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Fiocruz contribui para esclarecimento de casos de febre amarela

09/03/2017

Exame de diagnóstico para febre amarela

Fonte: Fiocruz

A confirmação laboratorial dos casos de febre amarela, tanto em pacientes como em primatas, é fundamental não apenas para orientar o tratamento da doença, mas também para a vigilância da circulação do vírus e adoção de medidas de controle através da vacinação. Referência Regional para febre amarela junto ao Ministério da Saúde, o Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) atua regularmente desde a década de 1990 no diagnóstico laboratorial de amostras de pacientes com suspeita da doença provenientes dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Também realiza análises de amostras de primatas desde 2014. Além disso, com o aumento do número de casos suspeitos desde o início do ano, o laboratório também foi designado pelo Ministério da Saúde para processar amostras do Ceará e Rio Grande do Norte.

“Sempre prontos para contribuir com respostas rápidas nas emergências de saúde pública no país, estamos considerando essa situação como prioridade. Temos recebido amostras de casos suspeitos de infecção em humanos, além de material relativo a primatas não humanos. Estamos analisando as amostras de forma rápida e com o cuidado necessário, para permitir que as medidas de controle da doença possam ser adotadas imediatamente pelas autoridades”, pontua a virologista Ana Maria Bispo de Filippis, chefe do Laboratório de Flavivírus.

O diagnóstico
Considerando que a febre amarela é uma doença grave, mas que é possível prevenir a infecção por meio da vacinação, torna-se necessária uma resposta rápida tanto do diagnóstico laboratorial quanto das medidas de bloqueio. Quando uma amostra chega ao Laboratório, diferentes metodologias podem ser adotadas para confirmar se o caso é de febre amarela. O método escolhido depende do momento da doença em que as amostras são coletadas. Para diagnóstico de casos agudos da febre amarela, até sete dias após o início dos sintomas, é usada a técnica de PCR em tempo real para a detecção do material genético do vírus a partir de fluidos e tecidos (tanto amostras de tecido frescas quanto amostras de tecido embebidas em blocos de parafina). O Laboratório foi o primeiro no Brasil a utilizar métodos moleculares no diagnóstico de febre amarela, no ano 2000 – até então, o método de diagnóstico utilizado no país para confirmação de casos agudos ou óbitos era limitado à técnica de isolamento viral, que tem procedimentos mais demorados, podendo levar em média até 14 dias para liberação do resultado. Outra metodologia adotada para o diagnóstico são os testes sorológicos, que identificam a presença de anticorpos contra o vírus produzidos pelo organismo do paciente em resposta à infecção. No caso dos testes sorológicos, eles não são indicados para o diagnóstico da fase aguda da doença, mas apenas a partir do sexto dia após o início dos sintomas ou após o final dos sintomas, permitindo dizer se o paciente foi infectado anteriormente.

Devido ao risco da presença de outros patógenos que possam representar uma ameaça à saúde humana, as amostras de primatas não humanos são processadas em laboratório de nível de biossegurança 3. Nos casos de óbito de humanos ou primatas, o diagnóstico pode adotar testes de histopalogia e imunohistoquímica, que usam amostras de tecidos acondicionadas em uma substância chamada formalina. Nessa situação, as amostras são analisadas pelo Serviço de Anatomia Patológica do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Desafios

O fato de o vírus da febre amarela pertencer ao mesmo gênero do vírus da dengue, conhecido como gênero Flavivirus, representa um desafio a mais para o diagnóstico. Uma vez que os anticorpos produzidos pelo organismo contra os vírus da febre amarela, dengue e outros vírus do mesmo gênero possuem algumas semelhanças – eles têm alguns sítios antigênicos em comum –, os testes sorológicos podem apresentar uma reação cruzada. Isso significa que, durante o exame, anticorpos contra o vírus da febre amarela podem reagir com o vírus dengue, indicando um resultado falso positivo. Para minimizar esse problema, todas as amostras são testadas em paralelo para os dois vírus, tanto o da febre amarela como o da dengue. No caso de resposta imune cruzada, o resultado para febre amarela pode ser confirmado considerando o título de anticorpos, que deve ser, pelo menos, três vezes maior para este vírus do que para o vírus da dengue. Também são levadas em consideração as informações clínicas e epidemiológicas do paciente.

Considerando a função de pesquisa desempenhada pelos centros de referência, os pesquisadores do Laboratório de Flavivírus também têm a responsabilidade de monitorar os genótipos dos vírus da febre amarela circulantes, através do sequenciamento parcial ou total do genoma dos vírus detectados durante surtos. “Além de identificar qual o genótipo associado aos casos, analisamos a presença ou não de mudanças no genoma do vírus. A caracterização molecular é importante para entender a disseminação e o impacto da doença na população”, explica a virologista.

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