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Fiocruz expande projeto que bloqueia transmissão de dengue a partir de bactéria

26/09/2017

Fonte: Portal Brasil

Com a intenção de reduzir e até bloquear a transmissão de dengue, chikungunya e zika, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) criou uma fábrica para liberação em larga escala de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia no Rio de Janeiro. A estrutura conta com capacidade de produção semanal de 10 milhões de ovos do mosquito com a bactéria.

Pesquisadores da Fiocruz comprovaram a ação da bactéria com estudo publicado em maio de 2016 na revista científica Cell Host & Microbe. Trazido ao País, o projeto estuda o uso da bactéria Wolbachia como uma alternativa natural, segura e autossustentável para o controle de dengue, chikungunya e zika.

Promovida pela Fiocruz, a iniciativa Eliminar a Dengue: Desafio Brasil iniciou como projeto piloto direcionado aos bairros de Tubiacanga e Niterói no ano passado. Com as atividades de 2017, 10 bairros da Ilha do Governador serão atendidos: Ribeira, Zumbi, Cacuia, Pitangueiras, Praia da Bandeira, Cocotá, Bancários, Freguesia, Tauá e Moneró. Na sequência, toda a Ilha do Governador será coberta.

“Esses mosquitos, ao serem soltos no campo, vão cruzar com os outros. A fêmea passa a bactéria através dos ovos e todos os seus descendentes já nascem com a bactéria Wolbachia. Seria como fazer a imunização da população de campo do mosquito”, explica o pesquisador-líder do projeto, Luciano Moreira.

Alcance

No recente processo de expansão, a fábrica funcionará ao lado do local atual destinado à criação de mosquitos e contará com mais espaço físico, equipamentos e técnicas específicos para o aumento da produção. A finalidade é suprir a maior demanda por mosquitos na fase atual do projeto.

De acordo com o planejamento do programa, o projeto se expandirá para outras localidades da cidade do Rio de Janeiro, nas zonas Norte e Sul. A liberação de mosquitos será encerrada até o final de 2018, quando as áreas beneficiadas pelo projeto reúnam cerca de 2,5 milhões habitantes.

Teste diagnostica dengue, zika e chikungunya em cinco horas

22/09/2017

170922 - Tabela

Fonte: Diário do Nordeste

Um projeto científico desenvolvido no Ceará pode dar resposta ao desafio da saúde pública de diagnosticar, de forma ágil, as principais epidemias do País: dengue, chikungunya e zika. Com altos custos e demora para obter resultados, os testes utilizados hoje no Estado têm se tornado empecilho para o tratamento adequado dos infectados e o planejamento de ações de vigilância. Para superar a dificuldade, pesquisadores criaram kits capazes de analisar as três arboviroses ao mesmo tempo e determinar, em poucas horas, qual delas se manifesta nos pacientes.

O teste rápido é fruto do trabalho realizado há cerca de um ano pela empresa cearense Greenbean Biotecnologia e coordenado pela professora Izabel Guedes, da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Segundo ela, o projeto tem por base a produção, em laboratório, de proteínas recombinantes dos vírus das três doenças e de reagentes específicos para cada uma delas. Esses reagentes, ao entrarem em contato com o sangue de pessoas infectadas, apenas terão efeito sobre as proteínas da arbovirose pela qual o paciente foi acometido. O resultado, conforme explica a professora, pode ser obtido em até cinco horas.

Vantagens

O método apresenta duas vantagens em relação aos exames atuais. Hoje, para chegar ao diagnóstico preciso, são necessários testes diferentes para dengue, chikungunya e zika. Além disso, os resultados podem levar até 10 dias para serem obtidos.

“A grande dificuldade é a demora para o diagnóstico. Quando ocorre, ao mesmo tempo, uma multivirose em Fortaleza, os sintomas se confundem e o medico saber qual é o vírus que está infectando o paciente. Isso tudo dificulta a conduta médica e também a recuperação do paciente, porque o médico tem que esperar o resultado do teste”, afirma Izabel.

“Ainda tem a questão da vigilância. Se você souber de antemão se está circulando mais zika, mais dengue ou mais chikungunya numa determinada região, a vigilância pode tomar medidas e traçar estratégias mais eficientes”, completa.

Além da maior rapidez, a utilização dos testes desenvolvidos no Estado reduziria custos. Os kits atuais contem reagentes importados, o que aumenta o valor do material. “Esse alto custo dificulta fazer diagnósticos durante uma epidemia, então apostamos em testes mais baratos, que tenham condições de testar maior número de pacientes ao mesmo tempo e dar resultado rápido”, destaca Izabel.

Disponibilização

A coordenadora do projeto explica que os testes ainda estão em fase de experimentação, mas já apresentam resultados promissores. No entanto, não é possível definir quando poderão ser fabricados em larga escola e disponibilizado no Estado. A expectativa da equipe é que isso aconteça até o próximo ano.

“Esperamos que os testes tenham o interesse da Secretaria da Saúde, mas ainda precisa passar pela parte burocrática das boas práticas de laboratório, confirmações, análises estatísticas e outros processos”, diz.

O último boletim de arboviroses da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), datado de 1º de setembro, revelou que, neste ano, já foram confirmados 20.884 casos de dengue (12 óbitos), 82.017 de chikungunya (87 óbitos) e 483 de zika. De acordo com o órgão, a distribuição dos casos acontece por todas as faixas etárias, com maior incidência entre adultos jovens e pacientes do sexo feminino

Aplicativo facilita a identificação morfológica de triatomíneos

22/09/2017

160922 - TriatloDex

O TriatoDex tem como objetivo principal facilitar a identificação morfológica de triatomíneos (Hemiptera: Reduviidae). Este App é diferente das chaves dicotômicas tradicionais e apresenta até oito potenciais respostas para uma pergunta. Há imagens que auxiliam na observação de estruturas para todos os passos. Em cada pergunta o app apresenta o número de possíveis espécies e a lista das espécies. A qualquer momento, é possível acessar as perguntas respondidas e corrigir algum passo, caso seja necessário. Na lista de possíveis espécies, informações sobre os descritores, distribuição geográfica, tamanho, habitats e importância médica das mesmas podem ser acessadas.
Existem 150 espécies de triatomíneos descritas e a identificação correta delas é fundamental para a vigilância da doença de Chagas. Como a maioria dos triatomíneos pode ser identificada utilizando caracteres morfológicos externos, chaves dicotômicas têm sido uma ferramenta fundamental para a identificação taxonômica, embora a sua utilização é limitada pela necessidade de taxonomistas experientes.
Alternativas, tais como identificação baseada em taxonomia molecular têm sido exploradas, mas o seu alto custo e limitada eficácia para alguns grupos diminuem sua aplicabilidade em larga escala.
Dessa forma há necessidade de desenvolvimento de novas estratégias de identificação de triatomíneos que:
a) sejam mais fáceis de serem utilizadas,
b) sejam mais ilustradas e auto-explicativas,
c) atinjam um público maior de entomologistas e
d) promovam uma rápida identificação.
O objetivo foi desenvolver uma chave interativa para identificação de todas as espécies da subfamília Triatominae. Foram consultadas as chaves atualmente disponíveis e obtidas fotos de triatomíneos provenientes de coleções científicas para selecionar os caracteres mais importantes para a identificação.
Um banco de dados com imagens de estruturas, fotos de triatomíneos e mapas foi organizado e usado para construção de um aplicativo (App) para utilização em celulares Android. O App foi desenvolvido usando um software Android estúdio em conjunto com uma biblioteca desenvolvida pela Google com Java Versão 8.
Em qualquer momento da identificação, o App mostra as possíveis espécies e ainda permite retornar para perguntas anteriores a critério do usuário. No total foram incluídas todas as 148 espécies de triatomíneos existentes (duas espécies fósseis não foram incluídas). Para desenvolvimento do aplicativo foram elaboradas 79 perguntas com até 8 respostas. Ao todo foram utilizadas 254 imagens de estruturas morfológicas, 150 fotos dorsais completas de triatomíneos e 150 mapas.
O aplicativo apresenta um menu principal com cinco opções:
a) pesquisar: acesso as perguntas usadas para identificação,
b) estruturas morfológicas: visualização das principais estruturas usadas durante a identificação (cabeça, tórax, pernas, abdômen),
c) possíveis espécies: visualização das espécies incluídas no aplicativo,
d) respostas recentes: visualização das perguntas respondidas, onde é possível apagar e corrigir eventuais erros durante o processo,
e) resetar busca: permite reiniciar um processo de identificação.
Por exemplo, a primeira pergunta (morfologia do rostro) apresenta 3 respostas:
a) com 3 segmentos, reto, curto, com conexão membranosa entre o  2ª e 3º,
b) com 3 segmentos, curvo e
c) com 4 segmentos, longo.
Ao lado de cada resposta existe um ícone que dá acesso a imagem correspondente a cada resposta. No canto inferior direito é possível visualizar o número de espécies restantes.
O usuário ao selecionar uma opção é levado diretamente a outra pergunta até finalizar a identificação, quando é apresentada a foto colorida do triatomíneo identificado, sua distribuição geográfica, tamanho e outras informações (descritores, habitat e importância médica).
O aplicativo está em fase de validação por especialistas e está disponível no Google Play Store para acesso gratuito. Espera-se que o Triatodex seja usado amplamente para auxiliar profissionais da área de vigilância e controle de vetores da doença de Chagas, fornecendo meios para uma identificação mais eficaz em seus trabalhos de rotina.

UFMG abre concurso para professor na área de protozoologia

15/09/2017
UFMG
O Instituto de Ciências Biológias da Universidade Federal de Minas Gerais, ICB/UFMG, publicou edital do concurso para preenchimento de uma vaga na área de conhecimento de protozoologia.
Outras informações neste link:  https://www.icb.ufmg.br/institucional/concursos/em-andamento/edital-490-2017-professor-adjunto-a-departamento-parasitologia-area-de-conhecimento-protozoologia

Dados do Ministério da Saúde indicam mais mortes por chikungunya do que por dengue em parcial de 2017

15/09/2017

Febre de chikungunya e dengue: transmitidas pelo mesmo vetor

Fonte: R7

Em 2017, o número de mortes por febre de chikungunya é maior do que o número de mortes por dengue no Brasil na última parcial divulgada pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, sobre essas doenças.

Até a 33ª semana epidemiológica, encerrada em 19 de agosto, foram confirmados laboratorialmente 86 óbitos por chikungunya –o maior número em abril (25) e maio (29). Outras 168 mortes estão em investigação e podem ser atribuídas à doença ou não. Em relação à dengue, foram confirmados no mesmo período 83 óbitos –222 estão em investigação e podem ser confirmados ou descartados.

A dengue segue à frente em número de casos: foram registrados 214.990 casos prováveis em 2017, ante 167.813 de chikungunya.

Embora neste ano não haja epidemia de dengue no país como ocorreu em 2016, o que contribui para a redução da quantidade de óbitos, o número de mortes por chikungunya chama a atenção dos especialistas, pois a febre chikungunya até então não era tida como uma doença mortal –as consequências da enfermidade ainda estão em estudo pela ciência.

Os dados do boletim epidemiológico são provisórios, mas ajudam os gestores da saúde nas tomadas de decisões e na orientação da política pública da área.

A febre de chikungunya, a dengue e também a febre pelo vírus Zika são transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti.

Carta Aberta de Búzios – Moção

13/09/2017

XXV CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PARASITOLOGIA – SBP. Em carta aberta, a SBP se manifesta em defesa dos direitos à saúde e proteção social da população.

SBP convida a sociedade brasileira e convoca os gestores e profissionais da saúde comprometidos com o País a se posicionarem pelos direitos humanos, pela proteção social, pela educação pública gratuita, pela ciência e tecnologia nacionais e pelo fortalecimento do SUS.

 

CARTA ABERTA DE BÚZIOS

A Sociedade Brasileira de Parasitologia (SBP), reunida em Búzios, durante o seu XXV congresso, em Carta Aberta à Sociedade, manifesta-se em defesa dos direitos à saúde e proteção social da população brasileira garantidos na Constituição Federal.

A SBP alerta para o retrocesso nas políticas públicas de financiamento à Ciência, Tecnologia e Inovação, na proteção social e ambiental, na saúde do povo brasileiro e que ameaça a soberania nacional. Desta forma a SBP se manifesta contrária aos cortes orçamentários impostos ao MEC e ao MCTIC.

A saúde da população brasileira encontra-se fortemente ameaçada pelo aumento da vulnerabilidade social, em curso no país. As doenças parasitárias que atingem grande parte da população, têm como determinantes principais a pobreza, a fome, a miséria, o desemprego, a violência, a falta de saneamento, consequentes do descaso politico e social.

As politicas implementadas pelo governo atual aprofundam a desigualdade entre as classes sociais e não contribuem para diminuir a dívida histórica da sociedade para com os menos favorecidos. As Universidades, os Institutos de Pesquisa públicos e as políticas de Ciência e Tecnologia precisam das condições, para manter os avanços dos últimos anos, para contribuir no desenvolvimento da soberania nacional.

A SBP convida a sociedade brasileira e convoca os gestores e profissionais da saúde comprometidos com o Brasil a se posicionarem pela defesa dos direitos humanos, pela proteção social, pela educação pública gratuita, pela ciência e tecnologia nacionais e pelo fortalecimento do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Búzios, 05 de setembro de 2017

Pesquisa mostra que parasita que causa malária em macacos pode infectar humanos

05/09/2017

De acordo com a secretaria de Saúde mineira, 65 municípios já confirmaram mortes de macacos por febre amarela (Arquivo/Fábio Massalli)

Fonte: Agência Brasil

Um estudo liderado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que um parasita que causava malária apenas em macacos está relacionado a casos humanos ocorridos na região de Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Publicado hoje (31) na revista científica The Lancet Global Health, o trabalho demonstra que o estado do Rio de Janeiro é o segundo foco encontrado no mundo com transmissão desse tipo de malária. O primeiro local em que o protozoário foi encontrado em humanos foi na Malásia, na Ásia.

Conhecido como Plasmodium simium, o parasita foi responsável pela infecção de 28 pessoas na região de Mata Atlântica fluminense em 2015 e 2016. Enquanto de 2006 a 2014, o Rio registrava média de quatro casos autóctones (locais) de malária por ano, em 2015 e 2016, esse índice subiu para 33 e 16, respectivamente. Com a descoberta, o protozoário torna-se causador do sexto tipo de malária humana. No Brasil, a doença era conhecidamente causada por três espécies do gênero PlasmodiumP. vivaxP. falciparum e P. malariae.

De acordo com o coordenador do estudo, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) a descoberta tem impacto relevante para a saúde pública, por representar uma nova forma de infecção.

“A partir dos dados trazidos por esse estudo, é razoável supor que uma nova modalidade de transmissão, envolvendo macacos, mosquitos prevalentes na região e um parasita diferente do P. vivax encontrado na Amazônia está causando os casos nas regiões da Mata Atlântica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em outros estados”, disse. “No entanto, do ponto de vista da vigilância epidemiológica, os casos de malária que detectamos representam uma parcela mínima dos registros da doença no país. Além disso, todos os pacientes diagnosticados com a infecção apresentaram apenas sintomas leves e se recuperaram rapidamente após o tratamento”, disse Daniel-Ribeiro, que também é coordenador do Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fiocruz.

O tratamento contra malária varia conforme o tipo do protozoário que causa a doença e é feito com medicamentos antimaláricos. O principal sintoma da doença é a febre e pode haver dores de cabeça, no corpo e nas articulalções. O parasita P. falciparum causa o tipo mais grave da malária, é encontrado na Região Amazônica e pode levar até a morte do doente. Segundo o estudo, a malária da Mata Atlântica costuma ter poucos sintomas e raramente é motivo de internação hospitalar.

Além da Fiocruz, colaboraram para o estudo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Goiás (UFG), o Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea), o Programa Nacional de Controle e Prevenção da Malária do Ministério da Saúde, além da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, e a Universidade de Nagasaki, no Japão.

Sinal de alerta

A maior prevalência dos casos de malária no país está na Região Amazônica, com índice que supera 99% de todo o registro nacional. Contudo, a crescente constatação de infecções em áreas de Mata Atlântica do Rio despertou a atenção dos especialistas, pois os casos de malária em humanos foram considerados eliminados há cerca de 50 anos na região.

Em quase todos os casos analisados durante as investigações, o diagnóstico inicial apontava pequenas diferenças morfológicas entre o parasita encontrado e o P. vivax, que comumente infecta indivíduos na região amazônica. As análises indicavam uma maior semelhança entre os parasitas fluminenses e descrições anteriores do P. simium na literatura científica.

Ainda não é possível determinar se o parasita adquiriu a capacidade de infecção de seres humanos recentemente ou se a malária zoonótica já infectava seres humanos no local antes da eliminação da doença na região. Para dimensionar a ameaça apresentada pelo P. simium será necessário aprofundar os estudos, informou o pesquisador.

Análise de mais amostras de humanos, primatas e mosquitos deve determinar a área de circulação do parasita. Ele informou que também será preciso investigar se a transmissão do  ocorre apenas a partir dos macacos ou se as pessoas doentes podem apresentar quantidade suficiente desses protozoários no sangue para infectar mosquitos durante a picada e, consequentemente, os insetos contaminarem outros indivíduos.