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Negligenciadas, doenças infecciosas ‘esquecidas’ ainda atingem milhares de brasileiros

15/05/2017

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Fonte: CBN

Assim como a febre amarela era encarada há até poucos meses, outros males são vistos como problemas de saúde pública superados. Hanseníase, tuberculose, leishmaniose e a doença de Chagas são algumas das que caíram no esquecimento da população, mas que, justamente por isso, ainda atingem milhares de pessoas.

O surto de febre amarela que atinge o Sudeste desde o ano passado teria sido evitado se a população que vive em área de mata tivesse sido vacinada antes. Mesmo com essa confirmação dada pelos infectologistas, outras doenças consideradas ‘do passado’, que também poderiam ser erradicadas, continuam sendo registradas no país.

As chamadas doenças negligenciadas são velhas conhecidas. Elas podem ser vencidas através de vacinação e de cuidados ainda mais essenciais, como saneamento básico, por exemplo. Quando são vistos como superados, muitos problemas de saúde são deixados de lado. Com o esquecimento, vem a negligência da população e das autoridades. E é neste momento que a doença ganha força e volta a fazer vítimas.

O vendedor Douglas Mello teve tuberculose e sífilis num intervalo de três anos. Ele tem 25 anos e disse que nem sabia que essas doenças ainda existiam.

‘Eu fiquei desesperado. Mas fiz o tratamento. Ele é doloroso. Não é um tratatmento de uma semana, de um mês e pronto, já está bom. É uma doença silenciosa. Quando ela vem, você tem que correr. Sofri muito preconceito’, diz. 

Outra doença grave e pouco lembrada é a hanseníase. Apesar de ter o número de novos casos reduzidos em 34% na última década, a enfermidade ainda faz milhares de vítimas no Brasil. O país ainda está longe de alcançar a meta imposta pela Organização Mundial da Saúde, de um caso para cada dez mil habitantes, e é o único que não atingiu o objetivo.

Atualmente, o Brasil tem uma taxa de infecção de 1,4 para cada dez mil pessoas. Junto com a Índia e a Indonésia, o país concentra 81% dos casos notificados no mundo.

Patrícia Gonçalves levou quase três anos pra conseguir um diagnóstico correto, outro sintoma da negligência. Ela chegou a fazer tratamento por reumatismo, o que piorou sua situação. Patrícia relata que, além dos impactos físicos da hanseníase, é difícil encarar a falta de informação e o preconceito até da própria família.

‘Também tem a questão familiar. Eles acabaram se afastando com medo de contrair a doença. Isso não deixa de ser um peso. No processo de cura, todo apoio é necessário’, afirma.

Apesar de atingir cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo inteiro, os estudos sobre as doenças negligenciadas são escassos. O principal motivo é a falta de interesse da indústria farmacêutica, já que essas enfermidades são mais comuns na população mais pobre, o que não gera retorno financeiro.

A bióloga Beatriz Stolf, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, desenvolve uma pesquisa com uma proteína que pode curar a leishmaniose, doença grave, porém esquecida. Ela critica a falta de incentivo.

O historiador Jaime Benchimol, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, explica que é possível controlar doenças devastadoras como a varíola, por exemplo, que não tem casos no país desde 1973. Mas, ele diz que às vezes, mesmo com esforços de todos os lados, não há sucesso, como é o caso da malária.

‘A varíola foi controlada com muito sucesso através de uma campanha mundial de vacinação. Houve uma grande campanha internacional de erradicação da malária que não funcionou, foi um fracasso. Os índices de malária caíram, mas a natureza pregou uma peça. Os insetos criaram resistência ao DDT. Os mosquitos voltaram a proliferar’, explica.

O Ministério da Saúde informou que em 2016, foram registrados 66,7 mil casos novos de tuberculose no Brasil. Em dez anos, a incidência da doença caiu 14%, com 32 casos por 100 mil habitantes. A meta até 2035 é chegar a dez.

Já a leishmaniose teve queda de 10% nos últimos dez anos no número de registros. Sobre a febre amarela, é importante lembrar que a última epidemia do tipo urbano foi nos anos 1940. O surto atual é considerado silvestre, já que a transmissão não é feita pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti.

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