Skip to content

UFMG abre Concurso Público para o Instituto de Ciências Biológicas

14/08/2017

UFMG

Fonte: PCI Concurso

Nesta quinta-feira, 10, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abre inscrições de Concurso Público válido por um ano, que destina-se a preencher uma vaga na área de Protozoologia.

Para ganhar remuneração de R$ 9.570,41 ao atender as necessidades do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) é preciso ter título de Doutor em Parasitologia ou áreas relacionadas.

O contratado como Professor Adjunto A da Carreira do Magistério Superior irá lecionar as disciplinas do Departamento de Parasitologia em regime de dedicação exclusiva.

Com término no dia 8 de outubro de 2017, as inscrições podem ser feitas pessoalmente das 8h30 às 11h30 e das 14h às 16h, em dias úteis, na Secretaria Geral do ICB, situada na Avenida Antônio Carlos, nº 6627, Bloco M1, sala 308, Pampulha, Belo Horizonte – MG, mediante taxa de R$ 215,99.

A classificação ocorrerá por meio de prova escrita, de títulos, e apresentação de seminário. Em nossa página eletrônica o edital publicado hoje, 10, no Diário Oficial da União, está acessível.

Fiocruz e Servier anunciam 1º Prêmio Internacional de Neurociência

14/08/2017

Imagem relacionada

Fonte: Jornal Nortão

A Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Servier anunciam a chamada para o 1º Prêmio Internacional Fiocruz-Servier de Neurociência. Em sua primeira edição, o prêmio contemplará duas categorias: Neurociência e infecção por vírus zika e Neuroinflamação e distúrbios de neurodesenvolvimento. A parceria entre a Fundação e o grupo farmacêutico francês oferecerá, ao todo, 150 mil euros em premiação.

A primeira chamada é para a categoria Neurociência e infecção por vírus zika. As inscrições já estão abertas. Podem se candidatar pessoas físicas que sejam pesquisadores, cientistas ou médicos reconhecidos internacionalmente. O vencedor vai receber uma bonificação de 30 mil euros para a pesquisa sobre o tema.

A segunda chamada será para a categoria Neuroinflamação e distúrbios de neurodesenvolvimento. As inscrições vão estar abertas a partir de 14 de julho. Poderão se candidatar laboratórios, instituições de pesquisa e universidades. O prêmio será de 120 mil euros em três anos (20 mil no primeiro ano e 50 mil para cada um dos dois anos seguintes

“A mobilização para o enfrentamento da zika nos trouxe grandes desafios e contribuições, premiadas com iniciativas como esta, que visa reconhecer e fomentar o trabalho de pesquisadores brasileiros”, afirmou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

Já o presidente da Servier do Brasil, Christophe Sabathier, afirmou que o Instituto vai continuar investindo no Brasil e contribuindo para o avanço de pesquisas. “Somos uma fundação e temos em nosso DNA a vocação de salvar vidas. Fazer com que os nossos pacientes vivam mais e melhor”, disse.

Os candidatos interessados na categoria Neurociência e infecção por vírus zika deverão enviar dossiê dos trabalhos ao Comitê Científico pelo e-mail premioservier@fiocruz.br.

Laboratório no Paraná amplia capacidade e precisão de diagnóstico de zika

01/08/2017

Cláudia Nunes Duarte dos Santos, virologista e chege do laboratório, explica que novo teste se baseia em

Fonte: G1

Uma técnica desenvolvida pelos pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Paraná amplia a capacidade e a precisão do diagnóstico de zika. Atualmente, a análise de cada paciente leva 10 dias no laboratório, que tem capacidade para oito testes diários. A nova tecnologia, inédita no país, permite a análise simultânea de 1,5 mil amostras por hora.

Os novos equipamentos, em funcionamento há cerca de seis meses no Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz em Curitiba, também permitiram o aumento de 50% para 91% na exatidão do teste que faz a diferenciação entre dengue e zika.

“Conseguimos desenvolver um teste de diagnóstico com bastante precisão, utilizando equipamento ultramoderno, que permite analisar muito mais amostras em menos tempo. E essa é a ideia: oferecer oportunidade de diagnóstico às pessoas”, afirma Cláudia Nunes Duarte dos Santos, virologista e chege do laboratório.

O grupo aliou uma técnica clássica de virologia com equipamentos de alta tecnologia de processamento para ampliar a capacidade de diagnóstico das doenças.

Em média, no país, são notificados cerca de 4 mil casos possíveis de zika por semana. Com o uso da nova técnica, a análise demoraria pouco mais de três horas, por exemplo.

Cláudia explica que o teste desenvolvido no laboratório não se baseia mais no olho humano, e sim em “fotografias” da ação do vírus nas células. “O equipamento tem capacidade para fotografar milhares de imagens por minuto e nós fazemos a leitura visual na tela”, indica a virologista.

No caso da zika, atualmente, os testes no país são feitos somente em gestantes, grupos prioriátrios e pessoas que apresentam os sintomas. O novo procedimento permitirá, por exemplo, uma pessoa saber se já foi infectada pelo vírus e não manifestou a doença – importante para mulheres que pretendem engravidar.

O projeto

A metodologia utilizada para a análise das amostras está em processo de patenteamento pela Fiocruz Paraná e em fase final da validação. Em junho, o laboratório recebeu amostras da rede pública para serem testadas pelo novo protocolo.

A plataforma tecnológica conta com dois equipamentos, ao custo de cerca de R$ 2 milhões cada, que utilizam o sistema de análise de alta performance por imagem – um doado por uma instituição internacional e outro financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O objetivo é ampliar o alcance do trabalho, customizar os processos para realizar a detecção de outros vírus emergentes. “Estamos trabalhando para validar o método para o diagnóstico de febre amarela. Ainda temos alguns desafios, como a equipe de profissionais reduzida, mas nosso objetivo é nos tornarmos um centro importante para a área no país”, diz a virologista.

A tentativa, como diz Cláudia, de “tropicalizar” o teste – utilizando tecnologia nacional – também permitirá incluir análises de outras doenças, como H1N1 e chikungunya. “Estamos buscando ter competência instalada para que em uma eventual epidemia de alguma doença viral nós possamos ter respostas rápidas”, destaca a pesquisadora.

Protagonismo

O grupo de pesquisadores do laboratório foi responsável pela confirmação, por meio do sequenciamento do genoma viral, da presença do zika em oito amostras humanas vindas do Rio Grande do Norte, em maio de 2015.

Em 2016, a equipe divulgou resultados de uma pesquisa que reforçou a relação entre o vírus e as más-formações congênitas. Passo importante para ter uma ideia mais ampla da infecção do vírus e potenciais mecanismos de transmissão, além de ter uma dimensão quantitativa de pessoas infectadas.

 

Ciência como aliada

01/08/2017
160524 - Copo Aedes aegypti e zika
Desde que se multiplicaram as ameaças provocadas pelo mosquito “Aedes aegypti”, a comunidade científica intensificou os estudos de alternativas para fortalecer o enfrentamento à disseminação da zika, dengue e chikungunya. Enquanto não surtem o efeito esperado, as ações para conscientizar a sociedade quanto à necessidade de eliminar os focos de reprodução do mosquito e o poder público falha na adoção de medidas mais eficazes, a Ciência vem se aliar nessa luta. Embora o apoio financeiro seja escasso e ainda estejam em fase prematura, as experiências científicas, bem como os projetos em teste conduzidos pelo Ministério da Saúde têm força para transformar o modo como as autoridades controlarão o avanço das doenças no futuro.

O desenvolvimento de uma vacina contra a dengue é uma dessas iniciativas. Os estudos para a viabilizarem estão, há um ano, na terceira e última etapa dos testes. No Ceará, nesse período, mais de 700 pessoas foram imunizadas. Os resultados preliminares apontam para eficácia de 85% na proteção aos quatro sorotipos da doença, porém o sucesso da prevenção será medido com exatidão somente daqui a quatro anos. Participarão dos ensaios clínicos aproximadamente 1.200 voluntários, com idade entre 18 e 59 anos, que serão monitorados até 2021, completando o período exigido para liberação e distribuição ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Outra proposta em avaliação é a produção de teste inédito no País que permite o diagnóstico por imagem do vírus da zika. Os equipamentos, em operação há cerca de seis meses, conseguem “fotografar” a dinâmica do vírus nas células. Com capacidade de analisar 1.500 amostras por hora, a ferramenta tem condições de ampliar a precisão do diagnóstico e permitir, assim, submeter número expressivo de pessoas ao exame. A expectativa é que tal procedimento terá custo baixo e facilitará o acesso a quem reside em áreas vulneráveis à infecção.

O Ministério da Saúde já utiliza dois mecanismos para diagnosticarem as doenças causadas pelo “Aedes aegypti”. Um deles consegue diferenciar se a pessoa foi acometida por zika, dengue ou chikungunya. A limitação do procedimento, todavia, é que a eficiência é alcançada apenas se o paciente for submetido ao exame durante a fase aguda da moléstia. Outra técnica adotada no cotidiano das unidades de Saúde identifica, após intervalo de 20 minutos, a partir de uma amostra de sangue, se gestantes e outros grupos prioritários foram infectados pelo zika vírus.

Cada uma dessas experiências mostra que os benefícios produzidos com o auxílio da Ciência podem galgar patamares imensuráveis. Por outro lado, as autoridades precisam manter o nível de investimento para que as pesquisas continuem sendo desenvolvidas. Neste ano, em meio ao corte de serviços importantes, o governo federal congelou 44% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. No início, o valor previsto para a Pasta era R$ 5,8 bilhões, mas desde março o limite foi reduzido para R$ 3,27 bilhões. Para se ter uma ideia da vertiginosa queda registrada no período recente, vale destacar que, há quatro anos, a verba destinada ao órgão somou R$ 9,4 bilhões.

Só no Ceará, segundo boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado, 122 municípios estão em situação de alerta ou em risco de surto de arboviroses. Portanto, frear os recursos destinados às pesquisas científicas se revela contraditória em face da magnitude das ameaças à saúde da população.

Cientistas descobrem molécula que pode atuar como remédio contra zika

25/07/2017

EFE/ Sebastião Moreira

Fonte: EFE Saúde

A descoberta se baseia em numerosos experimentos de química computacional e posteriores testes experimentais com ratos realizados pela Universidade de Hong Kong.

Pesquisadores espanhóis da Universidade Católica San Antonio de Murcia (UCAM) descobriram que uma molécula utilizada até agora como antibiótico pode ser usada como um potente remédio para combater as consequências do vírus da zika.

Os cientistas, pertencentes ao Grupo de Pesquisa UCAM BIO-HPC, trabalharam para encontrar um fármaco eficaz contra a doença desde que foi descoberta, há um ano, a estrutura molecular de proteínas implicadas na replicação do vírus, que é transmitido pela picada de um mosquito, segundo um comunicado da universidade.

A descoberta se baseia em numerosos experimentos de química computacional e posteriores testes experimentais com ratos realizados pela Universidade de Hong Kong.

Os pesquisadores detectaram um antibiótico que anteriormente foi receitado para combater infecções nosocomiais, ou seja, aquelas contraídas nos hospitais, e que agora as equipes da UCAM e de Hong Kong patentearam para tratar a zika.

Os testes com o composto novobiocina tiveram sucesso em ratos, com uma eficácia de 100% de cura, razão pela qual agora só é preciso refinar a dose que seria necessária em humanos para conseguir o mesmo resultado.

“Trata-se de um medicamento retirado do mercado porque perdeu sua potência como antibiótico, mas que sabemos que pode ser aplicado em humanos”, destacou o pesquisador José Pedro Cerón.

Já foram descobertos outros fármacos aprovados pelas autoridades americanas contra a doença, mas até agora só se tinha comprovado a eficácia em modelos animais de um deles, o sofosbuvir, empregado no tratamento da hepatite C, que tem um preço muito elevado, segundo explicou Helena de Haan, da mesma equipe de pesquisa.

O vírus da zika começou a propagar-se massivamente em 2015 pela América Latina e pelo Caribe por meio da picada de mosquitos do gênero Aedes infectados com o vírus, e acarreta riscos especialmente para o feto no caso de contágio de mulheres grávidas.

Mosquitos transgênicos ganham espaço em meio a falhas e manipulações

25/07/2017

fábrica de mosquito.png Fonte: Rede Brasil Atual

O projeto da prefeitura de Juiz de Fora, em Minas Gerais, de liberar mosquitos transgênicos para combater o Aedes aegypti transmissor da dengue, a partir de setembro, em três bairros, sem ter ouvido a opinião da população, está sendo questionado pelo vereador Wanderson Castelar (PT). Integrante da comissão de Saúde da Câmara e autor de uma lei aprovada que determina a participação popular nas estratégias de combate a doenças endêmicas, o parlamentar protocolou requerimento para a realização de audiência pública e deve entrar com representação na curadoria do Meio Ambiente do Ministério Público para sustar a soltura desses insetos até que a população tenha conhecimento da proposta, dos prováveis benefícios da biotecnologia e também sobre os riscos à própria saúde e ao meio ambiente e se manifeste a respeito.

No último dia 11, às vésperas do início do recesso parlamentar, o prefeito reeleito Bruno Siqueira (PMDB) assinou contrato com a Oxitec do Brasil para a compra de mosquitos transgênicos, que passarão a ser manipulados em uma “fábrica” que será instalada no município. O contrato, que a princípio tem vigência de quatro anos, tem previsão de expansão e custará à prefeitura, no primeiro ano, R$ 165 mil.

Na ocasião, a prefeitura anunciou que chamaria lideranças comunitárias dos bairros Monte Castelo, Santa Luzia e Vila Olavo Costa para informá-las a respeito da soltura dos mosquitos geneticamente modificados, a partir de setembro. Essas localidades registraram o maior número de casos em 2016, quando houve uma epidemia de dengue com mais de 28 mil ocorrências e 48 mortes confirmadas. O Ministério Público instaurou Ação Civil Pública que apurou a necessidade de 354 agentes de endemias, quando o município tinha apenas 150.

Piracicaba

O Aedes transgênico que o prefeito de Juiz de Fora está comprando é o OX513A, mesmo tipo que a Oxitec fornece desde 2015 para a prefeitura de Piracicaba (SP). De acordo com o “fabricante”, esses mosquitos foram obtidos com a inserção, nos genes, de proteínas adicionais que serão transmitidas a seus descendentes. Os insetos transgênicos são soltos no ambiente e copulam com as fêmeas selvagens. Essas proteínas adicionais, herdadas pelos descendentes, vão matá-los antes de chegar à fase reprodutiva. A empresa afirma ainda que esses mosquitos não se reproduzem com outras espécies e nem se perpetuam no ambiente.

Conforme dados da companhia, os casos de dengue diminuíram 91% nos bairros da região Cecap e Eldorado, em Piracicaba, por causa da redução de 82% das larvas selvagens de Aedes aegypti em comparação à área que não recebeu os transgênicos.

Esses bairros foram escolhidos por causa da alta incidência da doença entre julho de 2014 e julho de 2015, quando foram confirmados 133 casos de dengue na região. Com o mosquito transgênico, os números confirmados caíram para 12, segundo a Oxitec afirma com base em dados oficiais.

Cientistas e setores organizados do município, no entanto, têm restrições à maneira como a biotecnologia foi adotada e à falta de transparência quanto às informações de seu monitoramento. Tanto que em abril de 2015 foram ao Ministério Público, que naquele mesmo mês firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Oxitec e a prefeitura. Mas o acordo não estaria sendo cumprido. 

Procurada pela reportagem, a promotora do caso, Maria Christina Marton C. S. de Freitas, estava em férias e não havia substituto para falar a respeito.

Aventura

Tais resultados não convencem o ex-integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Leonardo Melgarejo. “A afirmativa de redução de 81% nas larvas está condicionada a determinado momento de avaliação. O que permite afirmar que mosquitos selvagens de áreas adjacentes ao local da liberação não migrarão para este local? É impossível isolar um território e ali controlar a população de mosquitos, impedindo a entrada e o fluxo de outras áreas”, afirma.

“Qualquer tipo de êxito, se ocorrer, será de curto prazo. E as prefeituras que entrarem nesta aventura terão que comprar os mosquitos todos os anos. A tecnologia é um engodo porque o problema nunca se resolve.”

Em março de 2014, Melgarejo e Antônio Inácio Andrioli, que segue mandato na Comissão, emitiram parecer em que questionavam diversos pontos do dossiê apresentado pela Oxitec para obter aprovação do organismo geneticamente modificado.

Entre eles, a falta de avaliação do risco associado à introdução de grandes quantidades do mosquito OX513A no meio ambiente, em que a empresa demonstra minimizar as consequências de perturbações ecológicas para a saúde pública.

Melgarejo, que é coordenador do Grupo de Trabalho sobre agrotóxicos e transgênicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e coautor do livro Lavouras Transgênicas – Riscos e Incertezas, entende que se o mosquito transgênico vier a funcionar, o vírus causador da dengue encontrá outro vetor. “Na ocasião, apostávamos que o Aedes albopictus ocuparia este espaço e traria com ele uma crise de chikungunya, porque esse aedes é mais eficiente que o aegypti para transmitir a doença”.

Ele observa ainda que uma das principais falhas no processo de produção e soltura dos insetos está na liberação de fêmeas. A separação, conforme explica, é feita por meio do escorrimento, com água, entre chapas de vidro com estreitamento gradativo, que reteriam as pupas (estágio entre larvas e inseto adulto) fêmeas. No entanto, esse processo de separação por tamanho não tem funcionado.

“A indústria está retendo pupas grandes, fora do padrão, e deixando passar pupas pequenas, entre elas de fêmeas. Ao deixá-las passar, durante a soltura dos transgênicos, o fabricante está ampliando o número de transmissores de doenças, já que são as fêmeas que picam. A redução da população nas próximas gerações de mosquitos é esperada. Porém, até lá, talvez as fêmeas liberadas ampliem o número de pessoas infectadas com a dengue”, aponta.

Embora a Oxitec rejeite a possibilidade de proliferação do seu mosquito, Melgarejo contesta. Segundo ele, há no meio ambiente partículas do antibiótico tetraciclina, ainda usado em rações animais. Em laboratório foi confirmado que essa molécula neutraliza o mecanismo que antecipa a morte antes da chegada à fase adulta.

Novo mosquito

Os relatores do processo da cepa OX513A na CTNBio, porém, ficaram satisfeitos com a avaliação de risco apresentada pela Oxitec. E por se convencerem da segurança para humanos e o meio ambiente, deram aval para o lançamento no Brasil.

Mais do que isso, em agosto de 2016 eles voltaram a endossar os argumentos da Oxitec. Em artigo publicado em boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS), reafirmaram as vantagens e a segurança da liberação dos mosquitos transgênicos para o controle de doenças espalhadas pela fêmea do Aedes, como a dengue, chikungunya e Zika.

E enalteceram ainda o fato de o Brasil ter se tornado o primeiro país a aprovar a liberação sem restrições de um mosquito geneticamente modificado. Nos Estados Unidos, onde as agências são mais rigorosas, o mesmo pedido aguarda liberação das autoridades, que analisam os possíveis impactos. E que, por sua vez, deverão antes realizar uma consulta pública.

Estudo analisa relação entre o zika e problemas de visão em bebês

18/07/2017

Ilustração mostra a estrutura do vírus da zika  (Foto: Kateryna Kon / Science Photo Libra / KKO / Science Photo Library)

Uma pesquisa brasileira demonstrou que 58% dos bebês que nascem com problemas de visão possivelmente relacionados à zika são filhos de mães infectadas no primeiro trimestre de gravidez.

A pesquisadora Andrea Zin, do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), no Rio de Janeiro, analisou 112 filhos de mães que contraíram o vírus. Os bebês foram examinados até completarem um ano de idade por uma equipe médica, incluindo um oftalmologista.

Entre essas crianças, apenas 20 desenvolveram a microcefalia; 31 delas apresentaram anomalias no sistema nervoso central (SNC); e 61 não apresentaram qualquer modificação no SNC.

Com relação às mães, 32 foram infectadas no primeiro trimestre da gravidez; 55 no segundo trimestre; e 25 no terceiro trimestre.

A pesquisa concluiu que há uma relação entre a infecção pelo zika e o desenvolvimento de anomalias que causam problemas de visão.

Os autores do estudo afirmam, no entanto, que é importante investigar se todos os problemas de visão apresentados têm relação confirmada com a infecção por zika durante a gestação.

“Todos os bebês com potencial exposição ao vírus da zika devem ser submetidos a exames de visão, independente das anormalidades do Sistema Nervoso Central, tempo de infecção materna pelo vírus ou confirmação laboratorial”, avaliou o artigo.

 

Veja os resultados:

zika visão VE (Foto: Arte/G1)

zika visão VE (Foto: Arte/G1)