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Leishmaniose visceral tem transmissão em Campinas

02/06/2010

Delma Medeiros – Agência Anhangüera de Notícias

Campinas entrou para o grupo de cidades com transmissão canina de leishmaniose visceral, doença infeciosa fatal para os cães e que pode atingir o homem. O primeiro foco com caso autóctone (contraído no município) da doença foi registrado em novembro, num condomínio em Sousas, região Leste de Campinas.

Na investigação realizada após o primeiro caso, foram identificados mais três cachorros infectados e confirmou-se a existência do vetor, um mosquito flebótomo, conhecido no Brasil por mosquito-palha ou birigui. Após esta ocorrência houve registro de caso também na Vila Costa e Silva, região Norte, sem autoctomia confirmada, e dois casos importados, um na Vila João Jorge e outro no Jardim Chapadão.

O último caso ocorreu em maio em Barão Geraldo, e ainda está em investigação para saber se é autóctone.
Grave problema de saúde pública, a leishmaniose é de notificação compulsória. A doença está presente em 21 estados brasileiros e nos últimos anos foi registrada uma média anual de 3.357 casos humanos e 236 óbitos. No Estado de São Paulo, está presente em vários municípios.

Em cada caso confirmado, a Vigilância em Saúde deflagra uma ação de bloqueio num raio de 200 metros a partir do endereço do animal positivo. A ação inclui inquérito sorológico de cães (investigação canina); estudo para identificação do vetor – o mosquito Lutzomia longipalpis (análise entomológica) – e análise ambiental.

A Secretaria de Saúde também se reuniu com médicos-veterinários para alertar sobre a doença. Mas neste quesito há uma certa divergência. Apesar de haver vacina contra a leishmaniose, e de ser apontada como a melhor prevenção pelos médicos-veterinários, ela não é indicada pelos órgãos públicos. ‘O Ministério da Saúde liberou a vacina, mas tem dúvidas sobre sua eficácia. No entanto, se a vacinação tivesse ocorrido, talvez a doença não chegasse a Campinas’, avalia o médico-veterinário Marcos Veloso da Costa Machado.

Ele lembra que a doença entrou no Estado com os primeiros casos registrados em Araçatuba, em 1998. ‘Por ser um problema de saúde pública, o governo deveria fazer vacinação em massa’, diz Machado, citando que por lei, o médico-veterinário não pode tratar o animal infectado, que em geral é sacrificado.

O médico-infectologista da Secretaria de Saúde, Rodrigo Angerami, explica que, apesar de liberada para comercialização, a vacina ainda tem algumas pendências com o Ministério da Agricultura e Pecuária, por isso não é indicada como prevenção pelos órgãos de saúde pública.

‘Sabe-se que esta vacina, como as outras, produz anticorpos, mas ainda não foi confirmado se são eficientes para proteger o animal’, diz Angerami. Outro problema, segundo ele, é que numa investigação de sorologia a vacina pode provocar um falso-positivo. ‘Não teremos como saber se o cão está infectado, ou se o resultado deve-se à vacina.’

Além da vacina, outra prevenção é uma coleira específica que repele e mata o mosquito transmissor. ‘Acho recomendável usar a coleira e também vacinar o animal’, afirma Machado. Ele explica que antes da vacinação, é feita coleta de sangue do animal. ‘Com o resultado negativo faz-se a imunização’, diz ele.

A vacina é feita em três doses, com intervalos de 21 dias entre cada dose, e revacinação anual. Seu custo varia entre R$ 100,00 e R$ 150,00.

Saiba mais

Segundo o médico-infectologista Rodrigo Angerami, na grande maioria dos municípios nos quais a doença se tornou endêmica, a ocorrência de cães infectados precedeu a ocorrência de casos humanos. ‘Os cães infectados, sem a menor dúvida, se constituem um elemento fundamental na cadeia de transmissão’, diz ele.

Entretanto, a identificação do cão infectado não implica, necessariamente, na ocorrência de novos casos entre a população de cães e nem no início da transmissão entre humanos.

No Estado de São Paulo, além de Campinas, há pelo menos três municípios com transmissão canina, sem transmissão entre humanos: Embu das Artes, São Pedro e Espírito Santo do Pinhal. A leishmaniose visceral tem tratamento em humanos. Mas, no cão o tratamento não está indicado porque representa risco para a saúde pública.

A doença

A leishmaniose é uma doença infecciosa que provoca úlceras na pele, sendo transmitida pela picada de insetos infectados com protozoários do gênero leishmania. Os mosquitos, em geral, são pequenos, de cor clara e vivem em ambientes escuros, úmidos, com muitas plantas e acúmulo de lixo orgânico. São chamados, na maioria das vezes, de mosquito-palha.

O parasita da doença pode estar presente em alguns bichos silvestres, inclusive cachorros de estimação. Pessoas e outros animais infectados são considerados reservatórios da doença, uma vez que o mosquito, ao sugar o sangue, pode transmitir a leishmaniose a outros indivíduos ao picá-los.

Para se prevenir da doença é indicado o uso de repelentes e evitar a exposição nos horários de atividades do vetor (ao entardecer e à noite) em ambientes onde o mosquito possa ser encontrado, além da limpeza de quintais e terrenos.

Serviço:

Para falar sobre as ferramentas disponíveis para o controle dos flebótomos, a Intervet/Schering-Ploug Animal Health promove nesta terça-feira (01/06) uma jornada técnica sobre leishmaniose. O encontro será no Hotel Dan Inn – Rodovia Anhanguera km 104.5 – Rua Benjamin Franklin nº 682 – Techno Park, das 8h às 13h.

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