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Novos dados bancários

23/01/2020

A partir de Janeiro/2020 a conta da Sociedade Brasileira de Parasitologia é:

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Esponjas e fungos produzem substâncias promissoras contra câncer e malária

17/01/2020
Fungos estudados no IQSC produzem moléculas interessantes para o desenvolvimento
de novos fármacos

Fonte: Jornal da USP

Desde a antiguidade, substâncias encontradas nas plantas são utilizadas como fonte de tratamento contra uma série de sintomas e doenças. Porém, no começo do século 20, após a descoberta da penicilina (primeiro antibiótico da história) a partir de fungos, os olhares da comunidade científica começaram a se voltar para outros ambientes. Um deles, ainda inexplorado até hoje, é o fundo do mar, que reserva uma biodiversidade misteriosa. Com a criação de cursos de mergulho autônomo, depois da Segunda Guerra Mundial, mergulhadores começaram a reportar casos de intoxicação e queimaduras ao tocarem em determinados animais, fatos que chamaram a atenção principalmente de bioquímicos, que passaram a estudar o potencial das substâncias causadoras de tais efeitos.

Mesmo após décadas de pesquisas, o meio aquático ainda segue desconhecido. Até por isso, ele nos permite vislumbrar diversas descobertas que poderiam ser feitas em caso de aumento no número de estudos. Quem sabe não encontraríamos um novo composto eficaz contra alguma doença, por exemplo? É justamente com essa motivação que atuam os pesquisadores do Grupo de Química Orgânica de Sistemas Biológicos do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP. “Nós estudamos organismos do mar, como esponjas, moluscos, fungos, briozoários e demais invertebrados em busca de substâncias interessantes para o desenvolvimento de fármacos”, explica Roberto Berlinck, professor do IQSC e coordenador do grupo fundado em 2000.

Substâncias produzidas pelos invertebrados apresentam atividade promissora contra diversas doenças, como câncer e malária

Mas, afinal, com tantos animais disponíveis no oceano para serem estudados, por que escolher organismos invertebrados? “Os animais que têm pouca mobilidade, ou fixos no substrato marinho, estão mais suscetíveis a ataques de predadores, competição por espaço e infecções por microrganismos patogênicos. Eles tiveram que desenvolver mecanismos de defesa eficazes, como os espinhos, que seriam uma defesa física, e os venenos, vistos como uma proteção química. Por isso, eles são tão atraentes de serem estudados”, explica o docente.

O trabalho é complexo e envolve uma série de etapas. Por meio de mergulhos, coletas e análises detalhadas em laboratório, os cientistas investigam a bioatividade de substâncias extraídas dos animais para testá-las em células doentes. Claro que para realizar todas essas tarefas é preciso vencer o desafio geográfico. Apesar da grande logística necessária para que o grupo do interior de São Paulo se desloque para o litoral, isso não diminui o empenho dos pesquisadores: “A distância nunca atrapalhou, mas é óbvio que é preciso ter disposição para ir para o mar, coletar, montar uma equipe e traçar a melhor estratégia”, diz o professor, que mergulha desde 1994 para fazer coletas. Entre os destinos visitados pelo docente estão Fernando de Noronha (PE), São Sebastião (SP), Baía de Todos os Santos (BA) e Cabo Frio (RJ). Mesmo com tanta dedicação, a missão não seria possível não fosse a ajuda de diversos colaboradores. Ao todo, são dezenas de pesquisadores, entre professores e alunos, espalhados pelo Brasil que colaboram com os estudos da USP.

Brecando células cancerígenas

Um dos trabalhos em andamento no grupo do IQSC é o da pós-doutoranda Camila Crnkovic. Em sua pesquisa, ela estuda a produção das fomactinas, substâncias obtidas a partir do fungo Biatriospora sp., encontrado dentro da esponja marinha Dragmacidon reticulatum, no litoral de São Sebastião (SP). Entre outras funções, as fomactinas possuem ação anticâncer, inibindo o crescimento de células cancerígenas depois de tratamentos por quimioterapia ou radioterapia.

Camila pesquisa a produção das fomactinas, substâncias que inibem o crescimento de células cancerígenas

Utilizando técnicas computacionais, Camila descobriu que o fungo estudado produz muito mais dessas substâncias do que se imaginava, sendo considerado uma verdadeira fábrica de fomactinas. “O trabalho agora é isolar e identificar todas essas moléculas para determinar quais são as mais promissoras”, afirma a cientista. Testes em laboratório com alguns desses compostos mostraram resultados positivos em células doentes.

Formada em Farmácia, Camila sempre carregou o interesse em atuar nessa área de pesquisa: “O apelo de procurar novos medicamentos é muito motivante para mim. Quando você começa a estudar a química de produtos naturais, tem muita coisa diferente, cada organismo produz um tipo de substância, cada classe de molécula tem uma atividade biológica diferente que pode virar um fármaco. Tudo fica mais atraente por toda essa diversidade”, diz a pós-doutoranda, que realiza sua pesquisa em parceria com Leandro Oliveira, mestrando do IQSC e o mais novo integrante do grupo de pesquisa. Apesar do pouco tempo de casa, o jovem, que veio da cidade de Cássia, do sul do Estado de Minas Gerais, já se sente respaldado pela equipe: “Embora tudo ainda seja novo para mim, a experiência está sendo incrível. A pesquisa no IQSC é muito bem estruturada e o grupo totalmente acolhedor’, afirma.

Leandro veio do sul de Minas Gerais para estudar no IQSC

Moléculas promissoras no combate ao câncer também foram localizadas em esponjas coletadas na foz do Rio Amazonas, bioma descrito em 2016. Em meio à diversidade local, elas chamaram a atenção por serem abundantes, despertando em Vítor Feire, doutorando do IQSC, o interesse em estudá-las. Ele analisou um conjunto de moléculas extraídas da esponja Dictyonella e descobriu que as substâncias foram capazes de inibir in vitro a atividade de um complexo enzimático chamado de proteassoma, ação que fez com que elas adquirissem atividade anticâncer. Os resultados obtidos com o trabalho geraram o artigo científico publicado na revista Journal of Natural Products.

Vítor trabalha com esponjas coletadas na foz do Rio Amazonas

Mesmo com resultados promissores, o pesquisador segue estudando novas esponjas encontradas no Rio Amazonas à procura de compostos cada vez mais eficientes. Formado em Química Ambiental pela Unesp, Vítor Freire diz que se interessou pela área para descobrir como podemos utilizar organismos da natureza a nosso favor. “Aqui no laboratório, temos a possibilidade de estudar organismos nunca antes explorados”, revela o jovem, que se sente gratificado em atuar nesse ramo da ciência: “Além de fazer o que eu gosto, estou mirando lá na frente para conseguir um remédio que poderá ser utilizado em algum tratamento, isso é muito recompensador”.

Como encontrar a molécula ideal?

Diante das centenas de milhares de substâncias produzidas pelos animais aquáticos, identificar moléculas promissoras não está entre as missões mais fáceis. Segundo o professor Berlinck, a cada 10 mil novas substâncias descobertas, apenas uma chega efetivamente ao mercado. “É um processo longo, que envolve muitos recursos, tanto financeiro como de pessoal. É um esforço humano enorme que exige um alto grau de conhecimento, por isso são tantas equipes trabalhando pelo mundo”, diz o docente.

O trabalho que o grupo desempenha compõe os primeiros passos no processo de descoberta de um novo medicamento, funcionando praticamente como um grande “filtro” que facilita o trabalho de muitos cientistas ao descartar ou selecionar substâncias para o prosseguimento das etapas. O docente afirma que, atualmente, o custo total para desenvolver um novo fármaco gira em torno de $ 500 milhões e o tempo de espera pode variar de 10 a 20 anos. “Temos que ser certeiros na seleção”, afirma o docente, que prefere estudar locais ainda pouco explorados.

Berlinck mergulha desde 1994 para realizar coletas no mar – Foto: Henrique Fontes/IQSC USP

Um deles foi a Antártica, onde a professora Lara D. Sette, da Unesp de Rio Claro e colaboradora de Berlinck, coletou no substrato terrestre um fungo com grande potencial, chamado de Geomyces. Após testes in vitro no laboratório do IQSC, foi descoberto que o fungo produz substâncias promissoras no combate a doenças causadas por parasitas, como malária e leishmaniose. “Sabemos que o fungo possui um conjunto de moléculas interessantes, agora vamos estudá-las uma a uma para saber quais são as mais efetivas”, explica.

Protegendo as plantas

Protagonistas na descoberta de novos medicamentos, os fungos podem ser considerados vilões para algumas plantas, impactando diretamente na produção alimentícia. Esse é o caso do fungo Colletotrichum, conhecido por causar doenças em árvores e plantas frutíferas, como morango, goiaba, maçã, feijão, amêndoas, entre outras. No entanto, uma situação curiosa despertou o interesse da doutoranda do IQSC Mirelle Takaki. Ela descobriu que, estranhamente, o comportamento agressivo do fungo contra os vegetais não ocorria na Ilha de Alcatrazes, litoral norte de São Paulo, deixando de acometer as plantas nativas.

Mirelle estuda o comportamento do fungo Colletotrichum, conhecido por causar doenças em árvores e plantas frutíferas

“O intuito do meu trabalho é descobrir porque alguns desses fungos causam e outros não causam certas doenças, analisando tanto linhagens de plantas saudáveis como afetadas”, explica a aluna. Uma das suspeitas da pesquisadora é de que os fungos da ilha estejam em condição de harmonia com as plantas locais. Como não há muitos predadores na região, não seria necessário “atacá-las”. Mirelle diz que ainda não existe uma forma efetiva de evitar que as plantas sejam contaminadas. Com o seu trabalho, será possível entender como esses fungos se comportam, abrindo caminhos para a produção de bioinseticidas que possam combatê-los e evitar a perda de alimentos.

Formada em Química pela Unesp, Mirelle sempre gostou da área de química orgânica. Foi durante seu mestrado que começou a procurar por grupos de pesquisa que estudavam produtos naturais, escolhendo o do IQSC. Atualmente, ela está prestes a defender seu doutorado na instituição. “É muito legal quando vemos o resultado do que estamos fazendo. Nós passamos anos estudando e, no final, é muito gratificante saber que o que desenvolvemos poderá ser aproveitado pela sociedade.”

Grupo de Química Orgânica de Sistemas Biológicos do IQSC – Foto: Henrique Fontes/IQSC USP

Mais de 63 mil casos de malária foram registrados no Amazonas em 2019

17/01/2020
Mosquito transmissor da malária — Foto: Getty Images
Número representa redução de 14% em relação ao ano anterior.

Fonte: G1 Amazonas

Dados divulgados nesta quarta-feira (8) apontam que 63.361 casos de malária foram registrados no Amazonas em 2019. O número representa uma redução de 14% em relação ao ano de 2018, quando foram registrados mais de 73 mil casos, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

A maior redução foi identificada nos registros causados por Plasmodium falciparum – responsável pelas formas mais severas da doença. Foram 1.417 casos a menos em 2019 na comparação com o ano anterior.

Os municípios com maior incidência de casos foram São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Manaus e Santa Isabel do Rio Negro. Ainda de acordo coma a FVS, foram realizados 669.763 exames para diagnóstico de malária ao longo de 2019.

A Fundação ressaltou que distribuiu e instalou 125.750 mosquiteiros impregnados para moradores de 49 municípios considerados prioritários para prevenção de malária. Além disso, mais de 1,5 milhão de medicamentos foram distribuídos no estado.

Equipamentos

Para manter em funcionamento as atividades de vigilância, a FVS repassou equipamentos para 27 municípios. Entre eles estão 11 kits do VIGIÁGUA, seis microscópios, três botes, 32 pulverizadores, além de telefones, scanners, uma picape, entre outros.

Nota de Falecimento: Nilcéa Freire

08/01/2020

Nota de pesar

A Sociedade Brasileira de Parasitologia, com profundo pesar e consternação, informa o falecimento de Nilcéa Freire, no dia 29 de dezembro na cidade do Rio de Janeiro. Nilcéa nasceu nessa cidade, em 13 de setembro de 1952. Em 1972, ingressou no curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da (então) Universidade do Estado da Guanabara (UEG). Em virtude de sua atuação contra a ditadura militar, exilou-se no México, onde viveu de 1975 a 1977. De volta ao Brasil, continuou os estudos na UERJ, onde formou-se em 1978 e fez residência médica nos dois anos seguintes. Logo após, foi contratada como Professora Auxiliar de Parasitologia da UERJ. Parasitologista de formação, Nilcéa sempre foi voltada às populações desassistidas e incentivava fortemente a inserção de alunos de graduação em atividades fora da sala de aula. Assim, no final da década de 70,  participou de inquérito parasitológico em uma comunidade carente no bairro de Jacarepaguá (RJ) e na década seguinte, sobre esquistossomose no município de Sumidouro (RJ), em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz. Em 1984, realizou estágio de pesquisa no Museu Nacional de História Natural de Paris, sobre a marcação de papilas argentofílicas em cercárias de Schistosoma mansoni. No ano seguinte, iniciou o mestrado em Zoologia no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1987, concluiu o mestrado, defendendo dissertação intitulada “Manutenção do vínculo de transmissão entre roedores e humanos do parasito Schistosoma mansoni”, sob a orientação do Dr. Luís Rey. Nilcéa participou de congressos de Parasitologia e Simpósio Nacional e Internacional sobre esquistossomose e reuniões da Sociedade Brasileira Para ao Progresso da Ciência. 

Como atividades de gestão, Nilcéa foi assessora da Sub-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (SR-2), até 1991; diretora de Planejamento e Orçamento (Diplan), de 1992 a 1995; e Vice-reitora na gestão do reitor Antônio Celso Alves Pereira, de 1996 a 1999 e primeira mulher a ocupar o cargo de Reitora de uma universidade pública no Estado do Rio de Janeiro (2000 – 2003). Durante sua gestão presidiu o Conselho Estadual de Educação (2001) e, em 2003, implantou o projeto pioneiro de cotas para estudantes de escolas públicas e afrodescendentes, que acabou se estendendo para as demais instituições de ensino superior públicas no País. Em 2004, Nilcéa assumiu a chefia da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM). Em 2006, uma das metas do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) foi alcançada, com a aprovação, em 7 de agosto, da lei para coibir e prevenir a violência doméstica contra as mulheres, conhecida como Lei Maria da Penha. 

Nilcéa Freire deixa dois filhos e três netas. 

Laboratório da UFU em Uberlândia identifica composto que pode inibir zika vírus em quase 90%

08/01/2020
Pesquisadores da UFU realizam pesquisa que pode ser marco na contenção do perigoso zika vírus  — Foto: UFU/Divulgação
Resultados dos testes foram publicados na revista internacional Scientific Reports.
Entenda o procedimento da pesquisa, seus efeitos e as graves condições que o vírus pode causar.

Fonte: G1

Cientistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) identificaram um composto sintético derivado do ácido antranílico que é capaz de reduzir a multiplicação do zika vírus em até 86%.

Os resultados parciais da pesquisa foram publicados em novembro na revista Scientific Reports, do grupo Nature, e divulgadas no site da universidade no dia 16 de dezembro.

Conforme a UFU, desde 2015, um grupo de pesquisadores cultiva células, infecta-as com vírus de doenças como zika e chikungunya e testa substâncias que possam inibir a ação desses vírus.

“Nós testamos moléculas que foram isoladas da natureza, como compostos isolados de plantas do cerrado ou proteínas de peçonhas brasileiras, e também compostos que são desenvolvidos por laboratórios colaboradores com base em estruturas naturais”, explicou a coordenadora do estudo, professora Ana Carolina Gomes Jardim.

Casos na região

Uberlândia não tem nenhum caso de zika vírus registrado em 2019, mas em Minas Gerais foram pelo menos 725 casos prováveis da doença em 2019, sendo 168 em gestantes.

Casos prováveis de zika em gestantes foram registrados em 59 municípios: Uberaba (21), Belo Horizonte (18), Ribeirão das Neves (16), São Francisco (13), Contagem (7), Martinho Campos (7), Araguari (6), Janaúba (6) e Passos (4), os demais 50 municípios registraram, juntos, 70 casos.

Entenda os testes

Segundo a publicação, no Laboratório de Virologia, vinculado ao Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM/UFU), foram feitos os testes in vitro, com as células cultivadas.

Os testes foram feitos com vírus produzidos em laboratório com a mesma sequência genética do zika vírus brasileiro, mas com um gene extra que sintetiza uma proteína que emite luminescência na presença de um substrato, o que permite aos cientistas observarem a atividade desse vírus.

O composto sintético FAM E3, capaz de inibir a ação do zika vírus, foi desenvolvido com base na estrutura natural de uma planta do cerrado.

“Nós infectamos as células na presença desse composto e comparamos com uma célula infectada que não foi tratada. Então, percebemos que existe uma redução da infectividade do vírus a níveis muito parecidos com uma célula não infectada”, afirmou Jardim.

Os pesquisadores da UFU identificaram, inclusive, em qual parte do ciclo de vida do zika vírus o composto FAM E3 agiu. Na próxima etapa, os testes serão com animais.

Zika

O zika é um arbovírus (vírus transmitido por picadas de insetos) cujo vetor é o mosquito Aedes aegypti. Segundo o Ministério da Saúde, a doença pelo vírus zika apresenta risco superior a outras arboviroses, como dengue, febre amarela e chikungunya, para o desenvolvimento de complicações neurológicas, como encefalites, Síndrome de Guillain Barré e microcefalia.

Entidades de pesquisa

O estudo foi desenvolvido em parceria com o Laboratório de Fisiologia Integrativa e Nanobiotecnologia Salivar (ICBIM/UFU) e o Laboratório de Nanobiotecnologia, do Instituto de Biotecnologia (IBTEC/UFU).

O composto testado foi sintetizado pelo Laboratório de Química Verde e Medicinal da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de São José do Rio Preto, coordenado pelo professor Luis Octávio Regasini.

A pesquisa foi desenvolvida com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Fundo Newton, um recurso da agência britânica The Royal Society. Os pesquisadores da UFU passaram por treinamento no Reino Unido e na Estônia.

Laboratório da UFU identifica composto sintético capaz de inibir zika vírus

17/12/2019
Resultado de imagem para Laboratório da UFU identifica composto sintético capaz de inibir zika vírus
Segundo o Ministério da Saúde, “a doença pelo vírus zika apresenta risco superior a outras arboviroses, como dengue, febre amarela e chikungunya

Fonte: JM Online

Desde 2015, um grupo de cientistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) cultiva células, infecta-as com vírus de doenças como zika e chikungunya e testa substâncias que possam inibir a ação desses vírus. Agora, eles identificaram que um composto sintético derivado do ácido antranílico é capaz de reduzir a multiplicação do zika vírus em até 86%. Os resultados parciais foram publicados em novembro na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

“Nós testamos moléculas que foram isoladas da natureza, como compostos isolados de plantas do cerrado ou proteínas de peçonhas brasileiras, e também compostos que são desenvolvidos por laboratórios colaboradores com base em estruturas naturais”, explica a professora Ana Carolina Gomes Jardim, que coordena o estudo.

No Laboratório de Virologia, vinculado ao Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM/UFU), foram feitos os testes in vitro com as células cultivadas. O estudo foi desenvolvido em parceria com o Laboratório de Fisiologia Integrativa e Nanobiotecnologia Salivar (ICBIM/UFU) e o Laboratório de Nanobiotecnologia, do Instituto de Biotecnologia (IBTEC/UFU). O composto testado foi sintetizado pelo Laboratório de Química Verde e Medicinal da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de São José do Rio Preto, coordenado pelo professor Luis Octávio Regasini.

zika é um arbovírus (vírus transmitido por picadas de insetos) cujo vetor é o mosquito Aedes aegypti. Segundo o Ministério da Saúde, “a doença pelo vírus zika apresenta risco superior a outras arboviroses, como dengue, febre amarela e chikungunya, para o desenvolvimento de complicações neurológicas”, como encefalites, Síndrome de Guillain Barré e microcefalia.

Na UFU, os testes foram feitos com vírus produzidos em laboratório com a mesma sequência genética do zika vírus brasileiro, mas com um gene extra que sintetiza uma proteína que emite luminescência na presença de um substrato, o que permite aos cientistas observarem a atividade desse vírus. O composto sintético FAM E3, capaz de inibir a ação do zika vírus, foi desenvolvido com base na estrutura natural de uma planta do cerrado.

“Nós infectamos as células na presença desse composto e comparamos com uma célula infectada que não foi tratada. Então, percebemos que existe uma redução da infectividade do vírus a níveis muito parecidos com uma célula não infectada”, afirma Jardim. Os pesquisadores da UFU identificaram, inclusive, em qual parte do ciclo de vida do zika vírus o composto FAM E3 agiu. A próxima etapa serão testes in vivo, ou seja, com animais.

A pesquisa foi desenvolvida com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e também do Fundo Newton, um recurso da agência britânica The Royal Society. Os pesquisadores da UFU passaram por treinamento no Reino Unido e na Estônia.  

Unioeste desenvolve aplicativo de mapeamento da dengue

17/12/2019
Larissa Santin, acadêmica pesquisadora, realizando funções no software. Foto: Unioeste
A ferramenta auxilia prefeituras a organizar ações de enfrentamento de problemas causados pela transmissão de doenças como dengue, chikungunya e zika.

Fonte: Governo do Estado Paraná

Pesquisadores do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) desenvolveram o Sigaedes, aplicativo para dispositivos móveis que identifica e oferece soluções para infestação, controle e combate vetorial do Aedes aegypti e Aedes albopictus.

A ferramenta auxilia prefeituras a organizar ações de enfrentamento de problemas causados pela transmissão de doenças como dengue, chikungunya e zika. O aplicativo integra o Projeto Aedes, que ainda engloba metodologia e um software capaz de realizar pesquisa populacional, residencial ou empresarial, relativa ao indivíduo, local, tempo e outros fatores.

O projeto de pesquisa contou com o apoio da Fundação Araucária, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura Municipal de Cascavel.

A professora do CCET e orientadora do projeto, Claudia Rizzi, explica que os estudos iniciaram em 2008, e que para materializar a proposta foram elaboradas soluções por meio de subprojetos de informação e dados para o auxílio no combate às doenças, além de registo e acompanhamento de indivíduos infectados.

A professora também destaca que os dados coletados em campo e disponibilizados no software são utilizados como testes em amostras reais e, no último ano, houve avanços no encaminhamento de dados do software para o servidor.

“Na medida em que temos os dados é possível tomar decisões mais direcionadas e objetivas. No que diz respeito à dengue, no geral, os sistemas de informação que existem não são conectados. O Sigaedes contribui nesse sentido, auxiliando os gestores a combater os vetores de forma eficaz”.

O software é integrado a diferentes metodologias prescritas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde. Essa solução computacional permite resultados rápidos e eficazes à gestão e acompanhamento de ações para controle e combate aos mosquitos transmissores das doenças.

LOCALIZAÇÃO – O aplicativo funciona com uma metodologia georreferenciada e é possível supervisionar o raio em que vírus está presente, além de localidades consideradas de risco, mutirões que já ocorreram para o combate da doença, denúncia de imóveis, entre outros.

A iniciativa disponibiliza acesso a relatórios e visualização em mapas temáticos, informações específicas para acesso pelo cidadão, material didático e instrucional, gestão do trabalho com o Levantamento Rápido de Índices para Aedes Aegypti (LIRAa) e a viabilização de acesso a dados através de dispositivos móveis.

PREVENÇÃO – O sistema desenvolvido acompanha a contagem e coleta de ovos do vetor, realizada pelo controle de epidemias do município, para estimar a infestação do vírus. Há também uma tecnologia de simulação computacional que permite encenar o espalhamento de doenças em uma área geográfica ao longo do tempo, criando cenários favoráveis para a escolha de estratégias de controle e combate vetorial.

CONEXÃO – O Sigaedes cria conexões com outros projetos e permite que o software gere análises e dados mais completos sobre a dengue. Entre eles estão o Sistema do Programa Nacional de Controle da Dengue (SisPNCD) desenvolvido pelo Ministério da Saúde, o Alerta Dengue e o LIRAa.