Skip to content

Ciência como aliada

01/08/2017
160524 - Copo Aedes aegypti e zika
Desde que se multiplicaram as ameaças provocadas pelo mosquito “Aedes aegypti”, a comunidade científica intensificou os estudos de alternativas para fortalecer o enfrentamento à disseminação da zika, dengue e chikungunya. Enquanto não surtem o efeito esperado, as ações para conscientizar a sociedade quanto à necessidade de eliminar os focos de reprodução do mosquito e o poder público falha na adoção de medidas mais eficazes, a Ciência vem se aliar nessa luta. Embora o apoio financeiro seja escasso e ainda estejam em fase prematura, as experiências científicas, bem como os projetos em teste conduzidos pelo Ministério da Saúde têm força para transformar o modo como as autoridades controlarão o avanço das doenças no futuro.

O desenvolvimento de uma vacina contra a dengue é uma dessas iniciativas. Os estudos para a viabilizarem estão, há um ano, na terceira e última etapa dos testes. No Ceará, nesse período, mais de 700 pessoas foram imunizadas. Os resultados preliminares apontam para eficácia de 85% na proteção aos quatro sorotipos da doença, porém o sucesso da prevenção será medido com exatidão somente daqui a quatro anos. Participarão dos ensaios clínicos aproximadamente 1.200 voluntários, com idade entre 18 e 59 anos, que serão monitorados até 2021, completando o período exigido para liberação e distribuição ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Outra proposta em avaliação é a produção de teste inédito no País que permite o diagnóstico por imagem do vírus da zika. Os equipamentos, em operação há cerca de seis meses, conseguem “fotografar” a dinâmica do vírus nas células. Com capacidade de analisar 1.500 amostras por hora, a ferramenta tem condições de ampliar a precisão do diagnóstico e permitir, assim, submeter número expressivo de pessoas ao exame. A expectativa é que tal procedimento terá custo baixo e facilitará o acesso a quem reside em áreas vulneráveis à infecção.

O Ministério da Saúde já utiliza dois mecanismos para diagnosticarem as doenças causadas pelo “Aedes aegypti”. Um deles consegue diferenciar se a pessoa foi acometida por zika, dengue ou chikungunya. A limitação do procedimento, todavia, é que a eficiência é alcançada apenas se o paciente for submetido ao exame durante a fase aguda da moléstia. Outra técnica adotada no cotidiano das unidades de Saúde identifica, após intervalo de 20 minutos, a partir de uma amostra de sangue, se gestantes e outros grupos prioritários foram infectados pelo zika vírus.

Cada uma dessas experiências mostra que os benefícios produzidos com o auxílio da Ciência podem galgar patamares imensuráveis. Por outro lado, as autoridades precisam manter o nível de investimento para que as pesquisas continuem sendo desenvolvidas. Neste ano, em meio ao corte de serviços importantes, o governo federal congelou 44% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. No início, o valor previsto para a Pasta era R$ 5,8 bilhões, mas desde março o limite foi reduzido para R$ 3,27 bilhões. Para se ter uma ideia da vertiginosa queda registrada no período recente, vale destacar que, há quatro anos, a verba destinada ao órgão somou R$ 9,4 bilhões.

Só no Ceará, segundo boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado, 122 municípios estão em situação de alerta ou em risco de surto de arboviroses. Portanto, frear os recursos destinados às pesquisas científicas se revela contraditória em face da magnitude das ameaças à saúde da população.

No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: