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Universidade inglesa é parceira no combate a doenças tropicais

23/07/2015

keele.unesp

Fonte: Unesp

A Unesp estabeleceu iniciativas de cooperação em pesquisa com a Universidade de Keele, da cidade Newcastle-under-Lyme, condado de Staffordshire, na Inglaterra. A ação foi realizada durante encontro nos dias 13 e 14 de julho, no Instituto de Biotecnologia (Ibtec), Câmpus de Botucatu, evento que consolida a parceria entre o Ibtec e a Universidade de Keele, iniciada em 2014 no âmbito do acordo de cooperação FAPESP-Keele. Entre os temas de pesquisa em cooperação estão doenças tropicais como dengue, leishmaniose e malária.

Na abertura do evento, a pró-reitora de Pesquisa Maria José Giannini destacou o aumento no número de artigos científicos e de formação de doutores na Unesp, além do incremento de parcerias com instituições estrangeiras. “É um crescimento sustentado porque vem acompanhado de investimentos e de ampliação da infraestrutura de pesquisa, como é o caso deste Instituto de Biotecnologia”, diz Giannini.

O Ibtec é uma unidade auxiliar interdisciplinar que dispõe de equipamentos de alto desempenho, como sequenciadores genéticos, microscópios de precisão, instalações avançadas para manipulação de patógenos e infecção de mosquitos vetores e serviço de refrigeração em baixíssimas temperaturas, além de pesquisadores doutores que atuam no local. Esse recurso está disponível a toda a Unesp e a outras instituições, e desde que foi criado há dois anos, tem servido de base para o desenvolvimento de diferentes estudos de mestrado e doutorado.

“O instituto já vem tendo um papel fundamental na interlocução entre os cientistas da Universidade, impedindo, por exemplo, que a instituição adquira equipamentos em duplicidade”, afirmou durante visita guiada pela unidade o biólogo Celso Marino, professor do Instituto de Biociências de Botucatu e coordenador do Ibtec. Segundo o professor, cinco vagas para pesquisadores doutores serão abertas ainda em 2015. “Pelas condições de pesquisa que temos aqui, nossa expectativa é que os concursos sejam bem disputados”.

Jayme Souza Neto, pesquisador do Ibtec e professor associado da Universidade de Keele, destacou a configuração estratégica do prédio, com um laboratório central cercado por diversos laboratórios auxiliares ou específicos para testes de maior complexidade metodológica. “É uma instalação moderna com todo o potencial para ser um centro de referência em inovação, cooperação em pesquisa e transferência tecnológica.”

O especialista em ecologia química Gordon Hamilton, por sua vez, descreveu as potencialidades do centro que dirige na Universidade de Keele: o CAEP (Centre for Applied Entomology and Parasitology, ou Centro de Entomologia e Parasitologia Aplicadas), voltado a estudos sobre doenças tropicais, pragas agrícolas e ciência básica sobre organismos de insetos e de parasitas. “A chave para o funcionamento dos nossos projetos é a intensa cooperação internacional que mantemos”, ressalta.

Outra parceria celebrada no evento foi a inclusão formal da Faculdade de Medicina (FMB) nos programas de intercâmbio da Universidade de Keele. Em visita ao hospital da FMB, a neurocientista indiana Divya Chari, professora e diretora de internacionalização da faculdade de medicina da instituição britânica, avaliou as vantagens para que os futuros médicos britânicos façam estágio na unidade. “Eles terão a oportunidade de lidar com problemas menos comuns no Reino Unido, como HIV, leishmaniose e picadas de animais peçonhentos, por exemplo”.

Durante o encontro, o militar britânico e estudante de medicina em Keele, Owen Davis, relatou o estágio de um mês realizado por ele na FMB. “Aprofundei meus conhecimentos em traumatologia lidando com pessoas acidentadas e tive muito apoio dos médicos e professores do hospital.”

Mosquitos

Souza-Neto esteve em Keele para o desenvolvimento de parte de um estudo sobre o Aedes aegypti, o mosquito que transmite a dengue e outros males. O professor quer descobrir por que alguns mosquitos são resistentes ao vírus da dengue e para isso analisa bactérias presentes na flora intestinal dos insetos. “O entendimento dessas interações nos levará a uma nova categoria de insetos modificados, que terão imunidade antiviral ativada e não serão hospedeiros da doença. Em outros estudos, ele busca determinar quais os diferenciais genéticos que fazem com que alguns grupos de pessoas sejam resistentes ao vírus da dengue.

Um de seus parceiros de pesquisa é o biólogo francês Julien Pelletier, da Keele, que está no Ibtec até setembro, e voltará ainda duas vezes nos próximos dois anos como pesquisador visitante. Ele busca entender por que algumas pessoas não atraem o Aedes aegypti. “Estamos investigando o sistema olfativo dos mosquitos para estabelecer estratégias mais eficazes de controle, como, por exemplo, a criação de comprimidos e óleos repelentes específicos.”

A leishmaniose é o tema de estudo de muitos dos palestrantes presentes. A doença afeta cães e humanos, tem difícil tratamento e é muito prevalente no Brasil. Uma de suas manifestações mais comuns é o aparecimento de feridas severas na pele, e as formas mais agressivas podem levar à morte.

Hamilton apresentou no encontro resultados de seus estudos sobre a reprodução dos flebotomíneos, também conhecidos como mosquitos-palha, responsáveis pela transmissão da doença. “Desenvolvemos feromônios sexuais sintéticos a partir de uma planta que podem interromper o estímulo reprodutivo dos insetos e abrir um caminho para uma nova abordagem na prevenção.” Já a médica especializada em doenças infecciosas Silvia Uliana, professora da USP, expôs os resultados promissores do uso de quimioterapia para o tratamento da patologia, especificamente o fármaco Tamoxifen, usado para combater o câncer de mama. Helen Price, da Keele, quer unir as respostas terapêuticas para a leishmaniose com uma outra doença que também não tem cura: a tripanossomíase africana, ou doença do sono. “Avaliamos o uso de uma enzima que tem forte ação sobre o ciclo de vida dos protozoários que causam cada uma das moléstias”, disse.

O Anopheles gambiae, o mosquito que transmite a malária, é o foco da pesquisa do biólogo suíço Frédéric Tripet, também da Keele. “É consenso que uma nova abordagem terapêutica e de controle da malária e necessária. Nossa estratégia é entender a assinatura genômica do inseto para fazer intervenções no seu mecanismo sexual”, disse. Segundo o estudioso, o sequenciamento genético da espécie, no qual ele está empenhado, será fundamental para confirmar a importância de determinadas áreas do DNA (chamadas ilhas de diferenciação) para o seu processo reprodutivo.

Paul Horrocks também busca formas de combater a malária, mas seu foco está no parasita que vive dentro do mosquito transmissor, o Plasmodium falciparum. O bioquímico de Keele apresentou um estudo de ensaios bioluminescentes em que drogas foram testadas e tiveram suas taxas de eficácia comparadas, criando uma base para subsidiar o aprofundamento da busca por medicamentos antimalariais.

A lista completa dos palestrantes do encontro inclui, ainda, os cientistas Silvana Schielini (FMB, Unesp), Silke Weber (FMB, Unesp), Catherine Merrick (Keele University), Mark Skidmore (Keele); Mara Pinto (Unesp em Araraquara), Marcelo Ferreira (USP), Paulo Ribolla (Ibtec, Botucatu), Deílson Elgui de Oliveira (Ibtec, UNESP), Cláudia Saad (Upeclin, Unesp), Patrícia Pintor (Unipex, Unesp), Rui Seabra (Cevap, Unesp).

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