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Crianças podem auxiliar a combater doença de Chagas na Amazônia

22/01/2015

Chagas 150122

Fonte: SBMT

O Brasil reduziu drasticamente o número de novos casos anuais de doença de Chagas desde os anos 1970 (de 150 mil para cerca de 200 atualmente). No entanto, as ações de vigilância e controle devem ser intensificadas, principalmente na região Amazônica, onde, devido às dimensões continentais, é impossível borrifar inseticida em todos os locais ou tratar cada portador da enfermidade – geralmente pessoas de baixa renda. Segundo o chefe do Laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto Oswaldo Cruz, José Rodrigues Coura, a melhor forma de lidar com o tema é a partir da educação.

Dr. Coura, que se define como um “tropicalista” (que trata das doenças que afetam os países tropicais), alerta que correm mais riscos de serem infectados os profissionais que coletam vegetais, principalmente de piaçava, palmeira que tem uma fibra utilizada para fazer vassoura. “O sujeito passa uma boa parte do ano nos piaçavais, onde faz coletas das fibras da planta. Isso porque, na Amazônia, durante seis meses os igarapés secam e não há como as pessoas se locomoverem por barcos, obrigando-as a ficarem seis meses com a família nesses locais”, explica.

Os triatomíneos, transmissores da doença de Chagas, são conhecidos popularmente como barbeiros e se alimentam do sangue de animais silvestres. Como esses animais são utilizados para fonte de proteína para as pessoas que vivem nas regiões dos piaçavais, os insetos acabam migrando da floresta para o ambiente ao redor das residências e até mesmo aos domicílios, aumentando os riscos de contaminação. “Há lugares que têm 11% de indivíduos altamente expostos infectados com T.cruzi”, afirma o médico, acrescentando que a população local já se acostumou a matar o barbeiro como se fosse mosca, não tomando medidas preventivas eficazes.

Como não é possível retirar os trabalhadores e as famílias dos piaçavais, por ser muitas vezes a única forma de sustento, Dr. Coura sugere que sejam adotadas ações educativas, especialmente com as crianças. Ele cita uma experiência, realizada a partir de 1974, que ajudou na erradicação da doença no município de Bambuí, em Minas Gerais. Lá, os professores foram treinados a orientar os alunos a identificarem o barbeiro em casa, guardarem o inseto em caixas de fósforo e, em seguida, levarem à escola. As caixas eram rotuladas e enviadas para exame laboratorial a fim de confirmar o tipo e se a espécie estava realmente contaminada com o parasita causador de Chagas, o Trypanosoma cruzi (T. cruzi). Por último, um guarda sanitário visitava a residência onde o inseto foi encontrado e borrifava inseticida no local.

“Às vezes os adultos, mesmo informados, não tomam atitude. Com a criança é mais simples, pois elas se interessam em ajudar. Menino acha tudo. Como quase todas as comunidades têm uma escola, é preciso treinar os professores de curso básico para orientarem os alunos a procurem focos do barbeiro pela casa”, explica o especialista.

Dr. Coura também sugere a criação de mosquiteiros específicos contra os triatomíneos para serem utilizados nas residências. Ainda segundo o médico, no laboratório em que trabalha, foi elaborado um manual pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para treinar os microscopistas especializados em malária, com o objetivo de identificar o T. cruzi. “Caso seja identificado algum individuo infectado, este deve ser chamado imediatamente para tratamento”, ressalta.

Apesar de casos de migrantes para os Estados Unidos, Europa e outros países da Ásia, a doença de Chagas afeta principalmente moradores de países tropicais. Cerca de 8 milhões de pessoas que vivem na América do Sul, Central e México estão infectadas com o T. cruzi, que causa mais de 12 mil mortes por ano.

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