Sudeste do Brasil [Rio de Janeiro, inicialmente] e também para o Caribe e outros países da América do Sul e Central, chegando à Flórida”, disse.

As conclusões se baseiam na análise de 254 genomas completos do patógeno – 54 dos quais sequenciados para este estudo. A maior parte desses novos dados genéticos foi obtida com um sequenciador portátil conhecido como MinION, da Oxford Nanopore Technologies, que pesa menos de 100 gramas.

Os protocolos que permitiram usar essa tecnologia no sequenciamento do Zika foram desenvolvidos no âmbito do projeto ZiBRA e renderam um segundo artigo publicado também no dia 24 na revista Nature Protocols.

“Esse teste foi usado pela primeira vez em 2015, na África, durante a epidemia de Ebola. A grande vantagem é que ele pode ser feito no local em que o caso é notificado, permitindo acompanhar a trajetória do vírus em tempo real. O aparelho é menor do que um telefone celular e é capaz de sequenciar o genoma completo de microrganismos – em breve, também de organismos maiores”, disse Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMT) da Universidade de São Paulo (USP) e coautora do artigo.

Quanto maior é o número de sequências geradas, acrescentou Sabino, mais fácil se torna entender quando o vírus entrou no país, como ele se distribuiu no continente e, principalmente, de que forma está evoluindo.

Essa análise é possível graças a uma técnica conhecida como relógio molecular, que avalia as substituições nas sequências de certos genes.

Essas modificações ocorrem a uma taxa relativamente constante e os genes funcionam como se fossem cronômetros, indicando o tempo de divergência entre diferentes isolados virais.

“A ideia do projeto surgiu em 2016, quando parte do grupo publicou na revista Science os primeiros achados epidemiológicos e genéticos do Zika na Américas. Na época, havíamos sequenciado sete isolados virais. O número de amostras ainda era insuficiente para ter uma noção ampla da diversidade do vírus no continente”, disse Luiz Carlos Alcântara, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia.

O projeto ZiBRA foi aprovado em uma chamada de propostas lançada em conjunto pelas agências de fomento britânicas Medical Research Council, Newton Fund e Wellcome Trust.

Aos esforços se uniram pesquisadores financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), FAPESP, Fiocruz, Instituto Evandro Chagas, Ministério da Saúde, USP, Universidade de Birmingham (Reino Unido) e Universidade de Oxford.

Um laboratório móvel foi montado em um ônibus, que visitou ao longo de 2016 os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

Além de Alcântara, Faria e Sabino, também coordenaram a iniciativa os pesquisadores Nicholas Loman, da Escola de Biociências da Universidade de Birmingham, Oliver Pybus, do Departamento de Zoologia da University of Oxford, e Marcio Nunes, do Instituto Evandro Chagas do Pará.

“Analisamos, em cada Lacen, entre 300 e 400 amostras de sangue de pacientes com suspeita de Zika – totalizando 1.330 exames. Fazíamos o diagnóstico com PCR em tempo real [método capaz de detectar o RNA viral na amostra] e, quando dava positivo, o material genético do vírus era sequenciado”, contou Alcântara.

Com o apoio de outros dois laboratórios fixos na Fiocruz da Bahia, em Salvador, e no IMT-USP, em São Paulo, também foram sequenciados isolados da região Sudeste e do Tocantins.

Ainda no âmbito do projeto ZiBRA, foram analisados os genomas de quatro isolados virais do México e cinco da Colômbia – todos sequenciados nos Estados Unidos por colaboradores do grupo.

“As análises mostraram que os vírus encontrados nas diversas regiões brasileiras e nos vizinhos latino-americanos ainda não apresentam grande diversidade. Foram poucas mutações sofridas até o momento. Porém, com base no que foi observado no continente asiático, a tendência é que daqui a algum tempo o vírus esteja bastante diferente e, portanto, esse monitoramento precisa ser mantido. Caso não acompanhem a evolução viral, os testes usados no diagnóstico podem perder a eficácia”, disse Alcântara.

De acordo com o pesquisador, o vírus originário da África teria chegado à Ásia um pouco antes de 2007, quando causou a grande primeira epidemia na Micronésia.

Depois novos surtos foram registrados nas Filipinas (2012) e na Polinésia Francesa (2013 e 2014). Estima-se que em seguida teria chegado ao Brasil, onde o maior número de casos foi registrado até agora (segundo o artigo já passavam de 200 mil em dezembro de 2016).

“Desde que saiu do continente africano, o vírus já mudou bastante. Provavelmente, daqui a sete ou dez anos, a diversidade aqui nas Américas vai estar bem maior. Precisamos fazer a vigilância genômica para estarmos preparados se um novo surto vier”, disse Alcântara.

ZiBRA2

Além de auxiliar os Lacen no diagnóstico de centenas de casos suspeitos ao longo de 2016, os pesquisadores do ZiBRA também ensinaram as equipes que participaram ao longo da viagem a fazer a vigilância genômica usando o sequenciador portátil MinION.

Agora, sob a coordenação de Alcântara, teve início uma segunda etapa do projeto na qual, além do Zika, serão monitorados também os vírus da dengue, chikungunya e febre amarela.

“Estamos indo para Manaus, onde montaremos um laboratório fixo para analisar amostras dos Lacen do Amapá, Roraima, Rondônia, Acre e Amazonas. Em outubro, vamos com um laboratório móvel para a região Centro-Oeste e, em março de 2018, seguiremos para o Sudeste. Como o aparelho é portátil, também pretendemos levá-lo para países como Venezuela, Haiti e Panamá”, disse Alcântara.

A fase atual do projeto conta com apoio do CNPq, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde.

Agência da ONU coordena esforços para padronizar diagnósticos de arboviroses nas Américas

22/05/2017

Mosquitos Aedes aegypti transmitem dengue, chikungunya e zika. Foto: AIEA

Fonte: ONU Brasil

Coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Rede de Laboratórios de Diagnóstico de Arbovírus (RELDA) reúne 32 instituições de 20 países. Organismo está empreendendo esforços para unificar os procedimentos de diagnósticos da zika, dengue, chikungunya, febre amarela e outras doenças transmitidas por mosquitos.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reuniu nesta semana, no Panamá, representantes das 32 instituições que formam a Rede de Laboratórios de Diagnóstico de Arbovírus (RELDA). Encontro discutiu padronização de procedimentos para a identificação de casos das doenças transmitidas por mosquitos nas Américas.

Essa foi a primeira reunião do grupo após a ampliação das atribuições da Rede — que passou a monitorar não apenas a dengue, mas também outras arboviroses, como zika, febre amarela e chikungunya. Atualmente, pelo menos nove arbovírus circulam em países e territórios do continente americano, incluindo o vírus do Nilo Ocidental, o mayaro e o oropouche.

Como já registrado anteriormente, esses agentes patogênicos podem gerar situações de emergência para as quais os laboratórios da região devem estar preparados, segundo as recomendações da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A vigilância e a identificação rápida dos arbovírus é uma prioridade da RELDA e, para isso, estão sendo estabelecidos algoritmos laboratoriais padronizados. “Ter protocolos de diagnóstico unificado nos permitirá identificar de forma confiável e rápida um caso de arbovirose em qualquer país da região, especialmente no início de um surto”, explicou o assessor regional para Doenças Virais da OPAS, Jairo Méndez.

“Isso ajudará as autoridades de saúde a tomarem as medidas necessárias para conter os surtos rapidamente”, acrescentou.

A OPAS, com financiamento dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, fornecerá material para assegurar a continuidade do diagnóstico molecular e sorológico de diferentes arbovírus. A Organização Pan-Americana da Saúde — que coordena a RELDA — também capacitará equipes de laboratório em cerca de 20 países e realizará visitas técnicas para melhorar as iniciativas dos membros da Rede.

Além de unificar protocolos laboratoriais diagnósticos, as instituições da RELDA concordaram em trocar informações, apoiar-se mutuamente nos esforços de identificação de casos das doenças, estabelecer um repositório de reagentes e mecanismos para seu intercâmbio entre países, fortalecer a vigilância e participar em programas de controle de qualidade promovidos pela OMS.

A ampliação e o fortalecimento da Rede de Laboratórios de Diagnóstico de Arbovírus nas Américas constituem uma das quatro linhas de ação acordadas na estratégia regional da OPAS de 2016 para combater arboviroses. As outras são: prevenção e controle, diagnóstico diferencial e manejo clínico, vigilância e gestão integrada de vetores.

 

Cientistas estudam fungos da Antártica em busca de medicamento contra dengue

22/05/2017

Pesquisadores do MycoAntar, projeto voltado para explorar o continente gelado da Antártica

Fonte: Agência Brasil

Cientistas mineiros estudam fungos da Antártica em busca de substâncias que possam servir para elaboração de medicamentos contra o vírus da dengue. O projeto Micologia Antártica ou simplesmente MycoAntar está realizando testes com mais de 5 mil extratos de substâncias obtidas. Dois deles já demostraram potencial para dar origem a antivirais para humanos, pois foram capazes de inibir o vírus da dengue com baixa toxicidade.

A iniciativa envolve pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre outras instituições. Durante cada Operação Antártica, que ocorre anualmente entre os meses de outubro e março, cientistas viajam ao continente gelado para realizar a coleta de fungos. As amostras, reunidas desde a criação do projeto em 2013, permitiu à UFMG constituir a maior coleção de fungos da Antártica do mundo. São cerca de 8 mil espécies.

Utilizando essas amostras, os cientistas da UFMG crescem os fungos em baixa temperatura e coletam extratos das substâncias produzidas. Eles são enviados para o Centro de Pesquisa Renê Rachou, da Fiocruz, sediado em Belo Horizonte. Lá são identificados os que manifestaram atividade biológica em contato com o vírus da dengue.

“Digamos que, de mil extratos, 100 foram ativos. Então, vamos mapear cada substância desses 100 extratos para testá-las individualmente. Já estamos nessa fase do estudo. Dois extratos já se mostraram mais promissores e agora vamos caracterizar todas as suas substâncias”, explicou Luiz Rosa, pesquisador da UFMG.

Também já foi identificada uma substância capaz de inibir o vírus da dengue, conhecida como meleagrina. No entanto, ela não é inédita. “Já havia sido observada em fungo marinho e agora nós a encontramos em um fungo da antártica. O problema é o seu preço. Apenas 1 miligrama vale US$ 1 mil. Mas pode ser que, de repente, nós descobrimos que esse fungo consegue produzi-la em maior quantidade. Ou quem sabe, no futuro, a gente consiga usar essa substância como modelo para criar uma molécula sintética que pode gerar um medicamento acessível”, acrescenta Rosa.

O cientista esclarece que o medicamento que buscam não será necessariamente capaz de eliminar a dengue. Pode ser, por exemplo, um remédio que alivie os sintomas de uma fase aguda ou que ajude a desenvolver uma vacina.

Biodiversidade

Com aproximadamente 14 milhões de quilômetros quadrados, a Antártica é territorialmente 1,6 vezes maior que o Brasil e 1,4 vezes maior que os Estados Unidos. Em toda essa extensão há uma grande variedade de seres vivos. No entanto, a vida do continente gelado é composta de poucos macroorganismos. A maior biodiversidade é microbiana, isto é, composta de bactérias, fungos, vírus, microalgas etc.

O isolamento da Antártica também faz com que muitas dessas espécies tenham características particulares e sejam exclusivas, não existindo em qualquer outra parte do mundo.

“Este ano nós descrevemos um fungo novo, azul, o que é muito raro. Então estas espécies que existem lá podem ter vias metabólicas únicas, o que pode levar a descoberta de substâncias inéditas”, esclareceu o pesquisador Luiz Rosa. A nova espécie foi encontrada na neve da Antártica e foi batizado de Antarctomyces pellizariae.

Os estudos com foco na busca por medicamentos contra a dengue estão mais avançados, mas também está sendo verificada a atividade das substâncias coletadas para os vírus da zika e da febre chikungunya, entre outras doenças. Luiz Rosa destacou a importância dos investimentos públicos no Mycoantar.

“As grandes indústrias farmacêuticas investem pouco nos estudos com doenças restritas aos países tropicais, que são geralmente países subdesenvolvidos. Isso porque pesquisas com essas enfermidades, como a dengue, a zika e a febre chikungunya, dão pouco retorno financeiro. Por isso, damos a elas o nome de doenças negligenciadas. Entretanto, elas nos afetam. Cabe aos órgãos públicos, como as universidades e a Fiocruz, desenvolverem esses estudos”, acrescentou o pesquisador.

Programa Antártico Brasileiro

O MycoAntar é um dos projetos que integram o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), voltado para exploração científica do continente gelado. Ele existe desde 1982 e é desenvolvido a partir do apoio operacional da Marinha e do financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) e de instituições de fomento à pesquisa.

Desde 1982, em todos os anos, uma Operação Antártica é realizada. Entre outubro e março, os pesquisadores viajam para o continente gelado em expedições com apoio logístico da Marinha. Em 2016, ocorreu a 35ª Operação Antártica. Embora as expedições tenham período determinado, os estudos vinculados ao Proantar são ininterruptos e têm prosseguimento durante todo o ano nos laboratórios das instituições brasileiras participantes.

Negligenciadas, doenças infecciosas ‘esquecidas’ ainda atingem milhares de brasileiros

15/05/2017

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Fonte: CBN

Assim como a febre amarela era encarada há até poucos meses, outros males são vistos como problemas de saúde pública superados. Hanseníase, tuberculose, leishmaniose e a doença de Chagas são algumas das que caíram no esquecimento da população, mas que, justamente por isso, ainda atingem milhares de pessoas.

O surto de febre amarela que atinge o Sudeste desde o ano passado teria sido evitado se a população que vive em área de mata tivesse sido vacinada antes. Mesmo com essa confirmação dada pelos infectologistas, outras doenças consideradas ‘do passado’, que também poderiam ser erradicadas, continuam sendo registradas no país.

As chamadas doenças negligenciadas são velhas conhecidas. Elas podem ser vencidas através de vacinação e de cuidados ainda mais essenciais, como saneamento básico, por exemplo. Quando são vistos como superados, muitos problemas de saúde são deixados de lado. Com o esquecimento, vem a negligência da população e das autoridades. E é neste momento que a doença ganha força e volta a fazer vítimas.

O vendedor Douglas Mello teve tuberculose e sífilis num intervalo de três anos. Ele tem 25 anos e disse que nem sabia que essas doenças ainda existiam.

‘Eu fiquei desesperado. Mas fiz o tratamento. Ele é doloroso. Não é um tratatmento de uma semana, de um mês e pronto, já está bom. É uma doença silenciosa. Quando ela vem, você tem que correr. Sofri muito preconceito’, diz. 

Outra doença grave e pouco lembrada é a hanseníase. Apesar de ter o número de novos casos reduzidos em 34% na última década, a enfermidade ainda faz milhares de vítimas no Brasil. O país ainda está longe de alcançar a meta imposta pela Organização Mundial da Saúde, de um caso para cada dez mil habitantes, e é o único que não atingiu o objetivo.

Atualmente, o Brasil tem uma taxa de infecção de 1,4 para cada dez mil pessoas. Junto com a Índia e a Indonésia, o país concentra 81% dos casos notificados no mundo.

Patrícia Gonçalves levou quase três anos pra conseguir um diagnóstico correto, outro sintoma da negligência. Ela chegou a fazer tratamento por reumatismo, o que piorou sua situação. Patrícia relata que, além dos impactos físicos da hanseníase, é difícil encarar a falta de informação e o preconceito até da própria família.

‘Também tem a questão familiar. Eles acabaram se afastando com medo de contrair a doença. Isso não deixa de ser um peso. No processo de cura, todo apoio é necessário’, afirma.

Apesar de atingir cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo inteiro, os estudos sobre as doenças negligenciadas são escassos. O principal motivo é a falta de interesse da indústria farmacêutica, já que essas enfermidades são mais comuns na população mais pobre, o que não gera retorno financeiro.

A bióloga Beatriz Stolf, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, desenvolve uma pesquisa com uma proteína que pode curar a leishmaniose, doença grave, porém esquecida. Ela critica a falta de incentivo.

O historiador Jaime Benchimol, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, explica que é possível controlar doenças devastadoras como a varíola, por exemplo, que não tem casos no país desde 1973. Mas, ele diz que às vezes, mesmo com esforços de todos os lados, não há sucesso, como é o caso da malária.

‘A varíola foi controlada com muito sucesso através de uma campanha mundial de vacinação. Houve uma grande campanha internacional de erradicação da malária que não funcionou, foi um fracasso. Os índices de malária caíram, mas a natureza pregou uma peça. Os insetos criaram resistência ao DDT. Os mosquitos voltaram a proliferar’, explica.

O Ministério da Saúde informou que em 2016, foram registrados 66,7 mil casos novos de tuberculose no Brasil. Em dez anos, a incidência da doença caiu 14%, com 32 casos por 100 mil habitantes. A meta até 2035 é chegar a dez.

Já a leishmaniose teve queda de 10% nos últimos dez anos no número de registros. Sobre a febre amarela, é importante lembrar que a última epidemia do tipo urbano foi nos anos 1940. O surto atual é considerado silvestre, já que a transmissão não é feita pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti.