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Cetes oferece curso a distância sobre malária

20/05/2014

Fonte:  Faculdade de Medicina UFMG – 16/05/2014

Cetes oferece curso a distância sobre malária

Cetes oferece curso a distância sobre malária

O Centro de Tecnologia em Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG (Cetes) dá início, no dia 19 de maio, ao Curso Básico à Distância de Malária, que será oferecido a profissionais e gestores da saúde de áreas endêmicas da doença, na região Pan-Amazônica.

Além do Brasil, o treinamento online abrange vários países: Venezuela, Peru, Equador, Colômbia, Suriname, Guiana e Bolívia. Ao todo, 893 profissionais já se inscreveram no curso, sendo 307 brasileiros.

 O público-alvo compreende profissionais de nível superior da área da saúde que atuam nos serviços de atenção básica, como médicos e enfermeiros, ou profissionais que atuam diretamente no processo de diagnóstico e tratamento da malária, como bioquímicos e farmacêuticos.

O curso será oferecido dentro de uma plataforma de ensino a distância (Moodle), que prevê realização de exercícios, fóruns de discussões com monitores e tutores, além de videoconferências.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Rede Pan-amazônica de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, a Universidade do Estado do Amazonas e a Faculdade de Medicina da UFMG, por meio do Centro de Tecnologia em Saúde (Cetes).

Malária
A malária é uma doença de alta prevalência em muitos lugares do planeta e continua sendo um importante problema de saúde pública mundial. Ela tem cura, mas ainda produz profundo impacto social e econômico, especialmente entre os moradores da região Pan-amazônica.

O controle da doença depende do conhecimento dos principais aspectos que determinam a presença da malária nas áreas endêmicas, assim como dos principais aspectos biológicos, clínicos, terapêuticos e epidemiológicos, que permitam um adequado manejo dos pacientes.

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br

 

Vacina contra a dengue pode ser excesso de prevenção, alerta SBMFC

20/05/2014

Fonte: Segs – 19/05/2014

Vacina contra a dengue pode ser excesso de prevenção, alerta SBMFC (Thinkstock)

Vacina contra a dengue pode ser excesso de prevenção, alerta SBMFC (Thinkstock)

Ainda em fase de testes, a vacina contra a dengue promete reduzir 56% dos casos, porém a doença é considerada benigna e apresenta queda na taxa de mortalidade em 87%

Depois de décadas de estratégias insuficientes para eliminar o mosquito da dengue, encontra-se em fase de teste uma vacina que promete reduzir 56% das infecções da doença, maior índice preventivo já obtido em estudos para a imunização contra o vírus. Rodrigo Lima, membro da Sociedade de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), explica que a popularização da vacina pode implicar em excesso de prevenção, já que a dengue pode ser considerada uma doença benigna e mostra queda na taxa de mortalidade de 87%, comparado ao ano passado, a cada 100 casos, ocorrem apenas 0,03 óbitos, segundo o Ministério da Saúde.

De acordo com Lima, é importante ressaltar que as mortes relacionadas à dengue estão diretamente ligadas ao diagnóstico tardio da doença e às suas complicações, não ao vírus em si. “Dizemos que há prevenção quaternária (P4), ou seja, excesso de prevenção, quando desenvolvem-se ações direcionadas para prevenir condições que não necessariamente trariam malefícios ou quando os benefícios da ação preventiva não estão bem fundamentados, é o que aconteceria com a popularização de tal vacina”.
Como a expectativa de viabilização no mercado da vacina é prevista para o ano que vem, é provável que os estudos sobre seus resultados e efeitos sejam publicados em breve para análise e avaliação da SBMFC sobre a pertinência de adotá-la em escala populacional. “No momento atual da medicina, o ceticismo é a posição mais sensata, hoje ainda não é possível afirmar se essa nova imunização será benéfica ou não”.

A atuação dos médicos de família (MFCs) que atuam no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) é fundamental para o diagnóstico da doença, pois estão mais próximos da comunidade e costumam ser o primeiro contato destes pacientes com os sistemas de saúde. “O MFC saberá diferenciar a dengue de uma febre alta ou de uma forte dor de cabeça relacionados a outra doença, que são muito comuns ao ponto de pacientes se automedicarem ao ter estes sintomas”.

Quem é o médico de família e comunidade (MFC)?
A Medicina de Família e Comunidade é uma especialidade médica assim como Cardiologia, Neurologia e Ginecologia. O médico de família e comunidade é o especialista em cuidar das pessoas, da família e da comunidade no contexto da Atenção Primária à Saúde. O MFC acompanha as pessoas ao longo da vida, independentemente do gênero, idade ou possível doença, integrando ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde. Este profissional atua próximo aos pacientes antes mesmo do surgimento de uma doença, por isso, realiza diagnósticos precoces e os protege de intervenções excessivas ou desnecessárias.

É um clínico e comunicador habilidoso, pois utiliza abordagem centrada na pessoa e é capaz de resolver pelo menos 85% dos problemas de saúde, manejar sintomas inespecíficos e realizar ações preventivas. É um coordenador do cuidado, trabalha em equipe e em rede, advoga em prol da saúde dos seus pacientes e da comunidade. Atualmente há no Brasil mais de 3.200 médicos com título de especialista em Medicina de Família e Comunidade.

Justiça proíbe Fiocruz de realizar testes em cachorros em Salvador

15/05/2014

Fonte: Correio 24h – 14/05/2014

O juiz Ricardo D’Ávila, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, proibiu, em decisão liminar, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de continuar testes experimentais em cães, depois de denúncias de maus-tratos

em decisão liminar, a Fiocruz foi proibida de continuar testes experimentais em cães.

O juiz Ricardo D’Ávila, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, proibiu, em decisão liminar, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de continuar testes experimentais em cães, depois de denúncias de maus-tratos. A ação foi movida pelo Ministério Público da Bahia (MP) e ONGs de proteção ao direito dos animais.

A instituição nega maus-tratos aos animais. “Não maltratamos os animais. Temos todo um cuidado para não causar estresse, dor ou qualquer outro tipo de desconforto aos cães. Tomamos todos os cuidados devidos”, afirmou o pesquisador da Fiocruz Washington Luís Conrado, que participa da pesquisa.

Segundo ele, há 15 anos a instituição desenvolve uma pesquisa para a criação de uma vacina de combate à leishmaniose, doença que infecta cães e seres humanos e que pode matar. Durante os experimentos, os cães são inoculados com a doença. De acordo com a decisão judicial, 48 cães chegaram a ser contaminados e seis iriam ser sacrificados.

Na decisão, o juiz determina que a Fiocruz “se abstenha de realizar testes em animais, mais especificamente os cães utilizados nos experimentos de leishmaniose”, afirmou  Ricardo D’Ávila

A liminar obriga ainda a instituição a tratar dos animais contaminados e autoriza a vistoria do canil por integrantes do MP e das ONGs. Caso a medida não fosse cumprida, a Fiocruz terá que pagar multa de diária de R$ 3 mil, a partir do dia 30 de abril, cinco dias após a decisão.

Ontem, a assessoria da instituição informou, em nota, que foi notificada e que o caso está sendo  analisado. “A Fiocruz tomou ciência da liminar e encaminhou o documento à Procuradoria da Fiocruz e à Procuradoria Federal para avaliação e procedimentos legais”, disse a nota.

Denúncias
Segundo o vereador Marcell Moraes (PV), um dos autores da denúncia, as ONGs resolveram procurar a Justiça depois que denúncias anônimas apontaram maus- tratos durante o processo de pesquisa da Fiocruz.

“Recebemos fotos de animais maltratados e procuramos a Fiocruz, mas não houve diálogo. Pedimos para o Ministério Público nos ajudar, mas ainda assim não houve acordo. Por isso acionamos a Justiça”, disse.

Janaína Rios, responsável pela ONG Célula Mãe, uma das autoras da ação, se disse contrária às pesquisas científicas em animais e pediu que todos os testes fossem suspensos.

Retrocesso
Para Conrado, a medida representa um retrocesso e impede o avanço da ciência. “Todos os anos de 5% à 12% das pessoas infectadas com leishmaniose morrem no mundo. As principais vítimas são crianças de 0 à 14 anos. Estamos falando de um problema de saúde pública sério”, afirmou.

Ele explicou ainda que os animais são insdispensáveis nesse tipo de pesquisa. “Um animal vivo tem um nível de complexidade que não  dá para substituir por um programa de computador ou pelo estudo de células isoladas”, disse. Cerca de 40 cães são usados nas pesquisas da Fiocruz.

A militante Janaína Rios questionou a eficácia das pesquisas. Para ela, o estudo é dispensável. “Já existem drogas e tratamentos contra a doença. Eles recebem recursos públicos para fazer um trabalho que não é necessário”, afirmou.

Segundo Conrado, porém, as drogas que existem atualmente no mercado não resolvem o problema. “Nos testes com essas drogas percebemos que os animais aparentemente curados voltavam a desenvolver a doença cerca de seis meses depois. Estamos em busca da cura para a doença”, explicou.

Doença
A leishmaniose é transmitida pela picada de um mosquito que previamente tenha picado um cão contaminado. Ela pode se manifestar de diferentes maneiras a depender do sistema imunológico das vítimas.

Nos seres humanos, pode causar lacerações na pele, atacar as mucosas do nariz e da boca e atingir órgãos como fígado e a medula óssea. A doença pode provocar ainda febre, anemia, emagrecimento, inchaço do fígado e hemorragia.

A estudante de enfermagem, Adriele Cruz, 20 anos, teve a doença há dois anos. “Começou como uma ferida pequena, no joelho. Pensei que não fosse nada demais, mas começou a doer bastante, por isso procurei um médico”, contou ela, que mora em Santo Antônio de Jesus.

O tratamento incluiu 60 injeções. Ela contou que na época existiam muitos cachorros no bairro e ela não foi a única contaminada.

Testes com cães viraram caso de polícia em São Paulo
Em São Paulo, o uso de animais em testes virou caso de polícia, em outubro do ano passado, quando um grupo de cem ativistas invadiu o laboratório do Instituto Royal, no município de São Roque, a 66 quilômetros da capital, e retirou 178 cães da raça Beagle.

Os ativistas acusavam o instituto de maus-tratos aos animais, usados em testes para desenvolvimento de medicamentos para a indústria farmacêutica. Depois da invasão, a diretoria do instituto registrou ocorrência por furto, mas admitiu que realizava os testes, destacando, no entanto, que respeitava as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a empresa, desde 2005,  realizava testes pré-clínicos de remédios usados no tratamento de doenças como câncer, diabete, hipertensão e epilepsia, entre outros. Três semanas depois do episódio, o instituto anunciou que encerraria as pesquisas na unidade de São Roque.

Em nota, a direção apontou como motivos para o fechamento o “ambiente de insegurança” e “elevadas e irreparáveis perdas sofridas”. A empresa tem também uma unidade no Rio Grande do Sul, embora esta não faça experimentos.

Morre médico venezuelano que criou vacina contra a leishmaniose

15/05/2014

Fonte: I Online – 12/05/2014

O médico venezuelano Jacinco Convit Garcia, que descobriu as vacina contra a lepra e a leishmaniose, morreu hoje em Carcas aos 100 anos de idade, anunciou hoje a fundação com o seu nome.

O médico venezuelano Jacinco Convit Garcia, que descobriu as vacina contra a lepra e a leishmaniose, morreu hoje em Carcas aos 100 anos de idade, anunciou hoje a fundação com o seu nome.

O médico venezuelano Jacinco Convit Garcia, que descobriu as vacina contra a lepra e a leishmaniose, morreu hoje em Carcas aos 100 anos de idade, anunciou hoje a fundação com o seu nome.

“No dia de hoje, aos 100 de vida e dedicação à humanidade através da medicina, o Dr. Jacinto Convit Garcia faleceu”, lê-se num comunicado de imprensa divulgado pela Fundação Jacinto Convit.

Nascido a 11 de setembro de 1913 em La Pastora, Caracas, e doutorado em Ciências Médicas em 1938, Jacinto Convit Garcia foi distinguido em 1987 com o Prémio Príncipe de Astúrias de Investigação Científica e Técnica e candidato, em 1988, ao Prémio Nobel de Medicina.

Dedicado à prática da medicina sem fins lucrativos, trabalhava numa vacina experimental contra o cancro, baseada em terapias imunológicas e publicou 345 trabalhos científicos especializados, o mais recente em 2013.

Foi criador do Instituto de Biomedicina de Caracas e da Rede Nacional de Dermatologia Sanitária, tendo sido ainda distinguido com o Prémio Ciência e Tecnologia, do México, a medalha da Saúde da Organização Panamericana da Saúde e a insígnia Oficial da Ordem da Legião de Honra, a mais alta distinção do Governo francês (2011).

Com vários títulos Honoris Causa de universidades nacionais e internacionais, foi condecorado com a Ordem do Libertador, e distinguido com o Prémio José Gregório Hernández, a medalha da Federação Médica Venezuelana e a Medalha Naval Almirante Luís Brión, entre outras honrarias.

Em 2013, o parlamento venezuelano aprovou por unanimidade um projeto para solicitar que fosse distinguido com o Prémio Nóbel da Medicina, com motivo do centenário do seu nascimento.

PBH recorre a placas para alertar sobre febre maculosa

10/05/2014

Fonte:  Portal Uai – 07/05/2014

no interior do Parque da Pampulha. (Foto: Beto Magalhães/D.A Press)

A PBH decidiu instalar chamativas placas em tom laranja, com o desenho estilizado de um carrapato, de 50 metros em 50 metros no interior do Parque da Pampulha. (Foto: Beto Magalhães/D.A Press)

Enquanto não consegue retirar as cerca de 250 capivaras da orla da Lagoa da Pampulha, a Prefeitura de Belo Horizonte, PBH, decidiu instalar chamativas placas em tom laranja, com o desenho estilizado de um carrapato, de 50 metros em 50 metros no interior do Parque Ecológico Promotor Francisco José Lins do Rego, mais conhecido como parque da Pampulha. Os roedores podem servir de reservatórios da bactéria causadora da febre maculosa ou febre do carrapato, transmitida ao homem pelo carrapato-estrela.

No próximo fim de semana, os cerca de 5 mil visitantes do parque vão se deparar com o alerta de que a “área é sujeita à ocorrência de carrapatos”, conforme a placa alaranjada. Para se prevenir, ao chegar em casa as pessoas devem verificar as próprias roupas e o corpo, a cada três horas. Em caso de possível picada do carrapato, é melhor procurar um médico, avisam os dizeres das placas.

O parque ficou fechado para visitantes ontem. Sem saber das placas, a cabeleireira Lídia e o vendedor Ronald Pereira tiraram a tarde de folga para passear com a filha Sara, de 2 anos. “Capivala!”, disse a menina, apontando para os cerca de 50 animais que transitavam do lado de fora do parque, às margens da água empoçada. Informados do risco, o casal ficou alarmado. “Venho aqui trazer o neném de três a quatro vezes no mês e nunca ouvi falar disso. Não gosto nem de imaginar o que poderia acontecer com minha filha”, protestou a mãe. “Não vamos chegar mais perto dos bichos”, afirmou o pai, assumindo que já tentou até fazer carinho nas capivaras.

Dentro do parque, os cartazes estão bem posicionados para alertar os visitantes. Já na entrada, os visitantes são orientados sobre os riscos, bem como em toda a pista de terra bastante usada para corrida e até na área de equipamentos de ginástica e brinquedos de madeira. Mais no fundo, chegando mais perto da área de isolamento das capivaras, os visitantes recebem novos avisos, tais como: “Não alimente as capivaras”. “Já sabemos do risco. Em Carangola, ocorreu um caso de morte, depois que um menino de 15 anos foi acampar em um lugar onde havia muitos carrapatos. Lá, virou praga, as capivaras andam no meio da rua”, informou Rafael Monteiro, de 21 anos, autônomo, em companhia de Luma Sales, de 18. Eles estão de mudança para BH.

SURPRESA

O vice-prefeito Délio Malheiros, que acumula o cargo de secretário municipal de Defesa do Meio Ambiente, garante ter sido pego de surpresa ao ser informado sobre as placas do parque. “Você ter certeza? Não é só um folheto?”, disse. Ele considera um exagero a colocação de placas de alerta. “É excesso de zelo. Mas você tem de perguntar à Saúde”, completou.

Já a Secretaria Municipal de Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que a atribuição seria da Fundação Zoo-Botânica, responsável pela administração do parque. A fundação, por sua vez, já havia dito por telefone que “assuntos envolvendo capivara estariam centralizados em Délio Malheiros”.

O vice informou que fará uma visita ao parque ecológico na sexta-feira para conferir as placas. De início, ele considera que a medida poderá criar alarde na população, já que não há nenhum caso comprovado de contaminação na capital.

“Se tem risco, é preferível pecar por excesso do que por falta. É semelhante às placas alertando sobre risco de tubarão nas praias do Recife. Os tubarões pegaram cinco pessoas em 10 anos, a chance é pequena demais, mas existe”, compara ele. “Sempre fiquei absolutamente tranquilo. Nunca cheguei em casa e examinei minhas roupas para ver se tinha carrapato”, garantiu.

A hipótese de fechar temporariamente o parque até a remoção das capivaras foi descartada por Malheiros. “Não tem jeito. Vamos cercar a Lagoa da Pampulha inteira? Os roedores estão por todo lado e inclusive voltaram a atacar os jardins de Burle Marx“, afirmou ele, lembrando do início da polêmica, em julho do ano passado, com a descoberta da proliferação das capivaras nas imediações do Museu de Arte da Pampulha (MAP).

Segundo o vice-prefeito, o alarde criado em torno da questão das capivaras teria gerado problema para encontrar um lugar que receba os animais. “Nenhum prefeito quer as capivaras na cidade dele”, afirmou.

Em 31 de março, a prefeitura assinou contrato dando prazo de 180 dias para uma empresa vencedora de licitação remover as cerca de 250 capivaras da Pampulha, ao custo de R$ 182 mil. O serviço inclui apreensão, retirada, manejo e exames para verificar se os animais estão infectados. Segundo os últimos resultados de exames, não foi encontrada nenhuma capivara contaminada.

 

Parasita da leishmaniose ‘enngana’ o sistema imunológico

06/05/2014

Fonte: Estado de Minas – 05/05/2014

Vacúolos parasitóforos desenvolvidos pelo protozoário Leishmania amazonensis (em vermelho)em macrófago de camundongo (cinza). Imagem obtida em microscópio eletrônico de varredura por emissão de campo a partir de amostra fraturada por fita adesiva. Dezenas de parasitas estão alojados em espaçosos compartimentos intracelulares do macrófago hospedeiro. Nesses vacúolos espaçosos o parasita se refugia do sistema imune do hospedeiro. Produzida por Fernando Real, um dos autores da pesquisa, a imagem ficou em segundo lugar na categoria Dimensãomicro da edição 2012 do Prêmio Fotografia/CNPq

Vacúolos parasitóforos desenvolvidos pelo protozoário Leishmania amazonensis (em vermelho)em macrófago de camundongo (cinza). Imagem obtida em microscópio eletrônico de varredura por emissão de campo a partir de amostra fraturada por fita adesiva. Dezenas de parasitas estão alojados em espaçosos compartimentos intracelulares do macrófago hospedeiro. Nesses vacúolos espaçosos o parasita se refugia do sistema imune do hospedeiro. Produzida por Fernando Real, um dos autores da pesquisa, a imagem ficou em segundo lugar na categoria Dimensãomicro da edição 2012 do Prêmio Fotografia/CNPq

Sequenciamento de um dos causadores da leishmaniose revela como o protozoário produz proteínas que impedem reação de proteção do organismo. Pesquisa é coordenada pela UFMG, com colaboração de outros laboratórios.

A identificação de duas proteínas produzida pelo parasita Leishmania amazonensis pode explicar por que ele consegue conviver harmoniosamente com células que deveriam matá-lo. O sequenciamento do genoma do Leishmania amazonensis, um dos causadores da leishmaniose cutânea e difusa, demorou quatro anos para ser concluído, mas viabilizou a identificação de proteínas que poderiam subverter as defesas do organismo hospedeiro, participando da evasão do seu sistema imunológico. O sequenciamento em si foi realizado de maneira automatizada em um equipamento de última geração nos Estados Unidos, mas todo o processamento e a análise dos genes envolvidos são mérito de pesquisadores brasileiros.

Coordenado pela doutora em bioquímica e biologia molecular Diana Bahia, do Departamento de Biologia Geral da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo é uma colaboração com o Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (DMIP) da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), além de grupos do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), de Campinas, e do Laboratório de Genômica e Expressão da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No artigo “The genome sequence of Leishmania(L.) amazonensis: functional annotation and extended analysis of gene models”, publicado na revista científica DNA Research, eles mostram como duas proteínas sintetizadas e secretadas pelo protozoário imitam a do hospedeiro.

Segundo Diana Bahia, essa imitação permite a ligação dessas proteínas a componentes do arsenal imunológico do indivíduo infectado, bloqueando sua ativação e silenciando a resposta inflamatória. O estudo também avançou na investigação dos genes relacionados à formação de um vacúolo (chamado vacúolo parasitóforo), bolsa que abriga o parasita no interior dos macrófagos, células de defesa que os englobam e tentam destruí-los (foto). Nela, o parasita se multiplica e resiste a eventuais ataques do sistema imunológico.

Segundo o doutor em Microbiologia e Imunologia Fernando Real, do DMIP, um dos pesquisadores e autores principais, no caso de Leishmania amazonensis e da sua espécie-irmã Leishmania mexicana, essa bolsa é bem mais espaçosa do que as formadas por outras espécies de protozoários causadores da leishmaniose. “Essa pode ser uma das maneiras de o parasita subverter e enganar o sistema imunológico do hospedeiro”, acredita. A motivação para o estudo, inclusive, veio do fato de a Leishmania amazonensis residir nesse vacúolo mais espaçoso dentro dos macrófagos, ao contrário da Leishmania major e da Leishmania braziliensis, que residem em vacúolos mais apertados, justapostos ao corpo do parasita.

“O vacúolo criado pelo parasita, quando está em sua forma amastigota, ou seja, intracelular, parece ser um mecanismo elaborado, usado para sua multiplicação e proteção contra o ataque do sistema imune do hospedeiro. Esse vacúolo largo é uma característica ainda pouco estudada, até o momento descrita apenas para as espécies do complexo mexicana”, explica Diana. Daí a importância do genoma, que proveu os pesquisadores de informações sobre proteínas expostas ou secretadas pelo parasita, principalmente na forma amastigota, que auxiliassem na formação desse vacúolo. Dessa maneira, seria possível entender o possível mecanismo biológico por trás de sua sobrevivência dentro do macrófago e, consequentemente, encontrar meios de neutralizar seu ciclo intracelular.

O genoma de um organismo funciona como um manual de instruções do seu funcionamento. Ele provê indicações de que genes estariam relacionados com problemas científicos e médicos na investigação desses parasitas. É preciso tomar toda a informação decorrente do sequenciamento e, pontualmente, investigar a participação efetiva dos genes preditos (aqueles anotados como tendo características de genes) na manifestação clínica da doença, por exemplo, ou na formação do vacúolo parasitóforo, para aqueles mais interessados na pesquisa básica. “O genoma ‘abre mais portas do que fecha’. Temos mais perguntas a investigar do que respostas”, acrescenta Diana.

No estudo, os pesquisadores buscaram identificar genes espécie-específicos em Leishmania amazonensis e Leishmania mexicana que poderiam estar relacionados à leishmaniose cutânea difusa. Segundo Diana, são pouquíssimos os genes encontrados apenas nessas duas espécies. Independentemente da manifestação da doença, as espécies de Leishmania são muitíssimo parecidas: mais de 90% dos genes fazem parte de um repertório comum ao gênero. Mas o que aparentemente faz a diferença é a quantidade de cópias de cada gene. “Encontramos muitos genes expandidos (aqueles que se apresentam em maior numero de cópias em dado organismo) em número de cópias nas duas espécies. Talvez esses genes estejam envolvidos nas peculiares manifestações clínicas provocadas por esses parasitas e na homeostase (condição de relativa estabilidade que o organismo necessita para realizar suas funções adequadamente) entre parasita e hospedeiro”, explica

Esses parasitas estão adaptados para viver silenciosamente no hospedeiro, até que alguma deficiência do sistema imune permita que ele saia de sua forma latente e desenvolva as lesões no mesmo. Umas espécies, contudo, parecem mais adaptadas do que outras – mais agressivas – a viver silenciosamente em determinados hospedeiros, fenômeno ainda pouco estudado. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), boa parte dos mamíferos reservatórios e de humanos infectados pela Leishmania amazonensis não apresentam lesões. “Por isso acreditamos que esse protozoário seja uma dessas espécies que evoluíram de modo a adquirir vantagens em uma vida intracelular e a se adaptar a viver silenciosamente no hospedeiro”, explica a pesquisadora da UFMG.

Do ponto de vista médico, o sequenciamento genômico possibilita a identificação de genes importantes para o estabelecimento do parasita e para sua disseminação pelo organismo. Alguns produtos desses genes preditos podem ser potenciais alvos de vacinação (profilática ou terapêutica) ou para desenho de drogas que impeçam a continuidade da doença. Do ponto de vista biológico, o genoma pode revelar fatores para a biogênese do vacúolo largo, no qual esses parasitas vivem, permitindo a investigação do estado de latência que esses parasitas podem atingir em infecções crônicas, e também para a investigação do tropismo (movimentação) do parasita do sítio da picada do inseto até outras regiões na doença disseminada.

A pesquisa foi realizada com financiamento do projeto Jovem Pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e por meio de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Melhor entendimento da comunicação celular

Com o genoma do parasita Leishmania amazonensis sequenciado, surgem mais possibilidades para a investigação da biologia dessa espécie, que pode ser feita, inclusive, em comparação com os genomas de outras espécies de Leishmania. A apresentação do genoma deve ser o início, e não o fim, de uma série de experimentações a fim de se checar a relevância médica e biológica dos genes preditos. Um dos próximos passos, segundo Diana Bahia, é, a partir do isolamento dos largos vacúolos parasitóforos formados por essa espécie, mapear que componentes do hospedeiro e que estruturas do parasita fazem parte dessa estrutura. Além disso, torna-se viável a identificação de proteínas do parasita que participam da sinalização celular, ou seja, fosforilam e ativam substratos, em uma cascata de eventos de comunicação celular. Essas proteínas têm sido amplamente estudadas como alvo de drogas para doenças proliferativas, como o câncer. Para os pesquisadores, a interferência em algumas dessas vias de sinalização, por meio de desenho de drogas específicas, poderá ser um futuro promissor para o controle da manifestação da doença causada pelo parasita.

 

Causador de graves lesões

Leishmania é um gênero de protozoários que inclui os parasitas causadores das leishmanioses. As espécies são transmitidas por mosquitos do gênero Phlebotomus, no Velho Mundo, e do gênero Lutzomyia, no Novo Mundo, e seus hospedeiros primários são mamíferos como cães e camundongos, além de répteis. Leishmania amazonensis faz parte do chamado “complexo mexicana”, também composto pela espécie Leishmania mexicana. A Leishmania mexicana foi classificada, em 1953, por Francisco Biagi, como agente causador da úlcera dos chicleros, lesão cutânea comum entre trabalhadores rurais da América Central. A Leishmania amazonensis foi descoberta pelos professores Jeffrey Shaw (da Universidade Federal de São Paulo) e Ralph Lainson (do Instituto Evandro Chagas), em 1972.

Das mais de 20 espécies descritas, as do complexo mexicana provocam lesões crônicas, nodulares e muitas vezes disseminadas em humanos. Já Leishmania amazonensis encontra-se predominante no Brasil, na Bacia Amazônica, e está envolvida em manifestações cutâneas que abrangem formas simples (nódulo ou lesão simples), difusas (vários nódulos na região infectada) e disseminadas (vários nódulos espalhados por outras regiões do corpo). Essa tem maior envolvimento em uma forma mais grave e de difícil tratamento dessas manifestações cutâneas disseminadas. A forma anérgica difusa leva a sérias lesões desfigurantes no indivíduo que se assemelham à lepra e é praticamente impossível de serem curadas.

Estudo internacional testa novo medicamento contra malária no AM

06/05/2014

Fonte: G1 – 05/05/2014

Uma nova droga destinada ao tratamento da malária, a Tafenoquina, começou a ser testada pela Fundação de Medicina Tropical Doutora Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD)

Uma nova droga destinada ao tratamento da malária, a Tafenoquina, começou a ser testada pela Fundação de Medicina Tropical Doutora Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD)

Uma nova droga destinada ao tratamento da malária, a Tafenoquina, começou a ser testada pela Fundação de Medicina Tropical Doutora Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus, desde o dia 25 de abril. O objetivo é avaliar a eficiência do medicamento que, se comprovada, deverá ser adotado pelo Ministério da Saúde. O teste deve durar um ano.

Segundo a diretora da FMT-HVD, Graça Alecrim, o uso do novo medicamento reduz o tempo de tratamento do paciente de sete para apenas um dia. Atualmente o tratamento da malária é feito com a terapia combinada de dois antimaláricos (cloroquina e a primaquina). A diretora esclarece que, se os resultados do ensaio clínico atestarem a eficiência da Tafenoquina, essa substância deverá substituir a Primaquina.

O teste faz parte de um estudo clínico de cooperação internacional, que tem participação de centros de pesquisa do Brasil, Peru, Índia, Bangladesh e Tailândia. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Susam), a fundação é a primeira a testar o medicamento em seres humanos dentre as instituições envolvidas no estudo. Aida de acordo com a FMT-HVD, os países envolvidos têm grande interesse no estudo em virtude da alta incidência da doença nestes locais.

No Brasil, além da Fundação de Medicina Tropical, o projeto conta também com a participação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Porto Velho (RO). O ensaio é encabeçado pelas empresas Medicines for Malaria Venture (MMV) e Glaxo Smith Kline (GSK), que são financiadas pela Fundação Bill & Melinda Gates.

O teste em humanos teve início na sexta-feira (25) e deve durar cerca de um ano, no total, incluindo os seis meses de uso da nova droga e outros seis meses de acompanhamento clínico desses pacientes. O medicamento será testado inicialmente em 100 pacientes.

A FMT-HVD é referência em pesquisa e nas áreas de diagnóstico e tratamento de doenças infectoparasitárias e tropicais, como malária, no país e internacionalmente. A participação no estudo fortalece o caráter estratégico que o órgão assumiu nas últimas quatro décadas, no cenário da pesquisa internacional. A instituição tem sido também centro de referência para estudos encomendados pelo Ministério da Saúde, com foco em malária e outras doenças.

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