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Pesquisa do HC gera dados sobre a Síndrome Congênita do Zika Vírus

12/04/2017

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Fonte: UFPE

Maria Luiza tem um ano e três meses. Ela é um dos 17 bebês com a malformação conhecida como microcefalia – a forma mais grave da Síndrome Congênita do Zika Vírus –, que são tratados pelo Hospital das Clínicas da UFPE, unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Ao todo, 112 crianças que nasceram no HC no período do aumento do número de casos de microcefalia (de outubro de 2015 até março de 2016) são acompanhadas de perto pelo hospital. Os resultados desses tratamentos estão gerando dados sobre a arbovirose ainda desconhecida. No entanto, já é possível observar uma forte determinação social em que pessoas em situação de vulnerabilidade social são as mais afetadas.

As informações coletadas integram o “Estudo de corte das crianças nascidas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco: os fatores associados à Síndrome Congênita por Zika Vírus”, pesquisa desenvolvida pela professora Bernadete Perez Coêlho, da UFPE, e supervisora do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade do HC, com apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).

A doença de Maria Luiza provocou uma revolução na vida da família. A mãe, Eudênia de Oliveira, de 39 anos, teve que largar o emprego. “Cuidar de um bebê especial exige dedicação exclusiva. Vou ao hospital três vezes por semana para Maria fazer terapia ocupacional e fisioterapia, mas nas semanas em que temos gastropediatra ou neuropediatra, por exemplo, vamos ao HC quase todos os dias”, explica a moradora de Igarassu, cidade da Região Metropolitana do Recife, a cerca de 30 km da capital. “No momento, Maria não consegue sentar. Quem sabe um dia, a gente não consiga dar esse passo”, conta, esperançosa.

Eudênia lembra que teve uma intoxicação na pele do segundo para o terceiro mês de gestação. “Não tive febre e nenhum outro sintoma mais grave. Não imaginava nunca que isso teria um efeito tão devastador na minha filha. Com 20 semanas, fiz a ultrassom morfológica e estava tudo certinho com Maria. No oitavo mês, fiz uma ultra com doppler que detectou a microcefalia. Foi um choque”, recorda.

O estudo detectou uma relação importante entre as más condições de vida e a doença. “As cidades não são democráticas. As pessoas pobres não têm acesso à informação, convivem com o esgoto a céu aberto e estão mais expostas ao Aedes aegypti (o mosquito vetor do zika vírus). Por outro lado, quem tem melhor condição social consegue se proteger mais”, explica Bernadete.

A doença, suas causas e consequências ainda são em grande parte desconhecidas e, por isso, todo tipo de informação sobre ela é importante. “O estudo está baseado em três eixos: a avaliação clínica da criança, a avaliação da rede de atenção (hospitais e postos de saúde que fazem esse acompanhamento) e o contexto social (quase sempre marcado pela vulnerabilidade)”, informa a médica sanitarista, que vai concluir a pesquisa em outubro de 2017.

Bernadete salienta que a prevenção e o controle do mosquito vetor são a melhor forma de combate. “O espectro clínico da doença é muito amplo. Embora alguns pacientes tenham potencial de melhora, desde que estimulados com exercícios que ajudarão a desenvolver habilidades para conviver com algum tipo de deficiência provocada pelo vírus”, disse. “Algumas crianças já estão andando; outras não vão conseguir. Os casos vão do leve ao muito grave e isso é resultado da ação do vírus em cada organismo. Há crianças que desenvolvem sintomas, como a hidrocefalia por exemplo, após meses de vida”, completa a médica, demonstrando a importância de acompanhamento sistemático a esses pacientes.

No HC, as crianças que nasceram com a síndrome passam por estimulação precoce e exames para acompanhar o estágio da doença. O acompanhamento é feito por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, oftalmologistas, otorrinos, gastropediatras, neuropediatras e pediatras. “O grau da síndrome é que determina a frequência com que essa criança vem ao hospital. Umas precisam vir uma vez por semana; outras, a cada 15 dias ou um mês”, diz a médica Bernadete.

Amanhã (8), cinco crianças vão passar pelo procedimento da gastrostomia, técnica de instalação de um dispositivo que atravessa a parede abdominal e se localiza dentro do estômago, que serve como uma alternativa de alimentação, por meio da qual podem ser administradas dietas específicas para a nutrição de pacientes que não podem ser alimentados pela boca.

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