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Resultados de pesquisa do HU são destaques em congresso na Suécia

19/06/2018

Saulo Duarte Passos, infectologista do Hospital Universitário e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí

Fonte: Jornal de Jundiaí

Dois renomados médicos do Hospital Universitário (HU) e professores da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), os professores Saulo Duarte Passos, pediatra e infectologista, e a Maria de Fátima Rizzo, pediatra, foram convidados a apresentar os resultados da pesquisa “Infecção vertical pelo vírus zika e suas repercussões na área materno-infantil” durante o 36º Congresso Anual da Sociedade Europeia de Infectologia Pediátrica (conhecido como ESPID), realizado em Malmö, na Suécia. O evento ocorreu de 28 de maio a 2 de junho.

A pesquisa foi desenvolvida com 752 mulheres e 750 bebês de Jundiaí e Região. “Pudemos perceber o quanto o Brasil, especialmente a pesquisa que nós coordenamos, está adiantado em relação às pesquisas desenvolvidas a cerca do vírus zika. Os outros países têm grande interesse em saber tudo o que já foi descoberto para que possam prevenir que epidemias, como a que vivenciamos em novembro de 2015, possam chegar a seus países”, relata Passos. Durante o evento, os médicos brasileiros apresentaram três trabalhos: “Pesquisa vírus zika – Coorte Jundiaí”; “Sífilis e o vírus zika”; e ”Más notícias em tempos de zika”. As temáticas foram expostas para uma plateia de 500 pessoas de todas as regiões do mundo.

“Eu tive a oportunidade de expor o trabalho da Corte Jundiaí e que está em andamento desde 2016. Acompanhamos a gestação das mães e agora o desenvolvimento dos bebês. Neste grupo, temos 33 crianças com microcefalia, sendo que três delas já têm relação comprovada com o vírus zika. Também abordei as más notícias em tempos de zika, que estão relacionadas à maneira adequada de passar a notícia sobre o zika positivo para os pais dos bebês ou como falar sobre o assunto com as mães ainda gestantes. Este trabalho é de autoria da enfermeira Maria Manoela Duarte Rodrigues. Já a dra. Rizzo abordou a questão da sífilis e a relação com o vírus zika”, enumera o infectologista.

A pesquisa desenvolvida em Jundiaí e Região captou gestantes de alto risco, que passaram por atendimento médico no HU entre março 2016 e março de 2017. As grávidas passaram por exames e tiveram a gestação monitorada semanalmente. Aquelas que deram resultado positivo para o zika, realizaram exames de ultrassom 4D em clínica especializada em São Paulo. Este exame permite avaliar a circunferência craniana do feto com poucos meses de gestação. Agora, nesta segunda fase, o acompanhamento tem sido dedicado aos bebês.

“Hoje, além das mães e bebês monitorados desde a gestação, o projeto tem recebido crianças maiores com microcefalia para acompanhamento de nossa equipe multidisciplinar. Isso sinaliza maior preocupação social com o desenvolvimento destas crianças”, diz. “Por outro lado, ainda temos a dificuldade de fazer com que mães que participaram na fase inicial do projeto, mantenham o acompanhamento de seus bebês, mesmo quando não há o diagnóstico de microcefalia”, lamenta o médico, destacando que é fundamental manter o acompanhamento.

“Nem todo bebê que teve contato com o vírus irá desenvolver microcefalia, já identificamos bebês com problemas neurológicos, na audição, visão e outras limitações. Quanto antes estes problemas são descobertos, maiores são as chances de reduzir o impacto para a qualidade de vida destas crianças”, conta o médico.

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