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Fiocruz planeja ação com mosquitos da dengue modificados

09/12/2015

150928 - FiocruzO vice-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rodrigo Stabeli, afirmou que em janeiro a instituição pretende soltar mosquitos da dengue modificados com uma bactéria que impede a transmissão da doença. A ação será realizada em uma nova cidade de até 400 mil habitantes, que ainda não foi escolhida. Os detalhes da operação serão discutidos com o ministro da Saúde, Marcelo Castro, no próximo dia 18.

Desde 2009, pesquisadores do projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” têm inserido uma bactéria chamada wolbachia em mosquitos Aedes aegypti. A bactéria, que não altera a genética do mosquito, faz com que ele não transmita o vírus da dengue. Os pesquisadores esperam que o mosquito também seja incapaz de transmitir o vírus zika.

“Países como Austrália e Vietnã fizeram isso e tiveram bons resultados no controle da dengue e do chicungunya. A Indonésia teve resultados satisfatórios também para o zika. Os dados são preliminares e não foram publicados ainda”, disse Stabeli.

Os pesquisadores devem escolher um município dentro do estado do Rio de Janeiro para realizar a ação. Anteriormente, a Fiocruz fez testes na região de Tubiacanga, na Ilha do Governador, e no bairro de Jurujuba, no município de Niterói, duas regiões do estado.

A wolbachia pode ser encontrada em 60% dos insetos, como grilos, baratas e moscas. Entretanto, ela não está presente em mosquitos que transmitem doenças infecciosas, como o Aedes aegypti. “O interessante é que a wolbachia é passada da fêmea para os filhotes, até um ponto em que a grande maioria dos mosquitos existentes não sejam mais transmissores”, disse Stabeli.

Mesmo que a operação traga bons resultados, o especialista em parasitologia da Unesp, Paulo Ribolla, acredita que a modificação do mosquito não pode ser vista como solução, já que é possível que ele desenvolva mutações que se adaptem à bactéria e continue transmitindo o vírus da dengue. “O caminho deve ser acabar com criadouros, e não manter os insetos”, afirmou Ribolla.

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