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Llamado a interesado/as en un posdoctorado en inmunología en Uruguay

18/06/2019

Estamos seleccionando investigador/a postdoctoral para trabajar en el proyecto titulado “Nuevos mecanismos de proliferación inflamatoria de macrófagos”, financiado (en el rubro consumibles) por el International Centre for Genetic Engineering and biotechnology. El candidato a postdoctoral deberá presentarse a una beca concursable de PEDECIBA, en un llamado abierto cuyo vencimiento es el 12 de julio de 2019 y que prevé un comienzo del usufructo de la beca en el correr del segundo semestre de 2019.

Esta beca prevé un salario de aproximadamente 66000 pesos uruguayos mensuales líquidos, más beneficios sociales que incluyen aguinaldo y cobertura de salud, durante dos años (con renovación luego del primer año sujeta a cumplimiento). Se adjunta el texto del llamado correspondiente.

Nuestro grupo está centrado en inmunidad innata, en relación, hasta fechas recientes, a infecciones por helmintos (se adjunta un CV breve del responsable del proyecto). El presente proyecto es, en cambio, de interés inmunológico absolutamente general.

Hacemos esta apuesta sobre la base de un conjunto de hipótesis muy interesante apoyado por buenos resultados iniciales, y en colaboración estrecha con el grupo de Judith E. Allen (Universidad de Manchester, Reino Unido), que es líder mundial en el área temática del proyecto. El proyecto abarca desde mecanismos a nivel de moléculas hasta experimentos en modelos de obesidad y ateroesclerosis, estos últimos en colaboración con investigadores del Instituto Pasteur de Montevideo. Nuestro laboratorio está ubicado en el Instituto de Higiene (Universidad de la República), en una zona agradable y geográficamente central de Montevideo, y está correctamente equipado para investigación inmunológica, incluyendo acceso a citómetro de flujo FACS Canto II de 8 colores en el mismo edificio.

Por más información comunicarse a la brevedad posible con Álvaro Díaz, al teléfono +59824874320, o al correo adiaz@fq.edu.uy.

Pesquisadores encontram veneno que pode combater a Leishmaniose

18/06/2019
Coordenadora do Pró-Rondônia, Juliana Zuliani e o pesquisador Leonardo de Azevedo no laboratório da Fiocruz. (Fotos: Frank Nery)

Fonte: Diário da Amazônia

A pesquisa está sendo realizada por um aluno de doutorado da Universidade Federal de Rondônia (Unir) que faz parte do projeto Pró-Rondônia financiado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero).

A coordenadora do projeto é a doutora em imunologia, formada pela Universidade de São Paulo (USP), Juliana Zuliani, que também é pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professora na Unir. A área de atuação está ligada à bioquímica e bioinformática. A doutora comenta que a descoberta de dois compostos extraídos do veneno de serpentes da espécie jararacuçu, muito embora seja uma cobra encontrada no sul do país, e os pesquisadores vem trabalhando com o veneno de duas jararacas, nativas da região Amazônica, em que o veneno é similar ao da Jararacuçu. A enzima pode ser a cura para a leishmaniose. “Estamos estudando um composto de proteínas no interior da célula que culmina a liberação de um mediador, que é o causador da inflamação. A descoberta dessa enzima pode quebrar o processo de inflamação da leishmaniose”, explicou, informando que há pesquisas sendo desenvolvidas para o combate da malária utilizando também um composto do veneno de cobras.

Esses são apenas um dos avanços da equipe de pesquisadores que fazem parte do Pró- Rondônia, iniciado há quase três anos. Seis estudantes participam do projeto com bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado, com alunos de graduação, pós graduação e doutores. Para o Pró-Rondônia, foram investidos R$ 125 mil.

Os estudantes são orientados por doutores que também são professores da Unir e pesquisadores da Fiocruz; Leonardo de Azevedo Calderon com experiência nas áreas de bioquímica e biofísica e Andreimar Martins Soares, que atua nas áreas de saúde pública e biotecnologia.

O foco principal do projeto são pesquisas sobre a bioprospecção da biodiversidade amazônica. De acordo com os pesquisadores, a partir desses estudos de compostos oriundos da biodiversidade da região amazônica, possam surgir novas drogas. Para que isso aconteça, através do Pró-Rondônia foi criada a Rede de Biotecnologia de Toxinas e Inibidores (Redebiotex), que integra pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e de outros país como a Argentina, Equador, Panamá e Paraguai. “Contamos com pesquisadores de várias áreas diferentes, como a bioquímica, biofísica, imunologia , bioinformática, microbiologia. Praticamente todas a vertentes para poder ter um estudo integrado para chegar a um produto final”, destacou a coordenadora do programa, Juliana Zuliani.

Entusiasmado com o resulto de muitas pesquisas desenvolvidas pelo projeto, o pesquisador Leonardo de Azevedo Calderon destaca a importância do incentivo à pesquisa e a contribuição dela para os mais variados setores. “É preciso desmistificar a história que a pesquisa não serve para nada e que é dinheiro jogado fora, porque a pesquisa é a base para um novo conhecimento. Por mais simples que seja é importante. Senão fossem os estudos básicos da doutora Juliana, não conseguiríamos descobrir a proteína que pode combater a leishmaniose, a malária e outras doenças, uma vez que Rondônia é uma área endêmica. A pesquisa é fundamental e as informações se interligam”, desabafou.

“A falta de incentivo prejudica todo o desenvolvimento das pesquisas, que precisam parar por falta de recursos. A pesquisa não é barata. Todos os insumos são importados, não há insumos nacionais, porém é muito mais caro uma pessoa no leito de hospital público, ou comprar medicamentos com compostos do Brasil patenteados por outros países, como é o caso do captopril, produzido através de uma proteína do veneno de cobra nativa da região”, declarou Zuliani.

Com o investimento do Governo do Estado na área de pesquisa, hoje Rondônia conta com mais de 700 doutores qualificados nas mais diversas áreas. (Fotos: Frank Nery)

O governo do Estado, por meio da Fapero, busca alternativas para manter as pesquisas em andamento e para abrir novas frentes de estudos. Atualmente Rondônia conta com mais de 700 doutores, sendo que a maioria passou pela orientação da pesquisadora e coordenadora do Pró-Rondônia, Juliana. ”Nós qualificamos e especializamos mão de obra para o Estado nas mais diferentes áreas de atuação, sejam elas na agricultura, pecuária, administração, engenharia entre outros setores” ressaltou.

Pesquisadores tipo exportação

Com a falta de incentivo e sem área para atuar, depois de formado, muitos pesquisadores brasileiros encontram emprego em outros países, onde são reconhecidos. “São quase 12 anos para formar um pesquisador, em que o governo investe e o qualifica, mas sem incentivo perdemos nossos doutores para o mercado internacional que os absorve. A atual administração está empenhada em investir nos programa de pesquisas em diversas áreas e absorver essa mão de obra”, salientou o presidente da Fapero, Leandro Dill, doutor e pesquisador da Fiocruz e orientador no Pró-Rondônia.

Leandro Dill foi convidado pela equipe da General Eletric dos Estados Unidos para trabalhar no setor de desenvolvimento, mas preferiu continuar em Rondônia.

UFC abre novo Concurso Público destinado a contratação de Docentes

23/05/2019
UFC abre novo Concurso Público destinado a contratação de Docentes

Universidade Federal do Ceará (UFC) abre novo Concurso Público que tem como objetivo contratar Professor da Carreira do Magistério Superior Classe A, para exercer as funções no Campus da UFC em Fortaleza.

Há oportunidades para os departamentos nas seguintes áreas:

  • Departamento de Patologia e Medicina Legal – Parasitologia (1);
  • Departamento de Fundamentos da Educação – Psicologia da Educação (1);
  • Oceanografia Geológica – Área de Concentração – Dinâmica Costeira (1).

A remuneração para os cargos será de R$ 9.600,92, referente a carga horária de 40 horas semanais.

As inscrições podem ser realizadas pessoalmente na Secretaria do Departamento ou Instituto interessado, a partir do dia 23 de maio de 2019 até dia 11 de junho de 2019, das 9h às 12h e das 14h às 17 para os setores de estudo Parasitologia e Oceanografia Geológica – Área de Concentração: Dinâmica Costeira, já para o setor de Psicologia da Educação das 14h às 20h.

Vale ressaltar que a confirmação das inscrições será dada mediante ao pagamento de taxa no valor de R$ 240,00

O Concurso Público será constituído por meio de Prova Escrita Subjetiva, Prova Didática e Avaliação de Títulos. Somente para o setor de estudo Parasitologia será utilizado o Prático-Oral e Defesa de Projeto de Pesquisa.

Para mais informações acesse o Edital disponível em nosso site.

Brasil registra 5 vezes mais casos de dengue que no ano passado

23/05/2019
Brasil registra 5 vezes mais casos de dengue que o ano passado
10 estados e o Distrito Federal estão com alta incidência de dengue. AC, DF, GO, ES, MG, MT, MS, PR, RN, SP e TO estão com mais de 100 casos a cada 100 mil habitantes.

Fonte: G1

O número de casos de dengue em todo o país já é cinco vezes maior que no ano passado

O número de casos de dengue em todo o país já é cinco vezes maior que no ano passado. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 foram registrados 675.174 casos prováveis de dengue. Em 2018, o número era de 134.048 no mesmo período. As informações são do Bom Dia Brasil.

Em Brasília, os casos já são 11 vezes maiores que em 2018. O último dado divulgado mostra quase 13 mil casos de dengue notificados. O número está defasado porque há três semanas o governo de Brasília não divulga um novo boletim sobre a dengue. Foram 10 mortes em 2019. Em 2018, na mesma época, uma pessoa havia morrido em Brasília.

10 estados e o Distrito Federal estão com alta incidência de dengue, de acordo com dados do Ministério da Saúde referentes ao dia 4 de maio: AC, DF, GO, ES, MG, MT, MS, PR, RN, SP e TO estão com mais de 100 casos a cada 100 mil habitantes.

Especialistas alertam que a dengue é uma doença cíclica, com surtos e epidemias registrados a cada três ou cinco anos. O número de casos depende do tipo de vírus circulando.Casos prováveis de dengue no Brasil134.048134.048675.174675.174201820190200k400k600k800k2018
134.048
Fonte: Ministério da Saúde

Falta de combate

Em Brasília, o serviço de fumacê foi suspenso porque o produto usado estava com prazo de validade vencido. O local de preparo do inseticida foi interditado devido à precariedade. Em vez de material específico, havia funis feitos de galões de água.

O descaso leva ao aumento no número de casos. “Nunca tinha visto um monte de gente que eu conheço ter dengue”, disse Ravylla Carvalho Santos, consultora de vendas, que se recupera de uma dengue hemorrágica. Segundo ela, pai, mãe, vizinhos e amigos tiveram a doença. Ravylla conta que não viu agentes de saúde na região onde mora.Governos dão mau exemplo de combate ao mosquito Aedes aegyptiBom Dia Brasil–:–/–:–

Governos dão mau exemplo de combate ao mosquito Aedes aegypti

Governos dão mau exemplo de combate ao mosquito Aedes aegypti

Em São Luis (MA), uma obra da prefeitura que deveria ser uma maternidade acumula água. A construção começou em 2014 e até agora está parada.

No Rio de Janeiro, um pátio do Detran tem poças d’água se formando entre carros.

Em Belo Horizonte, o mesmo se repete. Um pátio com carros arpeendidos está tomado pelo mato e água parada. No cemitério, há água parada nas lápides e plantas.

Na capital mineira são 15 mil casos confirmados de dengue e seis pessoas morreram. Em todo o estado, 38 morreram.

Os governos de MG e RJ e a prefeitura dizem que fazem manutenção constante nos locais apontados.

A prefeitura de São Luís não enviou resposta.

Estado alerta sobre tipo ainda mais grave de vírus da dengue

21/05/2019

Fonte: Mato Grosso Mais

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), por meio do setor de Vigilância Epidemiológica, emitiu um alerta aos municípios para a identificação do vírus DENV-2, um tipo de dengue que evolui rápido e pode levar a óbito. Esse vírus já circulou no Estado em 2011, quando houve o bloqueio epidemiológico que evitou uma epidemia.

Porém, de acordo com a área técnica, existe um risco de reinfecção e do surgimento de casos mais graves, especialmente em crianças.

“Orientamos aos profissionais de saúde dos municípios que notifiquem todos os casos suspeitos das arboviroses dengue, chikungunya e zika, considerando o cenário epidemiológico dessas doenças. Ao observar os sintomas, é preciso que os profissionais redobrem a atenção”, recomenda a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da SES-MT, Alessandra Moraes.

A Vigilância do Estado divulgou aos municípios o fluxo de encaminhamento de amostras para diagnóstico laboratorial dos casos suspeitos de dengue, sendo o Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso (Lacen-MT) a referência estadual.

Os casos considerados suspeitos apresentam febre de duração máxima de sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: febre, cefaleia, mialgia, artralgia, dor retro-orbitária, prostração, exantema e com exposição à área com transmissão de dengue ou com presença de Aedes Aegypti nos últimos quinze dias.

No caso de dengue grave ou óbito com suspeita de dengue, a notificação aos serviços da Vigilância Epidemiológica Municipal e Estadual deve ser feita imediatamente, alertou Alessandra de Moraes.

Outra recomendação à Rede Municipal de Saúde é para que seja feita e investigação de antecedentes epidemiológicos do paciente.

“É importante enfatizar que, ao ser infectado por um sorotipo do vírus da dengue, a pessoa cria imunidade permanente contra esse sorotipo, entretanto, também cria anticorpos que podem agravar uma infecção caso seja infectado por um sorotipo diferente”, explicou a coordenadora.

O comunicado de alerta da SES-MT ressalta ainda que a notificação de doenças e agravos de saúde pública, além de ser uma obrigação legal do profissional de saúde, tem como objetivo sinalizar a ocorrência da doença e desencadear ações de Vigilância em Saúde.

Arboviroses transmitidas pelo Aedes têm sintomas semelhantes e tem riscos à saúde

21/05/2019
Foto: Secom/JP

Fonte: Paraiba Online

Dengue, Zika e Chikungunya são arboviroses, ou seja, seus vírus são transmitidos por picadas de insetos, especialmente mosquitos. Além de alguns sintomas semelhantes, essas doenças têm em comum o mesmo vetor de transmissão, o mosquito Aedes aegypti, que também é responsável por transmitir a febre amarela.

As doenças também podem causar o desenvolvimento de complicações neurológicas, como encefalites, Síndrome de Guillain Barré, choque hemorrágico e outras doenças neurológicas. Uma das principais complicações é a microcefalia em recém-nascidos de mães que adquiriram o Zika Vírus durante a gestação.

Como o vetor de transmissão é o mesmo, as formas de evitar contrair as doenças também. O Aedesprecisa de água parada para proliferar, portanto, o período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos de cada região, épocas quentes e úmidas.

No entanto, o cuidado com a higiene e evitar deixar água parada são fundamentais, uma vez que os ovos do mosquito podem sobreviver por um ano até encontrar as condições propícias para o seu desenvolvimento.

Latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, garrafas, caixas d’água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras precisam de atenção especial já que acumulam água com facilidade e ofertam um ambiente propício ao Aedes.

“É importante que as pessoas procurem averiguar em suas residências, locais de trabalho e de lazer tudo o que, por ventura, possa acumular água, seja um saco plástico, um descartável e tantos outros pontos que podem juntar água e virar foco do mosquito. Também é importantíssimo verificar as calhas ou qualquer depósito em cima das casas que possa acumular água”, orienta o gerente da Vigilância Ambiental e Zoonoses, Nilton Guedes.

Quem souber de localidades com possíveis focos do Aedes aegypti, pode denunciar por meio dos telefones 0800-282-7959 ou 3214-5718. Os usuários também podem fazer a denúncia através do email coessmsjp@gmail.com. Quem apresentar os sintomas de uma das doenças deve procurar sua Unidade de Saúde da Família. Em casos mais graves de dengue, é preciso ir a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Dengue – A infecção por dengue pode ser assintomática, leve ou causar doença grave, levando à morte. Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de dois a sete dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele.

Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. Na fase febril inicial da doença, pode ser difícil diferenciá-la. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, entre outros sintomas.

Zika – Cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika não desenvolvem manifestações clínicas. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos.

No geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após três a sete dias. No entanto, a dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito.

Chikungunya – Os principais sintomas são febre alta de início rápido, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer ainda dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Não é possível ter chikungunya mais de uma vez. Depois de infectada, a pessoa fica imune pelo resto da vida. Os sintomas iniciam entre dois e doze dias após a picada do mosquito. O mosquito adquire o vírus CHIKV ao picar uma pessoa infectada, durante o período em que o vírus está presente no organismo infectado. Cerca de 30% dos casos não apresentam sintomas.

Achado recente abre novas possibilidades para o combate à malária

16/05/2019
Coleta do vetor da malária , Projeto Pesquisa do ICB para a eliminação da malária residual na Amazônia brasileira no estado do Acre.

Fonte: Jornal USP

O último relatório global sobre malária produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o mapa de eliminação da doença está se ampliando nos últimos anos, com mais países caminhando em direção à erradicação de casos autóctones – nosso vizinho Paraguai, por exemplo, foi certificado livre de malária em 2018. No entanto, quando é feito o cálculo do número de casos, a entidade alerta que não houve progresso significativo na redução da doença no período de 2015 e 2017. Para Daniel Bargieri, professor do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, essa estagnação de três anos reforça a necessidade de novas estratégias de controle para a malária.

Bargieri faz essa afirmação em um texto assinado junto com Kim Williamson, da Uniformed Services University of the Health Sciences, nos Estados Unidos. No comentário, publicado na edição da última quarta-feira (8) da revista acadêmica Cell Host & Microbe, os autores dizem que uma descoberta recente feita por um grupo da Universidade Harvard abre possibilidades para desenvolver essas novas estratégias, na medida em que demonstraram ser viável bloquear a transmissão “curando” o mosquito vetor da doença – ele não nasce “doente”; como nós, é infectado durante a vida.

A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium e transmitida por mosquitos Anopheles. Segundo a OMS, em 2017 foram registrados 219 milhões de casos de malária no mundo e 435 mil mortes. Os parasitas mais comuns são o Plasmodium falciparum, principal agente da doença na África, e o Plasmodium vivax, que responde por 74% das ocorrências nas Américas. Esses protozoários unicelulares têm um ciclo de vida bastante complexo, que inclui uma fase de reprodução assexuada nos seres humanos e outra, sexuada, nos mosquitos. Durante essas fases, o parasita muda de forma – e os tratamentos disponíveis contra a malária não são igualmente eficazes em todas elas.

Em um artigo publicado na revista Nature em fevereiro, o grupo de Harvard descreve um experimento no qual uma cobertura de droga antimalárica foi aplicada sobre uma superfície onde os mosquitos pousavam. Após seis minutos ali pousados, os insetos ficaram protegidos contra o Plasmodium. “Seria como se fosse um tratamento profilático do mosquito”, comenta o professor do ICB. Nas áreas endêmicas para malária, seis minutos é o tempo médio que o Anopheles fica sobre telas mosquiteiras tratadas com inseticidas – quando o tempo sobe, é sinal de que o mosquito desenvolveu resistência ao inseticida adotado.

Imagem microscópica dos mosquitos Anopheles – Persian Microbiologist via Wikimedia Commons / CC BY-SA 4.0

Os norte-americanos utilizaram uma droga chamada atovaquona no experimento, mas não sugerem que ela seja adotada para uso em larga escala, já que a substância induz resistência no parasita da malária. Contudo, foi graças às propriedades físico-químicas da atovaquona que os pesquisadores conseguiram o efeito protetivo: é por ter afinidade com gorduras que a droga consegue penetrar no corpo do mosquito.

“Eles descobriram que a atovaquona consegue entrar no mosquito antes dele ser infectado pelo Plasmodium e, estando dentro do mosquito, impede a infecção. Para que isso ocorra, a primeira condição é que a droga seja ativa contra as fases do parasita que estão no mosquito”, conta Bargieri, que se dedica a pesquisar novos modelos para testar a eficácia de drogas contra a malária. Um trabalho recente de seu laboratório descreve um modelo desenvolvido para fazer a triagem de drogas que tenham ação contra os gametas e zigotos do Plasmodium, duas formas do protozoário que infectam os mosquitos.

Ciclo de vida complexo

Quando uma pessoa é picada por um mosquito que carrega o Plasmodium, ela é infectada com uma forma do parasita chamada esporozoíto. O esporozoíto se desloca até o fígado da pessoa e de lá entra na corrente sanguínea na forma de merozoíto. O merozoíto invade as células vermelhas e se multiplica principalmente em novos merozoítos. É nessa etapa que aparecem os sintomas da malária – febre, dor de cabeça, calafrios.

Uma parte menor dos merozoítos vira gametócitos. Essa forma do Plasmodium não causa doença em humanos, mas é a que infecta o mosquito que pica os humanos. Os gametócitos podem ser machos ou fêmeas e, uma vez no organismo do inseto, se transformam em gametas masculinos ou femininos. Os gametas se fecundam e formam um zigoto, que se desenvolve dentro do Anopheles até dar origem a um novo esporozoíto.

Os medicamentos atuais atacam sobretudo os merozoítos. Porém, fazem pouco em relação às formas presentes no mosquito vetor. Entre as três principais drogas indicadas para tratar a doença, uma não tem nenhum efeito sobre os gametócitos, outra exigiria doses muito maiores do que as praticadas e a última tem o potencial limitado pela alta toxicidade. O desafio, então, é encontrar um princípio ativo que seja eficaz contra gametócitos e zigotos sem produzir efeitos colaterais graves em humanos e que, além disso, seja viável economicamente.

“Compostos farmacológicos são infinitos, basicamente. Então, ou você tem um educated guess [um chute bem informado, numa tradução livre] muito bom sobre qual coleção de drogas você poderia usar ou, se você quer testar muitas e muitas drogas, você precisa de um modelo que te permita fazer experimentos em larga escala, ver o efeito de muitas drogas ao mesmo tempo. Não dá para testar uma por uma”, afirma Daniel Bargieri.

No modelo descrito em artigo publicado na revista Antimicrobial Agents and Chemotherapy, Bargieri e seu grupo utilizaram um Plasmodium transgênico que infecta camundongos para testar simultaneamente a eficácia de diferentes substâncias na inibição ou extermínio de formas do parasita que vivem no mosquito. O protozoário geneticamente modificado carrega um gene que produz uma enzima chamada luciferase, mas a sequência de DNA que controla a atividade do gene só o ativa quando o parasita vira zigoto.

Coleta de sangue para teste de malária – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Os cientistas colocaram esse Plasmodium em um meio de cultura que imita as propriedades do intestino do mosquito, junto com um substrato que reage com a luciferase. Depois, acrescentaram a droga que queriam testar e, com um equipamento chamado luminômetro, mediram e emissão de luz produzida pela reação da luciferase. Se se fazia luz, era porque a droga não tinha bloqueado o ciclo de vida do parasita. Mas se não havia emissão de fótons, era porque a droga tinha atividade contra os gametócitos ou o zigoto e, portanto, era eficaz no bloqueio do desenvolvimento do parasita. Hoje, os pesquisadores conseguem testar simultaneamente milhares de drogas ou de concentrações variadas da mesma droga com esse ensaio laboratorial.

“A gente já testou mais de 8 mil drogas com esse modelo e tem a lista das drogas que são ativas contra as formas do parasita dentro do mosquito. Agora, com esse trabalho da Nature em mãos, a gente pode analisar essa lista com outros olhos. Em vez de procurar quais são as drogas mais seguras para uso humano, pode procurar quais são as drogas mais lipofílicas, quais são as mais estáveis (ou) quais são as mais baratas, porque para tratar telas mosquiteiras ou fazer spray em casa precisa ser uma coisa barata”, diz Bargieri.