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Como cães estão sendo usados para combater a malária

14/11/2018

FREYA, DA RAÇA SPRINGER SPANIEL, É TREINADA PARA INDENTIFICAR PELO CHEIRO A MALÁRIA, EM CENTRO DE TREINAMENTO DE CÃES NA INGLATERRA.

Cães têm sido eficazes no combate ao tráfico de drogas. Apenas em outubro de 2018, os farejadores da Receita Federal encontraram no porto de Santos 463 kg de cocaína, escondidos num contêiner. Mas na Inglaterra, os cachorros Freya (spaniel), Sally (labrador) e Lexi (golden retriever) estão sendo usados em outra área: a medicina. Eles conseguem identificar a malária pelo cheiro.

Os três fazem parte de um experimento que começou a ser realizado em novembro de 2016 pelo Conselho de Pesquisa Médica da Gâmbia, país de pouco mais de 2 milhões de habitantes na África ocidental. A pesquisa foi financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates, instituição filantrópica criada em 2000 pelo ex-presidente da Microsoft e por sua esposa. Eles contribuíram com 100 mil dólares para o estudo. 

Conduzido pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que é ligada ao conselho de pesquisa na Gâmbia, pela Universidade de Durham, no nordeste da Inglaterra, e por uma entidade inglesa que treina cães para a detecção de doenças, o estudo foi apresentado em outubro de 2018, durante o encontro anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene, em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, o uso dos cães é uma maneira não-invasiva de identificação de doentes de malária. Embora o experimento ainda esteja em estágio inicial, os cientistas dizem acreditar que os animais, se usados em aeroportos, portos ou fronteiras, podem ajudar a barrar a propagação da doença entre países. Eles seriam capazes de identificar pessoas infectadas ainda em estágio inicial.

Como a pesquisa foi feita

Na primeira etapa, cerca de 600 crianças, de cinco a 14 anos de idade, de quatro escolas primárias do país, receberam dos pesquisadores meias beges de náilon. Elas tinham de vesti-las por 24 horas, e só poderiam tirá-las se precisassem fazer suas orações descalças — a maioria da população do país é muçulmana.

Depois, exames de sangue feitos com uma simples picada no dedo detectaram quais delas estavam com malária. Cada resultado foi associado às meias correspondentes, e as peças foram enviadas de navio para a Inglaterra. Lá, foram congeladas por quatro meses, até que os animais da entidade beneficente Medical Detection Dogs fossem treinados para identificar a doença pelo odor.

O treino com os cachorros que participaram do estudo consistia em usar gotas de um líquido padrão jogadas dentro de potes de vidro. Os que parassem e sentassem em frente ao pote que tivesse um cheiro novo para eles ganhavam petiscos dos instrutores.

Os pesquisadores expuseram então as meias aos animais. Foram usadas 175 amostras no teste. Trinta delas eram de crianças infectadas.

Em 73% dos casos, os cachorros acertaram quais meias pertenciam a estudantes com malária, índice considerado alto pelos pesquisadores. Segundo eles, o número só não foi maior porque nem todas as crianças estavam infectadas pelo mesmo tipo de parasita –por isso, não tinham o mesmo cheiro.

A taxa de acerto para meias de crianças não infectadas foi de 90%.

Por que cães

Segundo relatório de uma universidade do Alabama, nos Estados Unidos, os cachorros possuem 220 milhões de receptores de olfato, enquanto os humanos têm 5 milhões, o que torna esse sentido nos bichos extremamente apurado.

Por causa disso, a medicina tem recorrido a eles. Em 2006, uma clínica na Califórnia, nos Estados Unidos, treinou cinco cães para identificar câncer de pulmão pelo hálito, com 99% de acerto nos resultados. Os animais também já foram utilizados para detectar câncer de ovário em amostras de sangue.

Outros animais do mesmo centro inglês que participou da pesquisa sobre a malária, e que ao todo possui 38 cães, estão sendo treinados para farejar câncer de próstata, diabetes e mal de Parkinson.

O uso mais comum dos atributos olfativos dos cães, porém, continua sendo junto da polícia. Em 2013, um bloodhound de nome Apache ajudou os investigadores no caso do menino Joaquim, cujo corpo foi encontrado num rio, em Barretos, no interior de São Paulo.

O cão indicou pelo cheiro que tanto o garoto de três anos quanto seu padrasto tinham caminhado por 200 metros até um córrego onde a criança teria sido atirada. O padrasto foi preso e responde por homicídio doloso, quando há intenção de matar.  

O que é a malária

Transmitida por mosquitos, a malária é causada pelo parasita Plasmodium. O doente apresenta quadro com febre, vômitos e dores de cabeça e, em alguns casos, pode morrer.

Em 2016, segundo dados mais recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde), 216 milhões de casos foram registrados em 91 países, um aumento de cinco milhões em relação ao ano anterior. Foram 445 mil mortes no período.

Quando uma pessoa é infectada, ela libera um odor que atrai os mosquitos e que pode ser identificado pelos cachorros.

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