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Malária na mira de pesquisadores

15/03/2018

Início

Fonte: Unicamp

As causas do avanço da enfermidade são variadas, entre elas a falta de investimento público nas ações de controle. Independentemente das deficiências das políticas públicas e do comportamento cíclico da malária, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de diferentes áreas do conhecimento, não descuidam da doença em seus estudos.

Documentos : impressao_boxnet_2018-03-12_-_12h31m51s.pdf

Nota de Pesar Prof. Dr. Geraldo Attilio De Carli

22/02/2018
A Sociedade Brasileira de Parasitologia vem a público manifestar seu pesar e sua solidariedade a família, aos amigos, alunos e admiradores do prof.  Dr. Geraldo Attilio De Carli que faleceu na última terça-feira (13/02/2018).

Antimicrobiano usado em cosméticos pode ser opção contra a malária

21/02/2018

Resultado de imagem para Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Fonte: Unicamp

Um estudo conduzido na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que o triclosan – composto antimicrobiano encontrado em sabonetes, cremes dentais, desodorantes e muitos outros produtos – é capaz de inibir genes-alvo do parasita causador da malária em duas fases cruciais do seu ciclo de vida em humanos: o hepático, quando se reproduz nas células do fígado, e o eritrocitário, nas células do sangue.

Brasil relata forte aumento de casos de febre amarela

21/02/2018

Resultado de imagem para forte aumento de casos de febre amarela

Fonte: Estados de Minas

O Brasil, epicentro do surto de febre amarela que afeta regiões das Américas há dois anos, notificou um forte aumento de casos em janeiro, em particular perto de São Paulo e Rio de Janeiro, anunciou nesta terça-feira (20) a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS).

“Durante as primeiras quatro semanas de 2018 foi observado um aumento exponencial do número de casos confirmados de febre amarela”, declarou a OPS em sua mais recente atualização epidemiológica sobre a doença.

“Os casos reportados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro ultrapassam significativamente o notificado no período sazonal anterior, 2016-2017, com casos registrados em áreas próximas às grandes cidades”, acrescentou.

A OPS, organismo regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que entre 1º de julho de 2017 e 15 de fevereiro de 2018, foram reportados no Brasil 409 casos humanos confirmados de febre amarela, incluindo 118 mortes.

O estado mais atingido foi São Paulo (183 casos, incluindo 46 falecimentos), seguido por Minas Gerais (157, 44), Rio de Janeiro (68, 27) e Distrito Federal (um caso fatal).

Também foram notificados no Brasil casos confirmados de febre amarela em dois viajantes europeus não vacinados que estiveram em municípios considerados de risco por evidência prévia de circulação da doença.

– Aedes aegypti não envolvido –

A febre amarela é uma doença viral aguda transmitida em zonas florestais pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que atinge principalmente os primatas não humanos. Acidentalmente, os humanos acabam infectados por picadas de mosquitos portadores do vírus.

Em áreas urbanas, o vetor da febre amarela é o mosquito Aedes aegypti, mas a OPS negou por enquanto casos humanos causados por este inseto.

“Até esta data, não há evidências de que o Aedes aegypti esteja envolvido na transmissão”, declarou.

Segundo o último boletim, os locais prováveis de infecção de todos os casos confirmados correspondem a áreas com ocorrências documentadas de febre amarela em primatas não humanos.

Entretanto, disse que o Brasil informou da detecção do vírus da febre amarela em mosquitos Aedes albopictus, um tipo próprio de áreas periurbanas.

As áreas com maior incidência de casos confirmados no Brasil são os municípios de Mairiporã (a 15 quilômetros de São Paulo), Teresópolis (a 96 quilômetros do Rio de Janeiro) e os que se localizam a sul e sudeste de Belo Horizonte, onde não haviam sido detectados casos humanos no período de 2016-2017.

– Casos no Peru –

Além do sudeste do Brasil, de onde se expandiu esse surto de febre amarela há dois anos, o Peru relatou novos casos da doença em janeiro, anunciou a OPS.

As autoridades peruanas informaram de três prováveis doentes de febre amarela nas quatro primeiras semanas de 2018, um dos quais faleceu. Dos dois casos que sobreviveram, um foi confirmado pelo laboratório.

De janeiro a dezembro de 2017, o Peru notificou um total de 14 casos de febre amarela.

Junto com Brasil e Peru, outros cincos países e territórios americanos reportaram casos confirmados de febre amarela entre janeiro de 2016 e janeiro de 2018: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Peru e Suriname, detalhou a OPS.

“Durante este período foi notificado o maior número de casos humanos e epizootias registrados na região das Américas em várias décadas”, indicou.

Segundo dados da OPS, na temporada sazonal 2016-2017 foram relatados mais de 800 casos, em sua maioria no sudeste do Brasil.

A febre amarela provoca altas temperaturas, calafrios, cansaço, dores de cabeça e musculares, geralmente associadas a enjoos e vômitos. Os casos severos levam à insuficiência renal e hepática, icterícia e hemorragia.

A vacina é a medida preventiva mais importante.

OMS divulga lista de doenças e patógenos prioritários para pesquisa e desenvolvimento em 2018

16/02/2018

140218 patogenosprioritarios

Fonte: OMS

14 de fevereiro de 2018 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou a revisão de sua lista de agentes patogênicos prioritários, que podem causar uma emergência de saúde pública e para as quais não existem medidas suficientes ou contramedidas. O organismo internacional pede que a comunidade médica una esforços de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de tratamentos e vacinas para ajudar a controlar possíveis surtos de oito doenças.

Análise anual de 2018 da lista Blueprint de doenças prioritárias

A OMS desenvolveu uma ferramenta especial para determinar quais doenças e patógenos priorizar para a pesquisa e desenvolvimento em contextos de  emergência de saúde pública. Essa ferramenta busca identificar as enfermidades que representam um risco para a saúde pública devido ao seu potencial epidêmico e para as quais não existem contramedidas ou medidas suficientes. As doenças identificadas por meio desse processo são o foco do trabalho de R&D Blueprint (planos de P&D). Esta não é uma lista exaustiva, nem indica as causas mais prováveis de uma próxima epidemia.

A primeira lista com doenças prioritárias para P&D foi lançada em dezembro de 2015.

Utilizando uma metodologia de priorização já publicada, a lista foi revisada pela primeira vez em janeiro de 2017.

A segunda revisão anual ocorreu entre 6 e 7 de fevereiro de 2018.

Os especialistas consideram que, dado o potencial dessas doenças e patógenos de causar uma emergência de saúde pública, além da ausência de drogas e/ou vacinas eficazes, existe uma necessidade urgente de acelerar a pesquisa e desenvolvimento para:

  • Febre Hemorrágica da Crimeia-Congo;
  • Doença do vírus ebola e febre hemorrágica de Marburgo;
  • Febre de Lassa;
  • Síndrome respiratória coronavírus do Oriente Médio (MERS) e síndrome respiratória aguda severa (SARS);
  • Infecção pelo vírus Nipah e doenças relacionadas aos henipavírus;
  • Febre de Vale do Rift;
  • Vírus zika;
  • Doença X.

A “doença X” representa o conhecimento de que uma grave epidemia internacional poderia ser causada por um patógeno atualmente desconhecido, que levaria a doenças humanas. Por isso, os planos de pesquisa e desenvolvimento buscam explicitamente habilitar a preparação de P&D transversal, que também é relevante para uma “doença X” desconhecida na medida do possível.

Uma série de doenças adicionais foram discutidas e consideradas para inclusão na lista de prioridades, entre elas: febres hemorrágicas virais, além da febre de Lassa; chikungunya; doenças causadas pelo coronavírus altamente patogênicas, além de MERS e SARS; enterovírus não polio (incluindo EV71, D68) emergentes; e febre grave com síndrome de trombocitopenia (SFTS). Essas doenças representam grandes riscos para a saúde pública e pesquisas e desenvolvimento adicionais são necessários, incluindo vigilância e diagnóstico. Devem ser vistas com cuidado e reconsideradas na próxima revisão anual. São encorajados esforços no ínterim para compreendê-las e mitigá-las.

Apesar de não estarem incluídas na lista de doenças a serem consideradas na reunião de revisão, foram discutidos os tipos de varíola dos macacos e leptospirose e especialistas ressaltaram os riscos que eles representam à saúde pública. Houve concordância sobre a necessidade de: avaliação rápida das contramedidas possíveis; estabelecimento de vigilância e diagnóstico mais abrangentes; e aceleração de pesquisas e desenvolvimento, além de ações de saúde pública.

Várias doenças estão fora do escopo atual do plano: dengue, febre amarela, HIV/aids, tuberculose, malária, gripe causadora de doenças humanas graves, varíola, cólera, leishmaniose, vírus do Nilo Ocidental e peste. Essas doenças continuam representando grandes problemas de saúde pública e pesquisas e desenvolvimento adicionais são necessários por meio das principais iniciativas de controle de doenças existentes, extensas etapas de pesquisa e desenvolvimento, fluxos de financiamento existentes ou caminhos regulatórios estabelecidos para intervenções melhoradas.

Os especialistas reconheceram, em particular, a necessidade de melhores diagnósticos e vacinas para a peste pneumônica e suporte adicional para terapias mais eficazes contra a leishmaniose. Os especialistas também notaram que:

  • Para muitas das doenças discutidas, bem como para muitas outras com potencial de causar uma emergência de saúde pública, é necessário um melhor diagnóstico.
  • Os medicamentos e vacinas existentes precisam de melhorias adicionais para várias das doenças consideradas, mas não incluídas na lista de prioridades.
  • Qualquer tipo de patógeno pode ser priorizado sob o R&D Blueprint, não apenas vírus.
  • A pesquisa necessária inclui pesquisa básica/fundamental e de caracterização, bem como estudos epidemiológicos, entomológicos ou multidisciplinares ou ainda esclarecimento adicional das rotas de transmissão, bem como pesquisa em ciências sociais.
  • É necessário avaliar o valor, sempre que possível, do desenvolvimento de contramedidas para múltiplas doenças ou para famílias de agentes patogênicos.

O impacto das questões ambientais sobre doenças com potencial de causar emergências de saúde pública foi discutido e pode ser considerado como parte de futuras revisões. A importância das doenças discutidas foi considerada para populações especiais, como refugiados, populações internamente deslocadas e vítimas de catástrofes.

O valor de uma abordagem One Health foi enfatizado, incluindo processos paralelos de priorização para a saúde animal. Tal esforço apoiaria pesquisa e desenvolvimento para prevenir e controlar doenças animais, minimizando o alastramento e aumentando a segurança alimentar. Também foi observada a utilidade possível de vacinas animais para prevenir emergências de saúde pública.

Além disso, há esforços concertados para enfrentar a resistência antimicrobiana por meio de iniciativas internacionais específicas. A possibilidade de que, no futuro, um patógeno resistente possa emergir e ser priorizado adequadamente não foi excluída.

A ordem de doenças desta lista não indica qualquer classificação de prioridade.

Pesquisadores encontram vírus da febre amarela em novo tipo de mosquito

16/02/2018

Resultado de imagem para O mosquito , conhecido como Tigre Asiático

Fonte: Rádio EBC

Agora, cientistas investigam se o mosquito conhecido como Tigre Asiático criou um ciclo intermediário entre a febre amarela silvestre e a urbana.

Pesquisadores descobriram uma espécie de mosquito que pode carregar o vírus da febre amarela silvestre para regiões urbanas. Os insetos foram capturados no ano passado, nos municípios de Alvarenga e Itueta, no leste de Minas Gerais, perto da divisa com o Espírito Santo.

O mosquito é da espécie Aedes albopictus – um primo do Aedes aegypti, conhecido como Tigre Asiático. Para Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, a grande quantidade de macacos infectados pelo vírus da febre amarela pode explicar a contaminação dos mosquitos.

Aedes albopictus também transmite dengue e, em alguns países daÁsia, o vírus zika. Não se sabe se existe a relação desse mosquito com os casos de zika no Brasil.

Os cientistas vão estudar mais amostras do inseto em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 60 dias, vão saber se o Tigre Asiático leva o vírus da febre amarela silvestre para as cidades. No Brasil, a febre amarela tem dois ciclos: a silvestre, transmitida por mosquitos Haemagogus e Sabethes, na região de matas e que contamina principalmente os macacos; e a febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegypti, e que atinge os humanos.

Desde 1942, o país não registra casos de febre amarela urbana. Agora, os pesquisadores investigam se o Tigre Asiático criou um ciclo intermediário entre a febre amarela silvestre e a urbana. Isso nos colocaria ao lado de regiões da África, onde também existe um ciclo intermediário da doença. Pedro Vasconcelos destacou que o objetivo é saber se a quantidade de vírus que o Tigre Asiático carrega é inofensiva ou se pode transmitir febre amarela.

Desde o dia primeiro de julho do ano passado, o Ministério da Saúdeconfirmou 407 casos de febre amarela e 118 mortes. Os estados mais afetados foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o Distrito Federal.

Apesar dos números, a campanha de vacinação, que terminaria neste fim de semana, imunizou apenas 3 milhões e 900 mil pessoas no Rio e em São Paulo. Menos de 20% do público-alvo. A meta é atingir 95% de cobertura. Por isso, o ministro da saúde, Ricardo Barros, fez um apelo para que a população destes estados compareçam aos postos de vacinação.

A vacinação contra febre amarela em São Paulo e no Rio de Janeiro  foi prorrogada por tempo indeterminado. Neste sábado, São Paulo terá mais um Dia D, de mobilização, e, na segunda-feira, também começa a vacinação na Bahia.

As 3 teses que tentam explicar como a febre amarela rompeu fronteiras da Amazônia e atingiu o Sudeste

08/02/2018
Mosquito silvestre

BBC Brasil

Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, atingindo parques e matas próximos de grandes centros urbanos de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo?

Cientistas se debruçam sobre três teses que tentam explicar o fenômeno. A partir do ano passado, o número de casos da doença alcançou níveis sem precedentes nos últimos 50 anos, provocando correrias a postos de saúde – inclusive de pessoas que não se encontram em áreas de risco.

Segundo o Ministério da Saúde, desde o início de 2017 foram confirmados 779 casos, 262 deles resultando em mortes – o maior surto de febre amarela silvestre (ou seja, transmitida em área de floresta) da história. Outros 435 registros ainda estão sob investigação.

Casos de pessoas infectadas no Sudeste começaram a ser registrados no início dos anos 2000, afirmam especialistas, e já havia a indicação de que a doença estava progressivamente migrando para o litoral leste do país. O que pegou alguns pesquisadores de surpresa foi a rapidez com que o vírus se espalhou.

De acordo com uma das teorias que tentam explicar essa migração, um humano infectado na Amazônia teria se deslocado em seguida para alguma região de Mata Atlântica, possivelmente em Minas Gerais, e sido picado lá por outros mosquitos, que teriam depois espalhado a doença.

Uma segunda hipótese é a de que insetos que adquiriram o vírus na Amazônia foram se deslocando progressivamente para o sul do país, por meio de corredores de floresta e rios, passando por Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro. A estimativa é que um mosquito seja capaz de voar por cerca de 3 km por dia.

Uma terceira teoria aponta desequilíbrios ambientais causados pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), como fator responsável por multiplicar casos de contaminação por febre amarela. Segundo essa teoria indica, o desastre ambiental eliminou predadores dos mosquitos, aumentando a população desses insetos.

Descobrir o que provocou a chegada do vírus ao Sudeste e o aumento inesperado de casos é importante, segundo especialistas, para detectar por onde a doença ainda deve passar e adotar medidas de prevenção contra novos surtos, com campanhas de vacinação e de eliminação de focos de mosquito.

Como tudo começou…

O vírus da febre amarela existe no Brasil desde os tempos coloniais.

Os navios portugueses vindos da África no século 17 e 18 não trouxeram ao Brasil somente africanos escravizados e mercadorias. Dois inimigos silenciosos do homem vieram junto – o vírus da febre amarela, presente no corpo dos passageiros, e o mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue, chikungunya e zika.

As consequências foram uma série de surtos de febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos. Diferentemente do que ocorre hoje, a doença predominava nas cidades, não nas florestas, e era transmitida pelo Aedes aegypti, não por mosquitos silvestres (que vivem em matas).

No século 20, campanhas de erradicação do Aedes aegypti conseguiram acabar com a febre amarela urbana. Mas o vírus já tinha migrado – pelo trânsito de pessoas infectadas – para zonas de floresta na região Amazônica, e passou a ser transmitido apenas por mosquitos silvestres de duas categorias, Haemagogus e Sabethes.

“A partir da febre amarela urbana, as pessoas, entrando na mata, introduziram o vírus no ambiente silvestre. O fato é que, na Amazônia, o vírus ficou até hoje. Na Mata Atlântica, ficou até 1940, quando se extinguiu o ciclo silvestre na região”, explica Falqueto.

No início dos anos 2000, alguns casos de febre amarela começaram a ressurgir em áreas da Mata Atlântica, segundo o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz. A partir de dezembro de 2016, o número de infectados explodiu em algumas regiões de Minas Gerais e Espírito Santo, caracterizando um surto. E, entre 2017 e 2018, registros de febre amarela cresceram rapidamente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Vacinação contra febre amarela

Teoria 1 – vírus trazido pelo homem

Alguns pesquisadores argumentam que o vírus desceu do Norte para o Sudeste do país porque um ser humano infectado na Amazônia foi para a Mata Atlântica e acabou sendo picado por outros mosquitos silvestres que espalharam a doença.

“A minha teoria é o elemento urbano. Muitas pessoas migram para a Amazônia sem tomar vacina. Uma pessoa pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, possivelmente na altura de Montes Claros, em Minas Gerais, onde surgiram casos de macacos e pessoas infectadas”, defende o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

O pesquisador destaca que, uma vez na Mata Atlântica, o vírus se espalhou rapidamente, já que lá havia uma grande quantidade de alimentos para os mosquitos – sangue de macacos. E os primatas dessa floresta estavam vulneráveis – não tinham desenvolvido anticorpos, uma vez que o vírus havia desaparecido da região na década de 1940.

Os mosquitos Sabethes Haemagogus, atuais transmissores da febre amarela, moram na copa das árvores e preferem o sangue dos macacos. Essa preferência vem de um processo de adaptação genética, ao longo de anos de evolução das espécies.

“Aqui é um barril de pólvora. A força de transmissão é muito maior, porque já havia o vetor – mosquitos que moravam na Mata Atlântica – e uma diversidade ampla de macacos vulneráveis à febre amarela que nunca tinham desenvolvido anticorpos”, afirma Falqueto.

Nos últimos meses, macacos têm sido mortos não apenas em decorrência da febre amarela, mas também por seres humanos que temem contrair a doença. Mas pesquisadores alertam que o massacre desses bichos é um “tiro no pé”: se muitos macacos começarem a morrer, a tendência é que cresça a chance de contaminação de humanos.

Sem ter primatas para picar na copa das árvores, os mosquitos buscarão alimento em outras localidades – e o homem vira a próxima opção como fonte de sangue. Como o homem é um animal que se assemelha ao macaco, naturalmente se torna alternativa para o mosquito da febre amarela, que buscará instintivamente um bicho geneticamente próximo.

Mosquito

Teoria 2 – viagem do mosquito

Outros pesquisadores argumentam que os mosquitos silvestres que transmitem a febre amarela se deslocaram do Norte do país para o Sudeste aos poucos, voando ao longo de rios e corredores de mata.

Conforme foram picando macacos na Mata Atlântica, e esses bichos foram morrendo, os mosquitos teriam se deslocado mais ao sul, passando de Minas Gerais e Espírito Santo para São Paulo e Rio de Janeiro.

“É possível que (a migração do vírus) tenha sido causada por mosquitos que voaram entre manchas de mata. Os mosquitos se dispersam por dois motivos: para achar lugar para colocar ovo e para achar fonte de alimentação sanguínea”, explica o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz.

“Se começa a morrer macaco, o mosquito começa a buscar sangue em outro lugar. E ele vai voar distâncias maiores para colocar seus ovos. O deslocamento dessas espécies de mosquito pode alcançar 3 km por dia.”

Tanto o homem quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela em quantidades suficientes para infectar outros mosquitos por cerca de três dias. Depois disso, o organismo passa a produzir anticorpos, e a concentração do vírus diminui. Em cerca de dez dias, primatas e humanos terão morrido ou se curado da doença, ficando imunes a ela.

Já o mosquito permanece com o vírus da febre amarela para sempre, segundo Ricardo Lourenço. Eles podem até passar o vírus para os ovos e, consequentemente, para os filhotes que nascerem.

Homem tentando erradicar o mosquito

Teoria 3 – rompimento da barragem em Mariana

Já o professor da Universidade de São Paulo (USP) Eduardo Massad, que também leciona na London School of Hygiene and Tropical Medicine, no Reino Unido, acredita que o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve papel relevante na disseminação acelerada da doença no Sudeste do país.

Essa tese aponta que a destruição do habitat natural de diferentes espécies, além da morte de peixes e outros animais, pode ter reduzido os predadores naturais dos mosquitos. Ao mesmo tempo, a tragédia ambiental pode ter afetado o sistema imunológico dos macacos, tornando-os mais suscetíveis ao vírus da febre amarela.

“A grande surpresa foi a velocidade com que a doença se espalhou no Sudeste. Tenho quase certeza de que esse surto se iniciou como resultado do desastre em Mariana, em Minas Gerais, quando houve um grande desequilíbrio ecológico e algum fator causou o espalhamento rápido da doença no macaco”, diz Massad, que é infectologista.

Segundo o professor, da USP, em um ano – de janeiro de 2017 a janeiro de 2018 – houve um volume de casos comparável ao registrado em um período de 30 anos.

Mosquito da categoria sabethes

E para onde o vírus anda vai?

E a “viagem” da febre amarela não deve terminar em São Paulo. O professor Aloisio Falqueto, da Ufes, prevê que o vírus continuará seguindo por corredores de mata e chegará ao Sul do país.

“A essa altura já devíamos estar vacinando as populações de determinadas áreas do Paraná e de Santa Catarina”, diz. A “migração” do vírus até o Sul, segundo o pesquisador, ocorrerá a partir do voo dos mosquitos silvestres que transmitem a doença e que transitam por áreas de floresta em busca de alimentos.

Para Falqueto, o número de pessoas infectadas pela febre amarela desde que os casos começaram a aumentar rapidamente, em 2016, poderia ter sido menor se governo estaduais tivessem planejado melhor a imunização de zonas rurais, conforme o mapeamento dos “caminhos” possíveis do vírus.

É possível, segundo ele, prever o trajeto levando em conta corredores de floresta a existência de populações de macacos. “Temos clamado desde o início do ano passado para vacinarem a população das áreas rurais em contato com a Mata Atlântica. Eles despejaram muitas vacinas nas áreas urbanas quando não precisava. E faltou vacina para quem estava exposto”, diz Falqueto.

O professor Eduardo Massad, da USP, diz que elaborou, em 2014, um plano de imunização para o Estado de São Paulo depois que 11 pessoas morreram vítimas de febre amarela em Botucatu, em 2009.

Mas, segundo ele, a Secretaria Estadual de Saúde não implementou a campanha de vacinação nas áreas onde havia risco de chegada do vírus.

“Eu fiz cálculos matemáticos para determinar qual seria a proporção da população nas áreas não vacinadas que deveria ser imunizada, considerando os riscos de efeitos adversos da vacina”, conta.

“Infelizmente a Secretaria de Saúde não adotou essa estratégia. Os casos estão acontecendo exatamente nas áreas onde eu havia recomendado a vacinação. A Secretaria está correndo atrás do prejuízo.”

Desde julho de 2017, foram contaminadas mais de 100 pessoas em São Paulo – mais de 40 pessoas morreram.

Vacinar ou não vacinar?

Por sua vez, o chefe da Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo, Marcos Boulos, também infectologista e professor da USP, argumenta que teria sido “irresponsabilidade” vacinar moradores em áreas que, na época, não era consideradas foco do vírus da febre amarela.

Boulos afirma que a vacinação também traz riscos e, portanto, deve ser promovida com cautela. “Em Botucatu tivemos 11 mortos pela febre amarela e 4 mortos por efeitos colaterais de vacina. Quando você usa a vacina em regiões onde não tem epidemia, você só aumenta os riscos.”

Ele também afirmou que, a partir dos primeiros casos de febre amarela no Estado, em 2017, a Secretaria de Saúde promoveu vacinação em áreas onde se previa que o vírus iria passar.

“No ano passado, vacinamos com cuidado, seguindo as rotas de macacos e corredores de floresta. De cinco milhões de vacinas, tivemos dois efeitos com morte.”

Ele argumenta que houve mais casos de febre amarela em Mairiporã e Atibaia porque tratam-se de cidades repletas de moradias em meio a florestas. Além disso, acrescenta, o aumento do reflorestamento criou novos corredores de floresta entre Minas Gerais e São Paulo, possibilitando novas rotas de migração do vírus.

“A entrada foi por área de reflorestamento. Houve 16% do aumento de florestas e se formou continuidades de mata. A entrada por Campinas foi por reflorestamento na fronteira com Minas Gerais”, disse.

“Sabíamos que um dia poderia chegar próximo ao litoral, mas se acreditava que seria em mais sete ou 14 anos, e que daria para vacinar progressivamente. Estávamos visitando as casas e vacinando.”

‘Decisão difícil’

O pesquisador Ricardo Lourenço reconhece que não é fácil tomar a decisão de promover campanhas de vacinação em áreas onde ainda não há alerta de febre amarela, já que, embora considerada segura, a vacinação sempre gera alguns riscos.

A vacina contém uma dose ativa, porém enfraquecida do vírus, e estimula o corpo a produzir anticorpos contra a doença. Em alguns casos, pessoas desenvolvem os sintomas mais leves da febre amarela, como febre baixa e dor no corpo. Em casos mais raros, há o aparecimento dos sintomas graves – icterícia (amarelamento da pele e dos olhos), inflamação dos rins e fígado, hemorragias e, eventualmente, falência múltipla dos órgãos.

Uma dose imuniza a pessoa para a vida toda, conforme a Organização Mundial da Saúde. A dose fracionada adotada atualmente dura, segundo o Ministério da Saúde, por pelo menos oito anos.

A conclusão do tempo de duração da dose fracionada vem, segundo Lourenço, de um estudo feito com 700 pessoas que tomaram essa dose menor e que vêm sendo monitoradas há oito anos.

“Se a cada um milhão de pessoas vacinadas, uma pode ter uma infecção com doença grave, para que arriscar? Essa é a pergunta que se faz. Mas o aviso de que a febre está se aproximando está ocorrendo há muito tempo”, diz Lourenço.

“Se a febre amarela tivesse sido controlada há mais tempo, se tivesse sido feita uma avaliação e um estímulo maior para vacinar a população limítrofe das últimas epidemias em Minas e em São Paulo, não teríamos tantas pessoas infectadas hoje. Muita gente nasceu em áreas sem febre amarela e morreu disso, porque era tarde demais”, defende.

Para o pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, os governos locais “não foram sensíveis e rápidos para comunicar e perceber o início da epidemia. E o governo federal não produziu a campanha no tempo necessário.”

O Ministério da Saúde defende as ações de imunização adotadas. Em nota, a pasta afirmou que, “desde 2016, os Estados e municípios vêm sendo orientados para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção.”

“Foram reforçados os estoques de vacinação nas áreas atingidas – só no ano passado, o ministério enviou aos Estados 45 milhões de doses da vacina – e realizadas videoconferências com os gestores das regiões afetadas para programar ações para contingência e a realização da maior campanha de vacina fracionada do mundo, agora em curso”, diz o Ministério da Saúde.

“É importante lembrar ainda que a estratégia de vacinação já faz parte da rotina de 21 Estados brasileiros e também é recomendado para pessoas de outras regiões que vão se deslocar para áreas de mata nessas localidades. O Ministério da Saúde, ao longo de décadas, vem mantendo os estoques de vacina e ampliando as áreas de vacinação conforme a necessidades apontadas pelo monitoramento constante”, afirmou a pasta na nota enviada à BBC Brasil.